A Arte Neoclássica | M7

O Capitólio de Washington, exemplar do neoclassicismo arquitectónico

O Iluminismo
O Iluminismo que defendia a Razão, a Liberdade, o Progresso e a procura da felicidade também criou uma estética própria que tinha por base o estudo dos modelos antigos (Clássicos e Renascentistas) e a escolha do mais útil e funcional, aparecia assim o neoclassicismo, marcado pela simplicidade, regularidade das formas, harmonia, equilíbrio e sobriedade. Esta nova dinâmica representou o regresso à ordem na arte, depois de um período de extravagância e exagero que dominaram o barroco e o rococó.
A Arte Neoclássica
Utiliza materiais produzidos pela Revolução Industrial.
• Apesar de se inspirar nos modelos clássicos, não reproduz cópias do original.
• Inspirada nos cânones estruturais, formais e estéticos da arte clássica e preocupada em representar e servir o presente, a arquitectura neoclássica procurou dar respostas às novas necessidades culturais, políticas e económicas no campo público e privado. 
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Características:
• Empregou frequentemente materiais nobres como o mármore e o granito.
• Utilizou plantas e decorações marcadamente geométricas, simples, harmoniosas e equilibradas.
• Às estruturas arquitectónicas foi aplicada uma gramática decorativa formal e clássica e renascentista: pórticos colunados, frisos, cornijas, frontões, abóbadas, cúpulas, arquitraves, colunas dóricas, jónicas e coríntias, contudo, utilizando os cânones de forma livrem.
• A decoração do interior recorreu a pinturas com temas clássicos, as colunas e outros elementos arquitectónicos apresentam um carácter estrutural. 
As Sabinas de Jacques - Louis David
Pintura Neoclássica:
• À semelhança da arquitectura, as suas raízes ideológicas também se encontram no Iluminismo, na Cientismo e na Razão.
• Reagiu contra o barroco, impondo o redescobrindo o classicismo: austero, simples, geométrico, equilibrado e harmonioso. 

Jacques-Louis David – Napoleon Crossing the Saint-Bernard 1800-01
• As temáticas são históricas, heróicas, mitológicas e o retrato.
• Segue as linhas do realismo e do naturalismo renascentista.
• As cores são sóbrias, com zonas de claro e escuro evidenciadas.
• A pintura faz apelo à razão e não à emoção. 

O Juramento dos Horácios”, por Jacques-Louis David, 1784, óleo sobre tela, Museu do Louvre, Paris.
• Os principais pintores são franceses e destacam-se os seguintes: Jacques Louis David, Gros e Ingres. 


Vénus, de António Canova" O estilo neoclássico, baseado na arte antiga da Grécia e de Roma, alcançou seu apogeu no final do século XVIII. António Canova, autor desta Vénus, é considerado o melhor escultor desse estilo artístico.

Escultura Neoclássica:
• Os principais temas são: históricos, literários e mitológicos.
• Os homens são retratados segundo as regras dos cânones gregos e romanos, apresentando poucas características pessoais.
• Utilizada para glorificação de publicidade de políticos e de pessoas públicas.
• O material predilecto foi o mármore branco. 
  Escultor: Bertel Thorvaldsen  Data: 1803 | Estilo: Neoclássico
• As obras revelam uma grande minúcia, perfeição e forte sentido estético, retratando com grande realismo e naturalismo os modelos. Porém, esses modelos apresentam sempre uma tendência idealizada, característica dos gregos (as estátuas apresentem sempre a perfeição).
O Neoclassicismo em Portugal:
• Em Portugal, o sistema absolutista prolongou-se no tempo, até 1820, o que tardou o aparecimento da estética neoclássica.
• Na região do Porto, em virtude do comércio do Vinho do Porto com os ingleses, verificamos a existência de alguns exemplares desta arquitectura: Hospital de Santo António, de John Carr e o Palácio das Carracas (actual Museu Nacional Soares dos Reis) de Joaquim da Costa Lima.
• Em Lisboa, destaca-se o Palácio Nacional da Ajuda de Francisco Xavier Fabri e Costa e Silva, o Teatro Nacional D. Maria II de Fortunato Lodi e a Assembleia da República de Ventura Terra. 



A Baixa Pombalina de Lisboa:
• A 1 de Novembro de 1755, ocorreu um Terramoto em Lisboa, seguido de um Maremoto e de um incêndio que destruíram a cidade, nomeadamente o centro, a zona da actual baixa.
• Neste contexto, sobressaiu a acção do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que decretou a proibição de construir fora do perímetro da antiga cidade, tendo publicado leis contra a especulação imobiliária.
• Tendo em vista a reconstrução da cidade, taxou todas as mercadorias importadas com 4%, transferindo essas verbas para o mesmo efeito.
• Ficou célebre pela sua política energética na reconstrução da cidade, onde terá proferido a seguinte frase: “ enterrar os mortos e cuidar dos vivos”. 


Projecto de reconstrução da baixa de Lisboa:
O projecto ficou a cargo de Manuel da Maia, engenheiro do reino, este apontava cinco hipóteses:
1 – Reconstrução da cidade, tal como era antes.
2 – Alargamento das vias principais.
3 – Limite da altura dos edifícios a dois andares, de forma a serem mais seguros.
4 – Demolição do que restava da cidade e novo plano inteiramente livre (geométrico e racional)
5 – Construção de uma cidade nova a ocidente da antiga, numa zona poupada pelo sismo (Belém / Algés). Esta última hipótese era a preferido de Manuel da Maia, pois permitia a construção de uma cidade mais segura. 


Projecto vencedor
A decisão final, certamente com o apoio de D. José I e de Sebastião José, seria a quarta: uma cidade geométrica, racional, com rígidas imposições estéticas e construtivas, que seria edificada sobre os escombros da cidade antiga.
Esquema de esgoto
Eugénio dos Santos e a Planta da baixa de Lisboa:
• A Planta escolhida seria a de Eugénio dos Santos (planta nº5). Esta planta cobre, além da Baixa Pombalina, a subida até ao Bairro Alto (zona do Chiado).
• Após a morte de Eugénio dos Santos, os trabalhos ficaram a cargo de Carlos Mardel, arquitecto de origem húngara.
• A planta foi baseada numa grelha de ruas perpendiculares e paralelas (verticais e horizontais), com quarteirões rectangulares (planta ortogonal). Este traçado era balizada por duas praças principais: o Terreiro do Paço (Praça do Comércio) e o Rossio.
• Estas duas praças são ligadas por duas ruas principais: Rua Augusta e Rua do Ouro, que permitem a plena circulação de pessoas, bens e serviços devido às suas dimensões.
• O plano de reconstrução da cidade, apresenta um ideal urbanístico, o primeiro a ser aplicado numa cidade europeia, explanando os princípios racionais do Iluminismo.
• O Terreiro do Paço foi definido como local dedicado às actividades comerciais e administrativas, não concebendo a edificação de um Paço Real, ou seja, Palácio do Rei, este foi retirado do centro da cidade, para uma área periférica da mesma – Alto da Ajuda.
• Na Praça do Comércio, verificamos ainda a existência de um Arco do Triunfo, com acesso à Rua Augusta e uma estátua equestre de D. José I, da autoria de Machado de Castro.
• O plano de Eugénio dos Santos, atesta o espírito iluminista do próprio Marquês, pois apresenta um ideal urbanístico que procura transformar os espaços da cidade em locais funcionais que permitam a circulação.
• Todos os edifícios apresentam uma planta simples, com espaços amplos sem elementos decorativos.
• Os materiais utilizados foram feitos de forma estandardizada e em série, assim, as construções apresentam a mesma tipologia. No exterior edifícios forma pintados de amarelo, (as actuais cores da Praça do Comércio).
• Todas as casas eram práticas, reduzidas ao essencial e aplicadas à nova sociedade urbana que o Marquês cria ver nascer em Lisboa e Portugal.


• O interior dos prédios, apresenta ainda um sistema de gaiola (estrutura em madeira flexível), com esqueleto construtivo, que deve ser visto como uma técnica anti-sísmica, o que atesta uma vez mais o espírito científico do próprio Marquês – entendida a natureza, o homem deve dar uma resposta eficaz à mesma. 

A Baixa Pombalina é, pois, a imagem de um homem – o Marquês de Pombal – e de um tempo (o Iluminismo), representando a maior obra pública colectiva realizada em Portugal:
• Ortogonal,
• Racional,
• Visão Urbanística,
• Científica,
• Lógica e orgânica,
• Funcional,
• Apresentando uma resposta eficaz aos elementos da natureza.