O Estilo Gótico 1 | M4

Catedral de Chartres
A ARQUITECTURA GÓTICA
Nasceu em Île-de-France, a Norte de Paris, no século XII, com a reconstrução da catedral de Saint-Denis. Não se conhece o seu arquitecto. Somente o seu ideólogo, o abade Sugger.
Contudo, o estilo gótico espalhou-se por toda a Europa

Contexto cultural e religioso que fez despertar o Gótico
Construída em louvor de Deus e dos homens, a arquitectura religiosa tem como representação máxima a catedral, que simboliza a fé da cidade onde era erigida.


As Catedrais Góticas procuraram ser a casa de Deus na terra.
Na altura, os teólogos defendiam que Deus era Luz, luz que descia sobre as criaturas, inundando-as da sua graça e virtude, por esse motivo, as novas técnicas de construção visavam a entrada da luz no interior da catedral, tornando-se a catedral o espaço mais iluminado da cidade.
Com a luz das novas catedrais pretendia-se uma nova atitude religiosa, mais mística e que convidasse os fiéis a uma nova partilha com Deus.            

O contexto socioeconómico que fez despertar o gótico  Surgiu numa Europa: Urbana - Economicamente próspera - Animada pelo comércio, com uma burguesia endinheirada, que patrocina a construção de grandes catedrais, pois isso representaria mais movimentação nas cidades e logo mais vendas.

Catedral de Notre Dame de Paris
PRINCIPAIS INOVAÇÕES
A Verticalidade dos edifícios tendo em vista alcançar a divindade mais facilmente,
Arcos, abóbadas e cúpulas em ogiva,
Contrafortes destacados do edifício, mas unidos a ele através de arcobotantes esbeltos e elegantes,
Utilização de pináculos e agulhas para reforçar a verticalidade do edifício,
Grande utilização do vidro em vitrais e rosáceas.


VANTAGENS DO ARCO EM OGIVA 
O arco em ogiva é muito mais dinâmico que o estático arco românico.
Este possibilitou a construção de abóbadas de cruz ou cruzaria de ogivas, o que permitiu a edificação de um esqueleto que possibilitou uma melhor articulação dos tramos da abóbada, conseguindo-se assim uma mais eficiente distribuição das forças exercidas sobre os pilares e sobre as paredes da construção. Assim, as abóbadas em cruzaria de ogivas, distribuíram melhor o peso do tecto do edifício.
Através das nervuras estruturais dos arcos em ogiva as forças eram desviadas para pilares de sustentação. Cada nervura corresponde a um colunelo adossado aos pilares que assentam na nave.    
O arco em ogiva ou quebrado, permitiu a construção em altura, pois diminuiu as pressões laterais, possibilitando uma melhor articulação das forças.
A construção de abóbadas em ogiva permitiu uma melhor distribuição da força.

VERTICALIDADE /ARCOBOTANTES E CONTRAFORTES
Mais leves e fáceis de sustentar, as abóbadas ogivais elevaram-se cada vez mais, isso obrigou a reforçarem-se os apoios exteriores com contrafortes mais esbeltos e elegantes, formados por um elemento maciço e vertical, que suportava a abóbada da catedral, através dos arcobotantes, elemento arquitectónico que unia os contrafortes às paredes laterais da catedral.
 Quando as abóbadas se tornaram demasiado altas, a solução foi a construção de arcobotantes duplos
Os arcobotantes eram meios arcos que se levantavam do contraforte. Tinham como finalidade aliviar as paredes do peso das abóbadas, permitindo assim a elevação do edifício . (verticalidade).   


O APARECIMENTO DOS VITRAIS
Com a construção de abóbadas ogivais, arcobotantes e contrafortes esbeltos, as paredes ficaram libertas do seu tradicional papel de suporte.
Este facto, permitiu que rasgassem amplas janelas (vitrais) que iam de um pilar ao outro, fazendo com que os interiores fossem mais iluminados

PLANTAS DAS CATEDRAIS GÓTICAS. ALGUMAS ALTERAÇÕES
Quase todas as plantas foram desenhadas em cruz latina.
Algumas plantas passaram a apresentar três ou cinco naves.
Algumas possuem transepto com três ou cinco naves.
A cabeceira tornou-se mais complexa, ocupando cerca de um terço da Igreja, (acompanhado em alguns casos os “braços do transepto”).



ALTERAÇÕES EXTERIORES
As fachadas tornaram-se monumentais (verticalidade) e ricamente adornadas, ou seja, a decoração passou a ser intensa.
Os portais com as arquivoltas ogivais tornaram-se mais esguios e elegantes.
As torres sineiras, os pináculos e as agulhas acentuaram a noção de verticalidade.
As catedrais acentuavam a sua verticalidade com pináculos e agulhas
Os pináculos, permitiam elevar ainda mais o edifício e assim estar mais próximo de Deus.
As catedrais góticas não apresentam todas a mesma configuração, ou seja, de acordo com o sítio onde estão inseridas ganham características próprias e específicas. Contudo, apresentam um traço estrutural que as une – o arco em ogiva ou arco gótico.


A ESCULTURA
A escultura que, durante o românico, apresentava um carácter essencialmente simbólico, vai evoluir num sentido mais naturalista e realista a partir do século XIII, ou seja, durante o gótico.
Esse realismo e naturalismo foram reforçados por corpos mais volumosos e posições ligeiramente curvilíneas, acentuadas pelo requebro da anca, dando uma ideia de maior movimento e dinamismo.
Mãos, rostos e corpos são tratados com maior correcção anatómica, cabelos e barbas, verificamos então uma maior humanização de todas as reproduções escultóricas.
A expressão formal (atitudes, gestos) procura exprimir a perfeição espiritual

ESCULTURA ROMÂNICA
Rigidez, cânones fixos, o rosto não é expressiva, não transmite nenhum estado de espírito. Simetria axial, a estrutura da virgem é monolítica, o seu corpo não possui formas, é um bloco rígido. Mensagem a transmitir: eternidade, solenidade, majestade, mãe e filho apresentam uma grande severidade.

Esculturas da Catedral de Estrasburgo
ESCULTURA GÓTICA
Proporcionalidade, gestos humanizados, expressividade no rosto, minúcia no tratamento das mãos e do corpo. Maior realismo no tratamento da figura humana,
Pregueados naturais na roupa, influenciados pelo classicismo.
Mensagem a transmitir: serenidade e graciosidade. A mãe é retratada de forma real, como uma mulher. Perfeição espiritual.
As cenas mais vulgares são Bíblicas: Cristo em Majestade, O Último Julgamento, a Vida da Virgem e o Nascimento de Cristo, ou sobre a vida de santos (hagiografias).
Todas as esculturas mesmo as das fachadas eram coloridas.
As fachadas e os portais são o espaço preferencial onde estas esculturas são colocadas.
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Além das pestes, das fomes e das guerras, a falta de condições de higiene e de qualidade de vida eram as causas de uma elevada taxa de mortalidade, que atingia sobretudo os recém-nascidos e as crianças. Quando no século XIV, surgir a Peste Negra, as condições gerais de vida ir-se-ão agravar ainda mais, 1/3 da população europeia desaparecerá.
Por esse motivo, a morte esteve sempre presente ao longo de toda a Idade Média, constituindo uma temática (escultura tumular) característica deste período.
Outra temática foi o macabro, herdada do Românico, as gárgulas são disso um exemplo. Esta temática foi transmitida pelo imaginário popular e místico.