O ABSTRACCIONISMO | M9









A arte abstracta nasceu na Europa em 1910, a partir da experiência pessoal de Kandinsky.
É considerada a expressão mais pura da criação artística, pois está liberta de programas ideológicos ou culturais.
Nela, o artista não necessitou de recorrer ao mundo visível, pois não retrata o concreto, pelo contrário, apresenta uma sucessão de formas e de cores que em nada reproduzem a realidade.
O abstraccionismo representa o ponto de chegada das várias correntes de Vanguarda, iniciadas com o fauvismo.

MANIFESTO DADAÍSTA DE TRISTAN TZARA | M9


“Dada não fala, Dada não tem ideias fixas, Dada não apanha-moscas (…)
Dada faz mais vítimas num ano que a mais sangrenta das batalhas.
Dada existiu sempre. A Santa Virgem já era dadaísta.”
Dada nunca tem razão.”
Os verdadeiros Dada são contra Dada.”
MANIFESTO FUTURISTA
Em 1909, enquanto o cubismo se desenvolvia em França, o poeta italiano Filippo Marinetti proclamava a partir de Milão, o nascimento de uma nova estética: o futurismo.
O Manifesto de Marinetti, verdadeiro hino à vida moderna, rejeita o passado (passadismo) e glorifica o futuro (daí a denominação de futurismo) que antevê prodigioso graças ao regresso da técnica. A máquina, conquista e emblema do mundo moderno, assume o lugar central de ídolo dos futuristas e, com ela, a velocidade, a que devotam um verdadeiro culto. Nas suas palavras podiam ler o seguinte:
Nós queremos cantar o amor, o perigo, o hábito da energia e da temeridade, (…).
Nós afirmamos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova – a beleza da velocidade. Um automóvel, com o seu corpo ornado de tubos semelhantes a serpentes explosivas, um automóvel rugindo, que parece correr sobre a estrada, é mais belo que a Vitória de Samotrácia. (estátua grega da Antiguidade Clássica) (…).
Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda a natureza e combater o moralismo; o feminismo e toda a vileza oportunista e utilitária.
Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as vagas multicolores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; (…) cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas lutas eléctricas; (…) as fábricas penduradas nas nuvens pelos fios contorcidos de fumo; as pontes semelhantes a ginastas gigantes
que cavalgam os rios(…) as locomotivas de largo peito (…) o voo rasante dos aviões cuja hélice freme ao vento, como uma bandeira, e parece aplaudir como uma multidão entusiasta.
Filippo Tommaso Marinetti, Manifesto do Futurismo, 1909

O PENSAMENTO ARTÍSTICO DE MATISSE | M9


O pintor já não precisa de preocupar-se com pormenores insignificantes, para isso lá está a fotografia, que é melhor e mais rápida. Aqui estão ideias originais: construir com superfícies de cor, procurar mais intensos efeitos de cor, o assunto é indiferente. A luz não é suprimida, pelo contrário, encontra-se na harmonia de luminosas superfícies coloridas. (…) Pode chegar-se a efeitos surpreendentes por meio das cores, fazendo o uso do seu parentesco e contraste. (…) O meu sonho é uma arte plena de equilíbrio, de pureza, de serenidade, sem aspectos inquietantes que exijam a atenção: uma arte que seja um lenitivo para todo aquele que trabalha com o espírito, como para o artista, um tranquilizante espiritual que apazigúe a sua alma, que signifique para ele um descanso das canseiras do dia e do seu trabalho.
Matisse, Notas de Um Pintor, em La Grande Revue, Paris, 1908

AS ARTES DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX: CRIAR É PROVOCAR | M9

Nas primeiras décadas do século XX, uma autêntica explosão de experiências inovadoras convulsiona as artes. Continuando o percurso aberto na centúria anterior, artistas e escritores derrubam, uma após outra, as convenções académicas, criando uma estética inteiramente nova.
Este movimento cultural, conhecido como modernismo, por ter revolucionado as artes plásticas, a arquitectura, a literatura e a música, estendendo-se também às restantes manifestações culturais, reivindicou a liberdade de criação estética ao repudiar todos os constrangimentos, em especial os preceitos académicos.
O modernismo irradiou de Paris que era, então, o centro artístico da Europa. Nessa altura, quem quisesse conhecer o que mais ousado se fazia no campo das artes rumava à capital francesa para frequentar os ateliers e as suas boémias. A cidade era, pois, o cerne da vanguarda cultural europeia, recusando os cânones estabelecidos e antecipando tendências posteriores. Toda a cidade estava cheia de entusiasmo e plena de talentos.
Agrupados de acordo com os seus interesses, artistas e homens de letras partilhavam ideias e experiências criando, em conjunto, as numerosas correntes estéticas que revolucionaram a cultura do século XX, marcada por uma série de intuitos. Estes intuitos derivaram do dinamismo e euforia artísticos que então se viviam, manifestos num activo comércio de arte, criação de galerias, exposições e multiplicação das revistas da especialidade, ascensão dos críticos de arte, mas são, sobretudo, uma reacção às novas condições de vida do século XX: industrialização e urbanismo, desenraizamento apressado das populações, desenvolvimento técnico e tecnológico, avanço das comunicações e da publicidade, etc.
Se a arte da primeira década do nosso século tem uma orientação genericamente “modernista”, na medida em que visa reflectir e exaltar a nova concepção do trabalho e do progresso, a partir de 1910 afirmam-se em vários países europeus em vias de industrialização, movimentos ditos de vanguarda que querem fazer da arte um incentivo à transformação radical da cultura e do costume social: a arte de vanguarda propõe-se antecipar, com a transformação das próprias estruturas, a transformação social. Mais precisamente, propõe-se adequar a sensibilidade da sociedade ao ritmo do trabalho industrial, ensinando-lhe a discernir o lado estético ou criativo da dita “civilização das máquinas”.
Ana Lídia Pinto, História da Cultura e das Artes, Porto, Porto Editora, 2007
Maria Antónia Monterroso Rosas, O Tempo da História, Porto, Porto Editora, 2005
Guilio Carlo Argan, Arte e Crítica de Arte, Lisboa, Ed. Estampa.

EXPRESSIONISMO 2 | M9


2 Der Blaue Reiter (o Cavaleiro Azul)

Em Munique na Alemanha, surgiu em 1910, um outro movimento expressionista – O Cavaleiro Azul – fundado pelo artista russo Wassily Kandinsky-1866-1944 e composto pela Associação dos Artistas de Munique criada por Kandinsky, por Paul Klee, Franz Marc e Auguste Macke.
Criam unir os artistas dentro da Vanguarda da arte europeia, ultrapassando barreiras ideológicas, culturais.
As temáticas do grupo vão para temáticas naturalista, de sentido irreal e alegórico, como paisagens, cenas sociais e da vida animal. A execução é pensada e reflectida, aliada a uma simplificação dos meios utilizados.
Na construção das formas valorizam a mancha cromática, a utilização de cores claras lírica e complementares…opostas. As composições são orientadas por linhas circulares.
A expressividade incide no lirismo, na emotividade, na tranquilidade e na paz, explorando o sentido mágico e místico dos conteúdos.
Estas características revelam algumas influências de Cezanne no tratamento do espaço, e a de Matisse pelo tratamento arbitrário de cor.
Wasslily Kandinsky, o líder do grupo, este profundamente empenhado na renovação da linguagem plástica. Nessa renovação ele diz que não interessa a forma, mas o conteúdo, o tom interior. As suas pesquisas levá-lo-ão à descoberta da Arte Abstracta.
Este movimento dispersou com o início da 1ª Guerra Mundial. Apesar disso a sua arte vai continuar, sob novas formas, após 1918, nomeadamente através da escola de Artes da Bauhaus, onde Kandinsky e Klee foram professores

Dadaismo ou Movimento Dada | M9

O Dadaísmo é caracterizado pela oposição a qualquer tipo de equilíbrio, pela combinação do pessimismo irónico e ingenuidade radical, pelo cepticismo absoluto e improvisação. Enfatizou o ilógico e o absurdo. Apesar da aparente falta de sentido, o movimento protestava contra a loucura da guerra. Assim, sua principal estratégia era mesmo denunciar e escandalizar. O início do movimento não envolveu uma estética específica mas as formas principais da expressão Dada tenham sido o poema.A sua tendência extravagante é baseada no acaso e serviu de base para o início de inúmeros movimentos artísticos do século XX, entre eles o Surrealismo, a Arte Conceitual, a Pop Art e o Expressionismo Abstracto. O Dadaísmo abrange áreas das artes plásticas, da fotografia, da música e do teatro. Surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Aponta-se o ano de 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, mas na verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento.O movimento Dada (e os seus fundadores recusam o termo Dadaísmo já que o ismo aponta para um movimento organizado que não é o seu). O Dadaísmo surge durante e como reacção à I Guerra Mundial. Os seus alicerces são os da repugnância por uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e decadentes. Este desespero faz com que o grande objectivo dos dadaístas seja fazer tábua rasa de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa, substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que empurrou o homem para a guerra. Os próprios dadaístas têm consciência que são demasiado anarcas para aderir a um partido político e que a responsabilidade pública que daí adivinha era inconciliável com o espírito dadaísta. Colónia e Hanôver são menos significativos, sendo no entanto de salientar o desenvolvimento da técnica da colagem no primeiro e a inovadora utilização de materiais casuais e subalternos, como jornais e bilhetes de autocarro, na pintura do segundo. No primeiro manifesto, por ele próprio intitulado dadaísta, Tristan Tzara afirma, que “Ser contra este manifesto significa ser dadaísta!” o que confirma a inexistência de cânones e regras neste movimento. Tentam mesmo dissuadir os críticos de o definir: Jean Arp, artista plástico francês ligado ao movimento de Zurique, ridiculariza a metodologia e crítica escrevendo, que não era, nem nunca seria credível qualquer história deste movimento já que, para ele não eram importantes as datas, mas sim o espírito que já existia antes do próprio nome.
O fim do Dada como actividade de grupo ocorreu por volta de 1921.
A expansão do Dadaísmo
Embora se tenha espalhado por quase toda a Europa, o movimento Dada tem os núcleos mais importantes em Zurique, Berlim, Colónia e Hanôver. Todos eles defendem a abolição dos critérios estéticos, a destruição da cultura burguesa e da subjectividade expressionista reconhecendo, como caminhos a seguir, a dessacralização da arte e a necessidade do artista ser uma criatura do seu tempo, no entanto, há uma evolução diferenciada nestes quatro núcleos. O núcleo de Zurique, o mais importante durante a guerra, é muito experimentalista e provocatório, embora mais ou menos restrito ao círculo do Cabaret Voltaire. É aqui que surgem duas das mais importantes inovações dadaístas: o poema simultâneo e o poema fonético.
O poema simultâneo consiste na recitação simultânea do mesmo poema em várias línguas.
O poema fonético, desenvolvido por Ball, é composto unicamente por sons, com predominância de sons vocálicos.
Frases sobre o Dadaísmo
Há quem diga que o Dadaísmo é contrário a qualquer tipo de equilíbrio em arte seja em pinturas, esculturas, poesias, fotografia e cinema. Um grupo de artistas frustrados com a religião, ciência e filosofia na actual época da Primeira Guerra Mundial pregavam a arte livre de qualquer estilo ou amarra racional, a arte sem rédeas. Criar com o automatismo psíquico usando elementos distintos, mas sempre fugindo de regras impostas pela arte. Fortaleciam a busca e destruição da arte académica. Foram importantes para movimentos futuros como Surrealismo, Pop Art, Arte Conceitual e o Expressionismo Abstracto. Apesar de tudo o que pregavam, deixaram fortes influências para todos nós. Foi fundado um movimento literário para expressar as suas decepções em relação a incapacidade da ciência, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos. Politicamente, afirma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra.
Ready-Made significa confeccionado, pronto. Expressão criada em 1913 pelo artista francês Marcel Duchamp para designar qualquer objecto manufacturado de consumo popular, tratado como objecto de arte por opção do artista.
Dadaístas
São conscientemente subversivos: ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a divergir. Desde o início que é destrutivo e construtivo, frívolo e sério, artístico e anti-artístico. Estes autores destacam-se da sociedade em que estão inseridos pela revolta, pelos valores expressos nas suas obras, pelas convicções que defendem e pelas contradições que apresentam, muitas vezes exemplo da vitalidade e humor dos criadores.
Curiosidade do Nome Dada
O seu nome é disso mesmo um exemplo: Dada, que o romeno Tzara diz ter encontrado ao acaso num dicionário, ainda segundo o mesmo Tzara, não significa nada, mas ao não significar nada, significa tudo. Este tipo de posições paradoxais e contraditórias são outra das características deste movimento que reclama não ter história, tradição ou método. A sua única lei é uma espécie de anarquia sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão. Cada um dos seus gestos é um acto de polémica, de ironia mordaz, de inconformismo.É necessário ofender e subverter a sociedade.
Exemplo do Dadaísmo
Essa subversão tem dois meios: o primeiro os próprios textos, que embora sejam concebidos como forma de intervenção directa, são publicados nas numerosas revistas do movimento como Der Dada, Die Pleite, Der Gegner ou Der blutige Ernst, entre muitas outras. O segundo, Cabaret Voltaire, em Zurique, cujas sessões são consideradas escandalosas pela sociedade da época verificava insultos frequentes, agressões e intervenções policiais. O poeta romeno Tristan Tzara, um dos principais representantes do movimento, dá uma receita, em seu último manifesto, para fazer um poema dadaísta:
Pegue um jornal.Pegue a tesoura.Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.Recorte o artigo.Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.Agite suavemente.Tire em seguida cada pedaço, um após o outro.Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.O poema se parecerá com você.E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Artistas do Dadaísmo:Este movimento teve muitos artistas, sendo estes os principais:
Marcel Duchamp (1887-1968)
Pintor e escultor francês, a sua arte abriu caminho para movimentos como a pop das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo à sua maneira, interessando-se pelo movimento das forma. O experimentalismo e a provocação conduziram-no a ideias radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Criou os ready-mades, objectos escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção, receberem um título, adquiriam a condição de objecto de arte. Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de "Fonte". Depois fez interferências (pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar o seu desprezo pela arte tradicional), inventou mecanismos ópticos.

Edvard Munch | M9

Edvard Munch estudou na Escola de Artes e Ofícios de Oslo, adquirindo influências de Courbet e Manet. Ideologicamente falando, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marca o início da sua carreira. A arte era vista nesse tempo como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Assim, os temas sociais estavam invariavelmente presentes em O Dia Seguinte e Puberdade de 1886. A Rapariga doente (Das Kränke Mädchen - 1885) inaugura uma temática que ganharia muita força no seu trilho artístico. Edvard Munch fez inúmeras versões deste último trabalho e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância, assumem um significado mais vasto, significado esse que se metamorfoseia em imagens que ilustram a fragilidade e a fugacidade da vida, (refira-se que a sua mãe falecera quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha aos 15 anos, a irmã mais nova era vitima de uma doença mental e uma outra irmã morrera meses depois de casar, o próprio Edvard Munch, estava sistematicamente doente, estes dissabores atribuíram-lhe uma visão bastante singular do que é a vida). O seu estilo altera-se bastante, quando descobre em Paris a obra de Van Gogh e Gauguin. Em 1892, recebe um convite para uma exposição em Berlim, que se converte num momento crucial da sua carreira e da história da arte germânica. Estreia um projecto que apelida de O Friso da Vida. Aos 30 anos Edvard Munch pinta O Grito, que se transformou na sua obra máxima. O quadro retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor nas amizades. Em 1896, em Paris, ganha interesse pela gravura, trazendo inovações a esta técnica. As suas obras neste período declaram uma segurança notável. Em 1914 inicia a realização de um projecto de decoração para a Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples, com fundamentos baseados na tradição popular. As últimas obras de Edvard Munch são um sumário da sua preocupação existencial: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de 1940. Toda a obra está embutida de obsessões pessoais: a morte, a solidão, a melancolia e o pânico da força da natureza.
O grito
Esta obra é inspirada nos traumas de Munch, reflectindo a perturbação incutida por desilusões amorosas e de amizades, mas principalmente pela sua amargada infância marcada pelas mortes de sua mãe e irmã, bem como o facto de ter cortado relações com o seu pai. Para complementar o quadro de sofrimento de sua vida, outra irmã sua é diagnosticada com Doença Bipolar e consequentemente internada num Hospital psiquiátrico. A frase que Edvard Munch utiliza para descrever o quadro, serve de ilustração do em cima referido: “Caminhava eu com dois amigos pela estrada, então o sol pôs-se; de repente, o céu tornou-se vermelho como o sangue. Parei, apoiei-me no muro, inexplicavelmente cansado. Línguas de fogo e sangue estendiam-se sobre o fiorde preto azulado. Os meus amigos continuaram a andar, enquanto eu ficava para trás tremendo de medo e senti o grito enorme, infinito, da natureza.”
Madonna
O título sugere uma imagem de Maria, a mãe de Jesus, embora seja altamente fora do comum, visto que até à data tinha sido sempre representada com muito pudor e como uma mulher madura. A figura nesta obra ostenta ser jovem, talvez até adolescente, e é convertida numa figura sensual. Ela estende seus braços por trás de si própria, chamando a atenção do espectador para o seu corpo. Contudo, mesmo nesta invulgar pose, ela incorpora alguns dos elementos-chave das canónicas representações da Virgem, ela ostenta imperturbabilidade e confiança, bem como uma perceptível tranquilidade. Seus olhos estão cerrados, manifestando modéstia.
Entre O Relógio e a Cama
Esta pintura exprime uma total despreocupação para com a vida. A obra representa um auto retracto do autor, que não só representa a sua figura humana bem como os objectos que o rodeiam. O facto de Munch estar entre o relógio e a cama, indica que ele não mais se preocupa com o tempo, impávido e sereno espera a hora da sua morte.
A Puberdade
Uma adolescente está sentada no centro de uma cama, olhando fixamente o espectador. Ostenta uma expressão séria, tensa e ansiosa. Encontra-se de pernas juntas, fortemente pressionadas, mantendo as mãos cruzadas sobre o nu de seu corpo claramente transparecendo virgindade, pureza. Por detrás de si a adolescente tem uma sombra fria.O significado desta obra, encontra-se no normal crescimento e num despertar para o interesse sexual, apontando os perigos directamente ligados ao mesmo.

Wassily Kandinsky | M9

Wassily Kandinsky, nasceu em Moscovo no ano de 1866 no dia 16 de Dezembro. Era de nacionalidade russa, mas mais tarde viria a adquirir nacionalidade francesa. Foi essencialmente artista, principalmente de pintura e introduziu o movimento artístico da “pintura abstracta”. Inovou as artes plásticas, influenciando muitas outras, e quebrou a ideia de tudo o que era conhecido até à altura com os seus ideais. Para além de pintor foi também professor de artes visuais. Kandinsky faleceu em Neuilly-sur-Seine, França, no ano de 1944 a 13 de Dezembro, devido a uma
arteriosclerose, não chegando a fazer os seus 79 anos.
Vida de Kandinsky
A maioria da sua infância foi passada em Odessa, onde estudou direito e economia na universidade de Moscovo. Apesar de aos 26 anos obter o diploma de direito, Kandinsky desistiu de seguir esta carreira, voltando-se para a arte. Casou-se com a sua prima Anja Tchimikian, em 1982. Mudaram-se ambos em 1896 para Munique, onde Kandinsky iniciou os seus estudos em pintura na escola “Anton Ažbè”. Ele não ficou satisfeito com esta escola pois preferia pintar paisagens coloridas ao ar livre em vez de modelos "malcheirosos, apáticos, inexpressivos, geralmente destituídos de carácter” como descrevera ele próprio. Dois anos após se mudar para Munique, tem uma tentativa falhada de se inscrever num curso ministrado por Franz von Stuck. No ano seguinte à sua primeira inscrição ele tenta novamente, tendo finalmente o sucesso pretendido. Frequentou o curso até 1900. Em Maio do ano seguinte, Kandinsky co-fundou uma sociedade artística ‘Phalsanx’, tornando-se mais tarde professor da escola fundada através dessa sociedade. Kandinsky separou-se de Anja em 1903 e juntou-se com uma aluna sua, Gabriele Munter, que foi sua companheira até 1914. Nessa mesma década, ele desenvolve os primeiros estudos não figurativos, sendo considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstracta. Com o período da primeira guerra mundial, Kandinsky é obrigado a sair da Alemanha, mudando-se para a Suiça, a 3 de Agosto de 1914, esperando o final do conflito. Como estava demorado, ele retorna para a Rússia, separando-se de Anja no mesmo ano a 16 de Novembro. Em 1916, ele parte para Estocolmo, na Suécia para estar presente numa exposição. Conhece aquela que seria a sua terceira companheira, Nina de Andreewsky. De volta à Rússia, por estar interessado nos rumos do país, mas fica descontente com as teorias da arte que estavam presentes no país e acaba por retornar á Alemanha, em 1921. Tornou-se professor na Bauhaus até 1933. Esta escola que tinha como objectivo unir as artes plásticas com as artes aplicadas, ele assumiu a cadeira de “Pintura Mural”, onde retomou os programas e os métodos de ensino que tinha experimentado no “Instituto de Cultura Artística”. A escola é fechada pelo governo nazi, e Kandinsky muda-se para Paris, onde viverá até ao final da sua vida. Desenvolveu a arte abstracta com os companheiros Piet Mondrian e Kasimir Malevich. Formaram um “trio sagrado” da abstracção, tornando-se o mais conhecido. O fascínio pelo simbolismo e psicologia da cor acompanharam-no durante o seu crescimento, apesar de parecer nunca ter estudado arte.Em paris, ele viveu bastante isolado, porque a pintura abstracta não foi reconhecida, pois os movimentos mais admirados eram o Impressionismo e o Cubismo. Kandinsky criou um estúdio no seu pequeno apartamento, onde realizou a maioria dos seus trabalhos. Em 1936 e 1939 ele pinta as suas duas últimas composições.
As obras de Kandinsky
A criação de Kandinsky de trabalhos puramente abstractos seguiu um longo período de desenvolvimento e amadurecimento do pensamento teórico, baseado nas suas experiências pessoais artísticas. A isso ele chamou de beleza interior, fervor de espírito e uma necessidade funda de desejo espiritual, que foi o aspecto principal da sua arte. Ele adquiriu vários conhecimentos através de diversos recursos que se deparou ao longo da sua juventude em Moscovo. Os verões de Kandinsky em Murnau, influenciaram algumas das suas obras, como "Murnau - Jardim I" (1910) e "Grüngasse em Murnau" (1909), podendo-se notar um crescente abstraccionismo nas suas paisagens.
Outra das influências nas suas pinturas foi a música do compositor Arnold Schönberg, com quem Kandinsky manteve correspondência entre 1911 e 1914. Foi igualmente influenciado pela ópera de Richard Wagner com a qual ele sentiu que quebrou os limites da música e da melodia além do lirismo tradicional, e também por Helena Petrovna Blavatsky, o mais importante exponente da teosofia nos tempos modernos. A teoria teosófica solicitou que a criação é uma proporção geométrica, começando num único ponto. O aspecto criativo das formas é expressado por uma série descendente de círculos, triângulos e quadrados. Os livros de Kandinsky ecoam estes princípios básicos teosóficos. Nos seus trabalhos algumas características são obvias, alguns toques são mais discretos, o que servia para dizer que eles só se revelavam progressivamente àqueles que fazem um esforço para aprofundar a sua conexão com o seu trabalho. Pretendeu que as suas formas fossem subtilmente harmonizadas e colocadas, para ter contacto com a própria alma do observador. As formas biomórficas com flexibilidade e contornos não geométricos aparecem nas suas pinturas. Formas essas que sugerem organismos microscópicos mas que expressam sempre a vida interior do artista. Usava cores puras nas suas composições que evocavam a arte popular de Slavonic e que era similar a preciosos trabalhos de marca-de-água. Por vezes aplicava areia nas telas para dar uma textura de granulado aos quadros. Em “Looks on the Past” ele relata que as casas e as igrejas eram decoradas com cores tão brilhantes que, uma vez lá dentro, teve a impressão de se estar a mover dentro de uma tela pintada. A experiência e o seu estudo sobre a arte do povo na região, em particular o uso de cores brilhantes sobre fundo negro, reflectiu-se nos seus trabalhos mais recentes. Mais tarde, ele relacionou o acto de pintar para criar música na maneira que mais tarde viesse a ser mais reconhecido. Escreveu “As cores são a chave, os olhos o machado, a alma é o piano com as corda”. Em 1936 e 1939 ele pinta as suas duas últimas telas. Uma delas é “Composição IX” é uma pintura com umas diagonais poderosas de alto contraste e cuja forma central da a impressão de um embrião humano no ventre. Os pequenos quadrados de cores e as faixas coloridas parecem projectar contra o fundo preto da Composição X, como fragmentos de estrelas ou filamentos, enquanto hieróglifos com tons de pastel cobrem o grande plano castanho, que parece flutuar no canto esquerdo superior da lona. As pinturas de Kandinsky do período em que fez parte do grupo Der Blaue Reiter ("O cavaleiro Azul") (1911-1914), foram compostas por massas coloridas largas e bastante expressivas, avaliadas independentemente a partir de formas e linhas que já não serviam para delimitá-las. Estas eram sobrepostas numa forma livre para formar pinturas duma força extraordinária. A influência da música foi bastante importante no nascimento da arte abstracta, como sendo abstracta por natureza, este não tenta representar o mundo exterior mas antes para expressar, numa maneira imediata, os sentimentos interiores da alma humana. Kandinsky às vezes usava termos musicais para designar o seu trabalho; ele chamou a muitas das suas pinturas espontâneas “Improvisações”, e “Composições” a outras muito mais elaboradas e trabalhadas em comprimento, um termo que ressoou nele como um orador. Além da pintura ele desenvolveu a sua opinião como um teórico da arte. Ao mesmo tempo que escrevia “Do espiritual na Arte”, Kandinsky escreveu o Almanaque do Cavaleiro Azul, que serviram tanto como defesa e promoção da arte abstracta, assim como uma prova de que todas as formas de arte eram igualmente capazes de alcançar o nível da espiritualidade. Ele acreditava que a cor podia ser usada numa pintura como uma coisa autónoma e distânciada de uma descrição visual de um objecto ou de uma qualquer forma.

Jackson Pollock | M9

Pintor americano, expoente máximo do expressionismo abstracto: “ Quero expressar os meus sentimentos mais do que ilustra-los…” Foi considerado um dos mais importantes personagens da pintura pós-guerra em todo o mundo. Iniciou o estudo da pintura no Art Students League em New York sob o apoio do pintor Thomas Hartbentoen. Foi de inicio e na década de 1930( e como a grande maioria dos pintores em principio de actividades) Interprete do figurativo mas posteriormente do surrealismo.Teve grande influencia de pintores muralistas mexicanos (Rivera e Orozco). De 1938 a 1942 trabalhou para o projecto de arte federal. Foi a partir de 1947 que Pollock iniciou a sua acção influenciada pelo movimento surrealista do automatismo psíquico( expressão directa do inconsciente). Foi também influenciado pelo cubismo do Picasso e do pos cubismo de Miró com toques de kadinsky. Aventurou-se a partir de então num estilo completamente abstracto, utilizando materiais inovadores :mistura de areia ,vidros quebrados, pedaços de madeira que eram manipulados utilizando latas de tinta furadas e derramada sobre telas imensas no chão por onde se passeava , provavelmente com uma entrega total em relação á sua obra .“No chão estou mais `a vontade, sinto -me mais próximo da minha pintura”( E de facto estava em cima e por dentro da sua pintura)


Number 8, 1949
  Neuberger Museum, State University of New York

Foi sugerido que Pollock teria também sido influenciado pelo índio americano (mistura de areia fina) Mas mais importante do que falar da obra, influencia e datas parece- me mais interessante tentar perceber quem e o que originou esta obra tão complexa e controversa q arrastou tanta polémica em seu redor. Adolescente com problemas escolares , desde cedo, se envolveu de uma forma doente como o álcool e dele nunca se conseguiu livrar. Foi desde cedo acompanhado psiquiatricamente com frequência. De uma família pobre, era o mais novo de 5 irmãos todos pintores. Há referencias que a relação com a mãe era uma relação neurótica. Jackson pollock era um homem angustiado e atormentado com uma personalidade inquieta e psiquiatricamente desequilibrado, tento tido uma vida tumultuosa. Era alcoólico, (provavelmente compulsivo) e o facto de ter falecido precocemente ( em acidente de viação como condutor) também contribuiu para o endeusamento e a criação de um mito. Na Década de 40 conheceu Lee Krasner ,pintora abstracta talentosa com quem se casou e que o apresentou ao mundo da pintura ,finanças e artístico. Foi um grande apoio para Pollock tendo esta abandonado a carreira para apoiar o marido com a intenção de tentar resolver a sua grande dependência com o álcool, tendo curiosamente conseguido a abstinência durante 3 anos de onde resultaram as suas melhores obras. As recaídas eram sucessivas com atitudes agressivas e brutais e Lee Krasner não aguentou tendo -se separado. Pollock nunca aceitou o divorcio da mulher, tendo iniciado relação com uma jovem muito bonita, embora com agravamento da sua depressão latente, esteve também casado com Peggy Guggenheim tendo alguns dos seus quadros na sua fundação em Veneza. Pollock dizia que na sua pintura embora o parecesse não havia acasos .Dizia também que pintava paisagens, as suas paisagens interiores: ” Eu sou a natureza”

O Cubismo e Pablo Picasso | M9


O Cubismo
É um movimento artístico, que decorreu entre 1907 a 1914.
Os principais criadores deste movimento foram Pablo Picasso e Georges Braque.
O cubismo retrata as figuras da natureza por figuras geométricas, algumas figuras não se percebem, devido à sua forma geométrica.
Teve influências sobre as tendências posteriores, como o abstraccionismo geométrico e o minimalismo.
Cubismo, a sua origem
A origem do cubismo foi através de uma obra de Cézanne, porque para ele a pintura devia ter formas da natureza, mas geometricamente.
Entretanto surgiram novos cubistas que utilizavam o cubismo para objectos, mas no mesmo plano. E por fim na última fase do cubismo, representava-se os objectos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas rectas, em que não representa mas surge a estrutura dos corpos ou objectos.
Características do cubismo
Geometria das formas e dos volumes. Renúncia à perspectiva. Deixa de existir o claro – escuro nas obras e começa a haver um volume colorido sobre as superfícies planas. Sensação de pintura e de escultura.
As duas fases do cubismo
Cubismo analítico - Surgiu em 1909, esta fase era caracterizada pela má estrutura da obra em todos os seus elementos. O artista procurava a visão total da figura e examinava todos os ângulos. Os tons das cores reduziram-se para os tons castanhos, cinza e bege.
Cubismo Sintético – Surgiu em 1911, reagiu ao excesso de fragmentação dos objectos e à destruição da sua estrutura. Esta tendência tornou as figuras novamente reconhecíveis que também foram chamadas de Colagem, porque introduzia letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e objectos inteiros nas pinturas. Esta inovação pode ser justificada pelos artistas, em que a sua intenção é criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações tácteis.
Geometria das figuras
A geometria das figuras é definida como uma arte intuitiva e abstracta. Baseia-se essencialmente na luz e na sombra. Rompe com o conceito de arte como a imitação da natureza, com as noções da pintura tradicional, como a perspectiva.
Cubismo na Escultura
A escultura cubista, desenvolveu-se separadamente da pintura, apesar do intercâmbio inicial de ideias. Entre os escultores, Duchamp-Villon é considerado um dos primeiros escultores cubistas e realizou uma tentativa de concentração da escultura cubista, relacionando-a à arquitectura. A peça em bronze "O Cavalo", com seu efeito dinâmico, é um bom exemplo de sua obra.
Primeira guerra mundial e o cubismo
O fim do movimento cubista deveu-se à Primeira guerra mundial, em Agosto de 1914. Os artistas deixaram a arte para combater na guerra, em que o movimento cubista acabou por se extinguir. No entanto, o estilo permaneceu vivo nas obras de outros pintores, exercendo forte influência sobre a arte moderna como um todo. Pelas características abstractas, foi bastante adaptável e inspirando movimentos como o futurismo, o orfismo, o purismo e o vorticismo.
Pablo Picasso
Picasso nasceu em Espanha, o seu nome completo é Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz y Picasso, este era filho de María Picasso López e de José Ruiz Blasco. O pai de Picasso era pintor e professor de desenho. Durante a sua infância os seus desenhos baseavam-se em touradas. Picasso com 15 anos já tinha um atelier. Em 1900, foi para Paris. Em 1901, um amigo de Picasso fundou uma revista em Madrid e este ilustrou-a. Desde 1901 a 1905, Picasso pintou a pobreza, a cegueira, a alienação e o desespero, isto retratava o Período Azul, as cores eram baseadas nos azuis e verdes. Quando Picasso se apaixonou por Fernande Olivier, o período azul tornou-se cor de rosa, esta fase retratava o circo, dançarinos e as cores eram baseadas no rosa e no vermelho, esta fase durou desde 1905 a 1907. Em 1907 a 1909, Picasso começou a ter influências de Protucubismo, em que a sua inspiração era relacionada com África e o cubismo. Em 1909 a 1912, Picasso dedicou-se ao Cubismo Analítico. Em 1912 a 1919, Picasso dedicou-se ao Cubismo Sintético e fez uma colagem, ou seja, colou na tela pedaços de jornais, tecidos e embalagens de cigarros. Em 1918, Picasso casa-se com uma bailarina, quando esta engravidou, Picasso criou várias pinturas de mães com filhos. Após a 2º Guerra mundial, Picasso começou a dedicar-se à escultura, gravação e cerâmica, isto é, Classicismo e Surrealismo. Em 1943, juntou-se com uma pintora e teve dois filhos desta. Em 1968, Picasso com 87 anos produziu durante sete meses 347 gravuras. Picasso com 90 anos, após uma operação à próstata e à vesícula, este tem pouco tempo de vida, mas assiste à exposição dos seus quadros no Museu do Louvre. Em 1973, Picasso morre com 91 anos.

Henry Matisse | M9

Enri Matisse. O Retrato da risca verde, 1905, óleo sobre tele, 40,5x32,5 cm
Henry Matisse foi um pintor, desenhista e escultor francês do Fauvismo, um movimento artístico nascido em Paris por volta de 1905. Nasceu em Le Cateau-Cambrésis, na Nord-Pas-de-Calais, França, a 31 de Dezembro de 1869. Matisse mudou-se para Paris em 1891 e estudou na École des Arts Décoratifs e no ateliê de Gustave Moreau. No período entre 1900 e 1905 participou no Salão dos Independentes e no Salão de Outono. Causou sensação ao incluir-se, com Albert Marquet e André Derain, entre os primeiros fauvistas.A arte de Matisse conheceu depois uma grande divulgação. Fundou uma academia frequentada por alunos do mundo inteiro.Em 1909 abriu uma exposição sua em Moscovo e, em 1910, uma retrospectiva em Paris. As viagens que fez a Marrocos e a Tânger, entre 1910 e 1912, influenciaram a sua obra. Em 1913 expôs no Armony Show, em Nova York, e em 1920 colaborou com a companhia russa de bale de Diaghilev. Na sua primeira fase, Matisse mostrava-se descendente directo de Cézanne, em busca do equilíbrio das massas, mas devido a outras influências, como as de Gauguin, Van Gogh e Signac, levaram-no a tratar a cor como elemento de composição.
Em 1904-1905, “Luxo, calma e volúpia” ainda revelava a influência dos pós-impressionistas, mas já demonstrava grande simplificação da cor, do traço e dos volumes. Em 1908, a euforia decorativa de “O aparador, harmonia vermelha” atestava que Matisse já tinha estilo próprio. Dos pintores Fauvistas, que exploraram o sensualismo das cores fortes, Matisse foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composições planas, sem profundidade. Ao explorar ora o ritmo das curvas, como em “A música” (1909) e “A dança” (1933), ora o contraste entre linhas e chapadas, como em “Grande natureza morta com beringelas” (1911-1912), Matisse procurou uma composição livre, sem outra ligação que não o senso de harmonia plástica. A sua cor não se dissolvia em matrizes, mas era delimitada pelo traço.
Já liberto do Fauvismo, o pintor mostrou, às vezes, tendência em reduzir as linhas à essência, como em “A lição de piano” (1916), mas não se interessou pela pura abstracção. O amor pela exuberância decorativa aparece em “Blusa romena” e na série “Odaliscas”, de 1918. Na sua fase final, Matisse voltou-se para a esquematização das figuras, de que são exemplo a decoração mural “A dança”, para a Barnes Foundation, em Merion, nos Estados Unidos, e os papiers collés ou gouaches découpées (técnica que chamou de “desenho com tesoura”) que ilustram Jazz (1947), livro com as suas impressões sobre a arte e a vida. Matisse foi também escritor e ilustrador. Em 1944, como desenhista, ilustrou Fleurs du Mal (Flores do Mal), de Baudelaire, e, como litógrafo, as Lettres Portugaises (Cartas Portuguesas) em 1946, atribuídas a soror Mariana Alcoforado, e Les Amours, de Pierre Ronsand.

Entre 1948 e 1951 dedicou-se à concepção arquitectónica e à decoração interior da capela do Rosário em Saint-Paul, perto de Vence, no sul de França. O autor considerava essa a sua melhor obra, e nela concebeu todos os seus detalhes, dos vitrais ao mobiliário, voltado para uma concepção mais ascética das formas, embora nos arabescos florais predomine uma linha sinuosa. Matisse, como outros artistas do movimento, rejeitava a luminosidade impressionista, e usava a cor como factor principal da pintura, levando-a as últimas consequências. Argan dizia que a arte de Matisse era feita para decorar a vida dos homens. Foi considerado o artista do século em que viveu. Nas suas pinturas gostava de motivos repetitivos, usava formas curvas.
Henry Matisse morreu em Nice, França, a 3 de Novembro de 1954.
Matisse e o Fauvismo
O Fauvismo (feras selvagens) foi um movimento de curta duração, na passagem do Século XIX para o Século XX e teve como líder incontestável Henry Matisse, contando também com a participação de outros grandes artistas, entre eles, André Derain, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy, Georges Braque, Henri Manguin, Albert Marquet, Jean Puy, Emile Othon Friesz. Partindo do colorido vibrante e agressivo de Van Gogh e Gauguin (pós impressionistas), os fauvistas rejeitaram não só o império da forma, ditado pela academia, como também o conceito de luminosidade dos impressionistas, passando a usar a cor como factor primordial da pintura e levando-a às últimas consequência, resultando daí quadros tão bonitos quanto artificiais. O fauvismo foi perdendo a sua força há medida que os seus precursores amadureceram e evoluíram para outros estilos, entre os muitos que proliferaram na primeira metade do Século XX. Na Europa, Matisse tornou-se o símbolo máximo do fauvismo.

Paul Klee | M9

 



























Paul Klee interessou-se inicialmente por música, mas na adolescência viu crescer sua vocação para as artes plásticas.Estudou na Academia de Belas Artes de Munique e, estabelecendo-se nessa cidade, conheceu Kandinsky e Franz Marc, entre outros artistas de vanguarda.Em 12906, casou-se com a pianista Lili Stumpf, com quem teve um filho, Félix. Nesse mesmo ano, expôs suas gravuras pela primeira vez.Passou a fazer parte, em 12911, do grupo "Der Blaue Reiter" ("o cavaleiro azul"), que reunia artistas expressionistas liderados por Wassily Kandisnky.Klee visitou a Tunísia em 1914, o que proporcionou grande impacto em sua obra. Impressionado com a luminosidade e as cores do país africano, Klee chegou a declarar que "a cor e eu somos um só".Durante a Primeira Guerra Mundial, Paul Klee integrou o exército imperial da Alemanha. Com o fim do conflito, tornou-se professor da famosa escola de arte moderna Bauhaus, instalando-se na cidade de Weimar.Além de possuir uma das mais importantes obras pictóricas da primeira metade do século 20, Paul Klee notabilizou-se por sua reflexão teórica, encontrada em textos como "Sobre a Arte Moderna" e "Confissão Criadora"A partir de 1931, o artista tornou-se professor da Academia de Düsseldorf. Com a ascensão dos nazistas ao poder, a situação de Klee na Alemanha tornou-se difícil, sendo considerado um produtor de "arte degenerada".Em 1933, retornou à Suíça. Dois anos depois, teve diagnosticada uma doença auto-imune e progressiva, a esclerodermia. Paul Klee faleceu em Berna, em 1940.
Klee desenhava constantemente - em geral trabalhos fantásticos e satíricos nas margens de seus livros de exercícios. Em Setembro de 1898, beirando os 19 anos, ele partiu para Munique para estudar arte. Apresentou-se na Academia, mas foi aconselhado a frequentar primeiro uma escola de arte particular. Klee juntou à escola Knirr e produziu vários nus e retratos.Os primeiros passos em direcção ao movimento que mais tarde ficaria conhecido como Expressionismo foram dados nesta época. É notável que as paisagens de Klee mudaram, perdendo sua objectividade e tornando-se mais monumentais e românticas.

No Outono de 1901, Klee foi para a Itália com o escultor Hermann Haller. Viajaram para Génova, Nápoles, Roma e Florença. A viagem foi uma revelação. Naturalmente, Klee explorou os tesouros artísticos da Itália. Ficou impressionado com os mosaicos do começo da arte cristã, com a arquitectura renascentista e os trabalhos de Michelangelo. Também foi fortemente influenciado pelo gótico internacional, como o manifestado por Fra Angelico. Durante esta viagem, além da forte influência visual e estética da pintura italiana, passou por um profunda revisão de todas as suas crenças e teorias sobre arte.Klee não retornou a Munique, mas voltou para Berna. Trabalhou duro para completar seus estudos, o que culminou em uma série de quinze gravuras satíricas a água-forte, altamente detalhadas. De vez em quando ele visitava Munique, e durante uma dessas viagens, em 1904, encontrou os trabalhos de Beardsley, Blake, Goya e Ensor. A influência de Goya, em particular, foi extremamente forte.Em Outubro de 1906, Klee retornou mais uma vez a Munique para se casar com Lily Stumpf. Um filho, Felix, nasceu em Novembro de 1907. Neste estágio, sua carreira, como as de muitos artistas, era uma mistura de "sucessos" e "fracassos". Durante este período, sua fascinação de toda a vida por linha e tonalidade foi consolidada. Isto é particularmente aparente nas 25 ilustrações que ele fez para Candide, de Voltaire, em 1911 e 1912. Neste ínterim, 56 dos seus trabalhos foram expostos no Berne Museum, na Kunsthaus, de Zurique, e em uma galeria em Winterthur. Em 1911, ele conheceu Kandinsky e outros artistas do grupo chamado Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Klee acreditava que eles compartilhavam um impulso profundamente arraigado para transformar a natureza em um equivalente do mundo espiritual e pictórico.Um encontro ainda mais marcante, com Robert Delaunay, aconteceu em Paris, em Abril de 1912. Delaunay dava uma importância igual e independente a cor, luz e movimento em seus trabalhos. Em resumo, Klee, nesta época, estava em contacto com a maioria dos artistas experimentais da Europa Ocidental, muitos dos quais profundamente interessados na questão da cor. Esta preocupação foi fomentada em uma curta viagem à Tunísia em 1914. Cores brilhantes e luz forte cristalizavam as ideias de Klee sobre cor e tonalidades.Depois, a vida foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial, durante a qual Klee serviu como oficial. Nesta época já estava ficando bem conhecido. Em 1919 assinou um contrato com Goltz, o comerciante de arte que actuou como patrono de uma grande exposição dos trabalhos de Klee em 1920.
Em 25 de Novembro de 1920, o arquitecto Walter Gropius convidou-o para juntar-se ao grupo Bauhaus. Então, em 1921, Klee mudou-se de Munique para Weimar para assumir seu papel de mestre de forma na oficina de artefactos de vidro. Na década seguinte, Klee leccionaria nos institutos de Weimar e Dessou Bauhaus. Além do aumento do reconhecimento e de várias exposições na Europa, o trabalho de Klee atravessou o Atlântico e foi exibido em Nova York, pela primeira vez, em 1924. Em 1931, o pintor deixou a Bauhaus e foi nomeado para a Düsseldorf Academy. A Bauhaus, nesta época, foi forçada pelos nazistas a deixar Dessau e a se estabelecer em Berlim. Em 1932, Klee foi violentamente atacado pelos nazistas e, próximo ao Natal daquele ano, retornou a Berna, onde desenvolveu sua fase artística derradeira, baseada em um desejo por simplicidade. Agora ele também se encontrava perto da pobreza, pois seus recursos financeiros na Alemanha haviam sido confiscados.Os seus trabalhos nessa altura são muito mais amplos, com uma boa qualidade linear e traços geométricos em negrito. Em 1934, aconteceu sua primeira exposição inglesa, e uma ampla retrospectiva foi apresentada em Berna em 1935. No mesmo ano, ele desenvolveu os primeiros sintomas de escleroderma, uma rara doença de pele. Por algum tempo sofreu de depressão, resultante de sua doença, mas, em 1937, retornou o trabalho com ímpeto e energia fenomenais. Enquanto isso, na Alemanha, alguns de seus trabalhos foram expostos em uma "exibição de arte degenerada", e mais adiante 102 deles seriam confiscados de colecções públicas. Em 10 de Maio de 1940, Klee foi acolhido por um sanatório perto de Locarno e, menos de um mês depois, transferido para a clínica Sant'Agnese. Morreu em 28 de Junho do mesmo ano. Klee experimentou a mistura de meios artísticos, usando aquarela e pintura a óleo ou tinta, cola e verniz, por exemplo.

O Expressionismo 1 | M9

Expressionismo é o movimento artístico que nasceu na Alemanha (Dresden), no início do sec.XX e que a tónica da sua arte na expressão das emoções e sentimentos.
Ao contrário do Impressionismo, o Expressionismo representa as realidades invisíveis (espirituais), representado uma arte de dentro para fora e o reflexo dos tempos conturbados que antecederam a 1ª Guerra Mundial.
Até 1914-18, esta forma de arte foi desenvolvida por dois momentos: o grupo Die Brücke ( a Ponte), fundado na cidade alemã de Dresden, e o grupo Der Blaue Reiter ( o Cavaleiro Azul) nascido na cidade de Munique, também na Alemanha.

Die Brücke ( a Ponte)

Este movimento nasceu de uma associação de artistas alemães fundada em 1905. Liderado por Kirchner. Este grupo pretendeu expressar os seus sentimentos e traumas da alma humana com vigor, dramatismo, coragem, angustia e até violência, numa atitude de denúncia, de critica e de contestação politica e social, contrários aos objectivos de movimento Fauve que apenas pretendia atingir objectivos estéticos e plásticos. Como consequência, e estética do movimento foi patética e convulsiva, revelado por uma linguagem figurativa, com formas simplificadas, propositadamente deformadas e aguçadas, contornadas por linhas a negro e preenchidas por cores puras, violentas e contrastadas, ora sombrias e sujas, anti naturalistas e aplicassem pinceladas rápidas, por vezes, numéricas e texturadas.
A execução foi espontânea e temperamental, desenfreada e irreflectida, fazendo com que obras se assemelhassem a esboços toscos e inacabados.
As temáticas usadas por este grupo privilegiaram a vida íntima e a sexualidade erotismo, cenas de rua, cafés e cabarés, o mundo da prostituição e da miséria urbana, retratos e auto-retratos. Resumindo, a actualidade do pintor com incidência na vida urbana e na marginalidade
O advento da 1ª Guerra Mundial, provocou a dispersão deste grupo de artistas. No entanto depois de terminar o conflito mundial, o seu Expressionismo renasceu sob novas roupagens, revelando desespero, o delírio, a desordem então sentidos pelo povo Alemão. Este novo movimento expressionista chamou-se de Nova objectividade ou Realismo Mágico e teve como representantes Otto Dix, George Grosz, Max Beckmann e Rich Schlichter

O período barroco | M6

A arquitectura barroca é o estilo arquitectónico praticado a apartir do século XVII e decorre até a primeira metade do século XVIII. A palavra portuguesa "barroco" define uma pérola de formato irregular.
Definição
O barroco é libertação espacial, das convenções, da geometria elementar. É libertação da simetria e da antítese entre espaço interior e exterior. Por essa ser a vontade, de libertação, o barroco assume um significado do estado psicológico de liberdade e de uma atitude criativa liberta de preconceitos intelectuais e formais. É a separação da realidade artística do maneirismo. A arquitectura barroca ocorreu em vários países cristãos da Europa como Itália, Áustria, Espanha e Portugal. Países protestantes como a Inglaterra não apresentam a arquitectura barroca.
O barroco e a religião
O Concílio de Trento, o 19º concílio ecuménico, convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica, realizou-se de 1545 a 1563, no contexto da reacção da Igreja Católica à cisão vivida na Europa do século XVI, diante da Reforma Protestante. É conhecido como o Concílio da Contra-Reforma e foi o mais longo da história da Igreja.
O Concílio emitiu numerosos decretos disciplinares, em oposição aos protestantes e estandardizou a missa, abolindo largamente as variações locais. Regulou também as obrigações dos bispos e confirmou a presença de Cristo na eucaristia.
Definiu, de forma explícita, que a arte deve estar a serviço dos ritos da Igreja, através de imagens, tidas como elementos mediadores entre a humanidade e Deus. Os protestantes iconoclastas criticam precisamente esse amplo uso de imagens sagradas. Para os teóricos da Contra-Reforma, no entanto, tais imagens constituem um meio privilegiado de doutrina cristã e da história sagrada.
O barroco e a forma
Em termos artísticos, o barroco vai utilizar a escala como valor plástico de primeira grandeza. Os efeitos volumétricos são também elementos essenciais na arquitectura Barroca.
Principais artistas e obras da arquitectura barroca
Francesco Borromini, que entre muitas obras construiu em Roma o San Carlo alle Quattro Fontane. Surge aí a associação entre elementos rectos e elementos curvos, utilizando formas ambivalentes. A fachada é visualmente dinâmica, o que não deixa os espectadores parados. Exibe uma complexidade em termos de organização, côncava, convexa e rectas; é este dinamismo que o barroco impõe. Cria-se um portal monumental, que joga com várias formas, desloca-se o sino para a zona da fonte, em vez da zona central, destacando assim também a importância da fonte, como elemento criativo e funcional integrado na arquitectura. Borromini foi ainda o autor de igreja de Sant'Agnese in Agone, na Piazza Navona, e de Sant'Andrea delle Fratte, ambas em Roma.
Jules Hardouin-Mansart é outro importante arquiteto do barroco, cujas obras mais importantes são o Palácio de Versailles, em que a planta é elíptica e os jogos de luz criam contrastes visuais. A Catedral de Saint-Louis-des-Invalides e o Grand Trianon também são de sua autoria.
Claude Perrault é outro importante arquitecto francês, ainda que menos célebre. A fachada oriental que desenhou para o Palais du Louvre é um excelente exemplo da arquitectura barroca francesa. Em todo o espaço cria-se uma multiplicidade cenográfica. O muro não é entendido como um limite, mas como realidade espacial privilegiada para conter movimento.

Leni Riefensthal | M9

Nascida em Berlim, na Alemanha, era bailarina. De acordo com algumas fontes, Leni ouviu Hitler discursar num comício em 1932 e ofereceu a ele seus serviços como cineasta, por que teria ficado fascinada pelas habilidades oratórias do líder. Já outras, como a própria directora, afirmam que ela é que foi procurada por Hitler, depois que este assistiu -- e adorou -- o filme A Luz Azul. De todo modo, já em 1933 ela dirigiu um curta-metragem sobre um comício do Partido Nazista. Hitler, então, pediu a Leni que filmasse a convenção anual do Partido em Nurembergue em 1934. A princípio, ela se recusou, sugerindo que Hitler contratasse Walter Ruttmann para dirigi-lo em seu lugar. Mais tarde, Leni Riefenstahl voltou atrás e realizou O Triunfo da Vontade, um documentário considerado por muitos como uma das melhores obras de cinema já produzidas. Ela prosseguiu, realizando um filme sobre a Wehrmacht (exército alemão), intitulado O Dia da Liberdade. Em 1936, Leni Riefenstahl qualificou-se para representar a Alemanha no rali de esqui nos Jogos Olímpicos de 1936, mas, em vez disso, preferiu filmar o evento. O material captado virou o filme Olympia, celebrado por suas inovações técnicas e estéticas -- até hoje influentes em toda a cobertura desportiva da televisão. Sendo que o desporto como conhecemos hoje, nasceu e se glorificou na Alemanha nazista, o primeiro país do mundo a popularizar o desporto nas camadas mais pobres até as mais ricas. Após a Segunda Guerra Mundial, ela passou quatro anos presa num campo de concentração francês. Foi acusada de usar prisioneiros nos sets de filmagens, mas tais acusações nunca foram provadas em tribunal. Ao final do julgamento, sem conseguir encontrar nenhuma imputabilidade no apoio de Leni aos nazistas, o tribunal considerou-a apenas "simpatizante". Em entrevistas posteriores, Leni Riefenstahl insistiu que tinha sido fascinada pelos nazistas, mas que era politicamente ingénua e ignorava as falhas cometidas na guerra; uma posição que vários de seus críticos consideram ridícula. Leni tentou produzir outros filmes na pós-guerra, mas cada tentativa foi boicotada por resistências, protestos e duras críticas. O boicote impediu Leni de financiar suas produções. Os poucos filmes que conseguiu realizar foram curtas e financiadas pessoalmente, e novamente, obras de grande qualidade. Após isto, ela se tornou fotógrafa. Leni se interessou pela tribo Nubia do Sudão e publicou dois livros com fotos dos guerreiros da tribo em 1974 e 1976, o que foi uma pancada a todos que lhes acusavam injustamente. Ela sobreviveu a uma queda de helicóptero no Sudão em 2000. Perto dos seus 80 anos, Leni Riefenstahl começou a praticar fotografia submarina. Ela lançou um novo filme, intitulado Impressionen unter Wasser (Impressões Subaquáticas), um documentário da vida sob os mares, no seu centésimo aniversário - 22 de Agosto de 2002. A despeito de seus polémicos filmes de propaganda, Leni Riefenstahl é renomeada na História do Cinema por ter desenvolvido novas estéticas em seus filmes, especialmente em relação a ângulos de câmara, enquadramentos, movimentos de massas e nus, e ainda que a propaganda em seus filmes provoque rejeição por várias pessoas, a sua estética é indubitavelmente singular e é citada por vários outros cineastas. Não existiu uma pessoa no mundo com tantas qualidades cinematográficas. Em Outubro de 2002, quando Leni tinha 100 anos, autoridades alemãs decidiram arquivar o inquérito contra ela por afirmar correctamente no passado que "todos e cada um" dos ciganos que foram recrutados em um campo de concentração para aparecer em seu filme Tiefland tinham sobrevivido à guerra. Leni Riefenstahl morreu tranquila, serenamente e em paz enquanto dormia no dia 8 de Setembro de 2003, em sua casa em Pöcking, na Alemanha. Em seu obituário, foi dito que Leni foi a última figura famosa da era nazista na Alemanha a morrer.

Fritz Lang | M9

Fritz Lang nasceu em Viena, na Áustria, filho de um engenheiro civil, que desejava que o filho seguisse a mesma carreira. Aos 21 anos mudou-se para Munique (1911), onde estudou pintura e escultura. A efervescência cultural, política e social da Berlim do pós-guerra, reflecte-se nas suas primeiras obras. Em 1919 estreou na direção com um filme chamado Halbblut, que se encontra perdido, acerca do qual se sabe muito pouco. Alcançou o primeiro sucesso com Os Espiões, do mesmo ano de sua estréia. Em 1921 casou-se com a roteirista Thea Von Harbou, que escreveu os argumentos de quase todos os filmes desta primeira fase da carreira. As películas que Lang dirigiu ainda na fase do cinema mudo ficariam para a história como alguns dos maiores expoentes do expressionismo alemão:
Die Nibelungen (1924) - um filme sobre o fantástico mitológico, com as suas estruturas admiravelmente equilibradas;
Metropolis (1927) - talvez o expoente máximo do cinema alemão dos anos vinte;
O casal foi convidado por Adolf Hitler, por intermédio do Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, para produzir filmes para o Partido Nazi. Hitler era fã de cinema, e conta a lenda que a sua decisão de convidar Lang surgiu após ter assistido ao clássico Metropolis. Enquanto que Thea aceitou a função, Lang fugiu para Paris, onde chegou a produzir filmes antinazistas. Em 1934, depois de se ter divorciado de Thea, emigrou para os Estados Unidos da América.

Charlie Chaplin | M9

Charlie Chaplin, nasceu em Walworth, Londres, os seus pais separaram-se logo após seu nascimento, deixando-o aos cuidados de sua mãe cada vez mais instável emocionalmente. Chaplin subiu ao palco pela primeira vez aos 5 anos, em 1894, quando representou no music hall diante de sua mãe, que lhe ensinou a cantar e a representar. Ainda criança ele esteve de cama por duas semanas devido a uma séria doença quando, à noite, sua mãe sentava-se na janela e representava o que acontecia fora de casa. Em 1900, com 11 anos, ele conseguiu com a ajuda do irmão o papel cômico do gato em uma pantomima, Cinderela no "London Hippodrome". Em 1903 ele participou de "Jim, a romance of cockyne", após o que assumiu seu primeiro trabalho regular, como o entregador de jornal Billy em Sherlock Holmes, um papel que representou até 1906. Em 1919, fundou o estúdio United Artists com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith. Apesar de filmes falados terem se popularizado em 1927, Chaplin resistiu a usá-los até o final da 1930. Tempos Modernos foi sonorizado, embora praticamente não tenha personagens com falas, apenas Charles, que, em uma de suas cenas finais canta num restaurante, mas uma canção totalmente em mímica, onde os versos não significa nada pois a personagem havia esquecido sua letra, incapaz de decorá-la. O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940) foi o seu primeiro filme com falas. Foi, também, uma afronta a Adolf Hitler e ao fascismo que reinava na época. Foi filmado e lançado nos Estados Unidos um ano antes da entrada do país na Guerra. O papel de Chaplin era duplo: o de Adenoid Hynkel, clara alusão ao nome de Hitler, e de um barbeiro judeu. Hitler era um grande fã de filmes, e sabe-se que ele tenha visto o filme duas vezes (segundo registros de seu cinema particular). Após o descobrimento do Holocausto, Charlie informou que não conseguiria brincar com o regime nazista como brincou no filme se soubesse da extensão do problema.

Jean Vigo | M9

Filho de um militante anarquista, Jean Vigo teve uma infância algo conturbada, nunca tendo recuperado da morte do pai, na prisão e em condições duvidosas, quando ele tinha apenas doze anos. Abandonado pela mãe, rejeitado pelos colegas, foi várias vezes transferido de estabelecimento de ensino. Aos vinte e três anos de idade, conhece um conjunto de pessoas ligadas ao cinema. Entusiasmado, compra uma Camera e decide fazer um documentário. Com a ajuda de Bori Kaufman, irmão mais novo de Dziga Vertov, estreia-se com a violenta sátira poética À propos de Nice (1930), um filme feito em género de documentário social. Nessa mesma linha, realiza a curta-metragem documental Taris, roi de l'eau (1931) - também conhecido por La Natation par Jean Taris, champion de France-, um elegante ensaio sobre o nadador Jean Taris. O carácter muito pessoal dos seus dois primeiros trabalhos, aliado ao facto de pretender adaptar um guião sobre uma história com crianças, assustou os seus produtores, levando a que passassem dois anos até poder filmar a obra-prima Zéro de conduite.

Irmãos Lumière | M9

Louis e Auguste eram filhos e colaboradores do industrial Antoine Lumière, fotógrafo e fabricante de películas fotográficas, proprietário da Fábrica Lumière (Usine Lumière), instalada na cidade francesa de Lyon. Antoine reformou-se em 1892, deixando a fábrica entregue aos filhos. O cinematógrafo era uma máquina de filmar e projector de cinema, invento que lhes tem sido atribuído mas que na verdade foi inventado por Léon Bouly, em 1892, que terá perdido a patente, de novo registada pelos Lumière a 13 de Fevereiro de 1895. São considerados os fundadores da Sétima Arte junto com Georges Méliès, também francês, este tido como o pai do cinema de ficção. Louis e Auguste eram ambos engenheiros. Auguste ocupava-se da gerência da fábrica, fundada pelo pai. Dedicar-se-iam à actividade cinematográfica produzindo alguns documentários curtos, destinados à promoção do invento, embora acreditassem que o cinematógrafo fosse apenas um instrumento científico sem futuro comercial. Casaram-se com duas irmãs e moravam todos na mesma mansão.

Eadweard Muybridge | M9


Nasceu a 9 de Abril de 1830 e Faleceu a 8 de Maio de 1904. Era um fotógrafo inglês, conhecido pelas suas experiências e pelas suas descobertas com o uso de múltiplas câmaras utilizadas em simultâneo para captar o movimento.Em 1855 Muybridge chegou a São Francisco, começando a sua carreira como agente e livreiro de um editor.Saiu de São Francisco no fim dessa década, e após um acidente em que sofreu lesões na cabeça, acabou por voltar para a Inglaterra por alguns anos. Reapareceu em São Francisco em 1866 e tornou-se rapidamente bem sucedido na profissão de fotógrafo, centrando-se nas paisagens e assuntos arquitectónicos. Em 1872, Muybridge desenvolveu um esquema para a captação instantânea de imagens. No ano de 1878, com o patrocínio de Stanford para expandir a experiência Muybridge fotografou com sucesso o galope de um cavalo quadrou a quadro, usando uma série de 24 câmaras. A primeira experiência com sucesso ocorreu em 11 de Junho, com a imprensa
presente. Muybridge utilizou uma série de 12 câmaras estereoscópicas.O grande invento deste artista foi o Zoopraxiscópio.

A Cultura do Salão | M7

Nas mansões da aristocracia ou da burguesia, o salão passou a ser o centro da vida social, dependência nobre, de amplas dimensões, faustosamente decorado e mobilado. Aí se reunia a família após as refeições e tarefas do dia; ai se recebiam as visitas mais solenes; e ai também se faziam reuniões mais alargadas por ocasião de alguma festividade, banquete, baile ou outra efeméride. O crescente interesse das elites pelas coisas do espírito tornou usuais as reuniões elegantes, realizadas na privacidade dos palácios, que tinham como atracção principal a apresentação de personalidades em voga: músicos, cantores de ópera, escritores, filósofos e cientistas.
Assim, estes espaços privados e íntimos tornaram-se os centros da vida social, cultural e artística, exercendo acção importante na divulgação das novidades intelectuais e políticas, foi ai, que as ideias iluministas, aquelas que mais tarde conduziram à Revolução Francesa, conheceram os seus primeiros passos.

O Palácio de Versalhes | M6

Durante o Antigo Regime, as cortes europeias fizeram-se rodear de uma extraordinária riqueza e fausto, ao nível do poder simbólico, foi a forma encontrada para ofuscar e impor a superioridade sobre os restantes.
Luís XIV que, durante mais de meio século, conseguiu identificar a realeza com uma vida de pompa e magnificência transferiu a sua corte para o Palácio de Versalhes. Ele e a sua corte, na casa real, converteram-se no maior modelo europeu de realeza que o Antigo regime conheceu. Ele e a sua casa representavam o topo do modelo mais acabado da estratificação social, muito perto do céu. Tal como Norbert Elias salienta: “o palácio de Versalhes simboliza (…) o cume de uma sociedade hierarquizada mesmo nas suas mais insignificantes manifestações”
Neste amplo espaço, era possível viver sem nunca atravessar as suas paredes para o exterior. Este palácio representava muito mais que uma casa. A ele afluíam todos os nobres e clérigos de prestígio, alguns com residência permanente. Neste local, tratavam todos os problemas da administração do reino, lá se decidia a guerra e a paz. Na casa do monarca, também eram recebidas as maiores e mais importantes companhias de teatro, bailado e ópera. As suas imensas salas, quartos, corredores e recantos permitiam a privacidade dos que nele habitavam, os saraus davam ânimo às noites e os seus luxuosos jardins permitiam o contacto com o ar livre e passeios intermináveis. Era o local perfeito para se viver luxuosa e ricamente, onde um exército de empregados servia aristocratas, clérigos, o rei e a sua família.
Quando procuramos compreender o edifício no seu conjunto, verificamos que os seus múltiplos espaços têm capacidade para alojar uma infinidade de pessoas. Com toda a certeza, seriam milhares de pessoas a residir em Versalhes, um relatório de 1744, refere um número de dez mil pessoas, incluindo empregados. Nele caberia a população de uma cidade, de acordo com a magistral obra A Sociedade de Corte:
“ A população inteira de uma cidade caberia entre as suas paredes. Todavia, estes milhares de pessoas não o ocupam como se ocupa uma cidade. As unidades sociais que aí residiam não são famílias cujas necessidades e limites modelam unidades espaciais separadas umas das outras. Este conjunto de edifícios é, em primeiro lugar, a casa do rei e a residência, pelo menos esporádica da sociedade de corte tomada no seu todo. Uma parte desta sociedade dispunha de um apartamento permanente na casa do rei. Luís XIV gostava que os seus nobres vivessem sob o seu tecto, gostava que lhe pedissem alojamento em Versalhes. De acordo com o desejo do rei, era sobretudo a alta nobreza que residia permanentemente em Versalhes (…) «Quase nunca saio da corte – diz Saint-Simon – e a senhora de Saint-Simon também não.» Ora é de notar que Saint-Simon não desempenhava nenhum cargo oficial que o ligasse estreitamente à corte.[2]

O Papel da Burguesia e o Mercantilismo

Nas principais esferas de poder, no Palácio Real, onde gravitavam os destinos das nações e do Mundo, não havia lugar para a burguesia. No restrito círculo da Corte participavam aqueles que tinham laços de sangue com a tradição, caso o dinheiro fosse muito e fizesse aproximar um elemento da burguesia a este grupo, a sua presença até poderia ser tolerada, no entanto, o estigma social permaneceria inalterável e a ideia de não pertencer ao Grupo continuaria a pesar sobre si. Esse indivíduo nunca seria um nobre de linhagem, nunca seria reconhecido como um membro de pleno direito no seio dos privilegiados. Noutras funções, a segregação era igualmente visível, no exército por exemplo, as mais altas patentes estavam reservadas àqueles que tinham sangue azul. Note-se que esta questão deve ser aqui enquadrada no plano teórico, pois muitos burgueses já se haviam aproximado do poder, quase sempre apoiados pelo seu capital ou por um casamento interessante, contudo, encontravam-se escalonados num grau inferior da hierarquia social: precisavam desesperadamente de uma Constituição que os reconhecesse como iguais, só esse documento acabaria com a descriminação de que eram alvo desde há séculos.
Perante o desenvolvimento técnico que, durante esta cronologia se impos de forma determinante na vida quotidiana da Europa e face à expansão do capitalismo moderno e do mercantilismo, sistema económico que se basea na acumulação de metais preciosos nos cofres do Estado, a acção da burguesia era cada vez mais decisiva para o sucesso das nações europeias. De acordo com a lógica mercantilista, os estados deveriam desenvolver uma atitude proteccionista, para tal, procurava-se que a curva das importações fosse muito diminuta e a curva das exportações elevada. Assim, os estados conservariam uma balança comercial positiva. Os monopólios, por possibilitarem a acumulação de grandes fortunas, também eram incentivados pelas monarquias absolutas.

Tradição e Inovação

Os Homens dos séculos XVII e XVIII conheceram um profundo dilema entre tradição e inovação. De um lado, do lado da tradição, a sociedade de corte que colocava cada Homem no seu lugar de acordo com o seu nascimento, não permitindo a ascensão social dos seus membros. Do outro lado, do lado da inovação: o tecnicismo, a sabedoria e a capacidade de fazer dinheiro.
Um mundo dividido entre nobres e burgueses. Os primeiros, muitas vezes falidos, insistiam em ocupar os principais lugares na administração, encontravam-se no centro do poder, ao lado do rei, usando a tradição e o nome para justificar o lugar que ocupavam na sociedade. Os segundos, eram homens de negócios que tinham singrado nos seus países, apoiando-se na virtude do trabalho, mas aos quais, estava vedada a participação nas principais esferas de poder, lazer e cultura, pois não eram filhos do apertado círculo da aristocracia. Estamos, claramente, na presença de um mundo desfasado e desequilibrado, um mundo que insistia em manter-se, não obstante, as novas e emergentes mutações. Esta era a situação da burguesia, endinheirada pelo comércio, quando comparada à da fidalguia.

Uma Sociedade de desequilíbrios

Noutros domínios, a situação de desequilíbrio social era bem maior, quando comparamos a vida da raia miúda à da nobreza ou até mesmo à da burguesia, aqui, verificamos a existência de gigantescas discrepâncias que pautavam a vida destes grupos. Entre privilegiados e não privilegiados, pois era disso que se tratava: uns tinham todos os direitos, prerrogativas e apanágios, outros, a esmagadora maioria da população não possuía nada que pudesse chamar seu. Mundos diferentes, verdadeiramente diferentes, que coabitavam sem interacção horizontal. Voltamos a repetir – cada um no seu lugar, cada um no seu Grupo. Esta era a matriz da sociedade de corte.
Enquanto o povo nas cidades, nas vilas e nas aldeias vivia à míngua, alimentando-se com pão de má qualidade e toucinho, raras não eram as vezes em que as ervas daninhas também entravam nas malgas dos mais pobres. Nos palácios e nos solares a opulência era gigantesca, os ricos tinham sempre uma mesa recheada e farta, nela abundavam: carne, peixes e marisco de todas as qualidades. Noutros aspectos as desigualdades eram igualmente visíveis. Nas casas dos camponeses passava-se frio nos difíceis Invernos, nas casas dos senhores vivia-se confortavelmente. O povo andava maltrapilho, vestindo-se com aquilo que cada um conseguia tecer, os ricos envergavam requintados veludos e importavam sedas da Índia e pérolas da China. A populaça contentava-se com romarias e procissões ocasionais, os nobilitados assistiam a óperas em esplendorosos teatros.
Ao nível material, o homem comum vivia de forma muito idêntica desde tempos ancestrais, alimentava-se mal, tombando por tudo e por nada. Bastava um Inverno mais rigoroso, um mau ano de colheitas, um ano de chuvas rigorosas que fizesse apodrecer a semente na terra e as crises de mortande sucediam-se de forma catastrófica. Esta era a realidade que pautava toda a Europa, a grande maioria da população continuava dependente daquilo que a terra dava, mal se conseguia alimentar. Por exemplo, em França, mas noutros locais da Europa os números andariam muito perto, calcula-se que 85% da população vivesse nos campos dedicando-se a uma economia praticamente de subsistência, nas grandes propriedades dos senhores terratenentes. Neste país, “em 1789, 22 milhões ou mais de indivíduos, num total calculado de 26 milhões” dedicava-se ao sector primário. Nos domínios senhoriais, muitos deles herdados da Idade Média, os camponeses tinham um quotidiano marcado por privações, nele imperava a morte, a falta de higiene, a promiscuidade, os ratos, as pulgas e, claro está, a tradicional peste. De facto, “para a grande maioria, a vida era uma luta contínua, muitas vezes perdida, para arrancar do solo magro sustento.”

A Revolução Francesa

Este foi sem dúvida o pano de fundo que deu origem à Revolução Francesa, duas realidades distintas: a falta de reconhecimento, ou melhor, a falta de estatuto da burguesia endinheirada pelo comércio e pela indústria e a miséria que grassava nos meios mais populares e que colocava o homem, raras não eram as vezes, abaixo do nível mínimo de subsistência. Duas situações criadas pela mentalidade do Antigo Regime, voltamos a reiterar, embora diferenciadas, mas que, de igual modo, concorreram para pôr em choque toda a organização social tecida desde os tempos medievais. Mais tarde ou mais cedo, seria de esperar que o dinheiro detido pelos sectores mais pomposos do Terceiro Estado quisesse ocupar, na sociedade, um lugar proporcional à sua capacidade de aquisição. Também não seria de estranhar que o povo, embora sem preparação intelectual para promover grandes rupturas, se revoltasse, sobretudo em anos de grande carência e alta de preços, contra o seu estilo de vida: “analfabetos e embrutecidos pela miséria, vítimas de receios e superstições irracionais, eram capazes de pôr em movimento distritos inteiros contra os bodes expiatórios do momento, se não existisse o braço forte da autoridade constituíam ameaça potencial para a lei, ordem e propriedade.”Bastaria um pequeno rastilho, e os estilhaços da Revolução rebentariam por todo o lado, como se veio a verificar durante a Revolução Francesa, onde, e de acordo com Fátima Bonifácio: o campesinato assumiu um papel de relevo, verdadeiramente revolucionário. Alterando para sempre o rumo da História.

O Antigo Regime | M6

Privilegiados e não privilegiados numa sociedade de três ordens: o Clero, a Nobreza e o Terceiro Estado nos séculos XVI, XVII e XVIII
O Poder Simbólico: nascer nobre ou camponês
O termo Antigo Regime foi definido por oposição ao período que se iniciou com a Revolução Francesa. De acordo com esta sociedade, altamente estratificada, os Homens eram encarados como elementos estanques e perenes de um determinado grupo ou ordem do qual não poderiam sair. Nos vários reinos europeus até 1789, ano da Revolução, não se olhava para a individualidade de cada um, para o mérito pessoal, para o valor de cada cidadão. Alias! O termo nem sequer existia enquanto personalidade jurídica. A sociedade de então, não concebia a existência de homens singulares, somente de corpos ou grupos de solidariedade onde se incluíam os vários seres humanos. Uns governavam, outros oravam e a esmagadora maioria da população, esfarrapada, suja e mal alimentada trabalhava de sol a sol para sustentar, manter e garantir os senhores da terra e do além. Desta lógica, excluímos a liberal Inglaterra, por ter definido uma Monarquia Constitucional, com parlamento, desde há muito.
Cada um no seu lugar. Nascer no seio de uma família nobre significava ter uma vida de luxo, opulenta e faustosa. Pertencer ao clero, onde se ia parar por vocação, forçada, ou não, representava, igualmente, uma vida tranquila e farta, quer fosse nas suas fileiras superiores ou inferiores. Aos membros do alto clero, estava garantida a participação nos principais círculos de poder; aos párocos de aldeia e, grosso modo, aos prelados de menor importância, estava reservada uma vida modesta, mas sempre com mesa abastada. O que na altura, traduzia a diferença entre sobreviver ou não, já que a maioria da população muito dificilmente, conseguia reunir o necessário para se alimentar e acordar no dia seguinte para mais uma jorna de árduo trabalho. Contrariando, muitas vezes, o resguarda e os sacrifícios que Deus exige, a maioria dos clérigos fruía uma vida afortunada e rica. Estas eram as ordens que comandavam, ao nível do imaginário e no campo do poder simbólico, os destinos das nações europeias.
No Terceiro Estado, encontravam-se todos aqueles que não possuíam nenhuma ligação a uma família nobilitada com pergaminhos distintivos, nem eram interlocutores privilegiados de Deus. Este era um grupo bastante heterogéneo composto por homens de negócio, artesãos, proprietários de terra e camponeses, cuja única ligação, era não possuírem um brasão no frontão ou na esquina de sua casa que legitimasse um laço de sangue a um passado glorioso. Tudo era definido, salvo excepções muito pontuais, desde o nascimento. Nesta sociedade, os seus elementos faziam-se valer não pelo seu mérito, mas pela sua origem social. Se se tivesse nascido no seio de uma família camponesa, o futuro reservaria, a esse indivíduo, uma vida repleta de privações e humilhações. Pelo contrário, pertencer à nobreza era sinónimo de distinção e consideração. Ainda antes de qualquer Homem ter visto os primeiros raios de luz, já tudo estava decidido: a ocupação, as tarefas, a alimentação, o vestuário, os divertimentos. Tudo, mas absolutamente tudo.
Aos indivíduos, restava cumprir as funções da sua Ordem: administrar extensas propriedades e caçar, se o destino tivesse sido generoso, ou então: semear, cavar, ceifar, podar e tratar de animais se o berço não tivesse sido bafejado pela sorte. Esta era a sociedade do Ancien Régime, uma sociedade altamente hierarquizada que determinava estilos de vida estáticos, nada permeáveis à mobilidade social.
E no topo da pirâmide, o garante máximo desta concepção organizacional, encontramos o rei, o monarca absoluto, que reunindo todos os poderes na sua mão: o legislativo, o executivo e o judicial exercia a autoridade de forma centralista e tirânica. Contudo, ele não era o culpado, limitava-se a fazer cumprir o direito divino que o tinha “mandatado” para tal. O seu poder advinha de uma entidade superior, não era legitimado pelos Homens nem se baseava na razão, por isso se diz que a natureza dessa autoridade era teocrática, ou seja, de origem celeste. Era Deus que norteava a prática do seu poder, o monarca limitava-se a satisfazer a vontade divina.
A associação do monarca absolutista à divindade ia ainda mais longe. O rei era considerado representante de Deus na terra, com atributos semidivinos, possuía praticamente uma relação de parentesco com a deidade.
Numa esclarecedora descrição de Bossuet, teólogo e pregador do absolutismo, compreende-se com exactidão toda esta concepção: “olhar o príncipe no seu gabinete. Daí provêm as ordens que põem em movimento magistrados e capitães, cidadãos e soldados, províncias e exércitos, na terra e no mar. É a imagem de Deus que, sentado no seu trono no mais alto dos céus, põe em movimento toda a natureza.[1]
Como podemos confirmar através da análise do pensamento do autor citado, o rei absoluto punha o mundo em marcha. A ele competia comandar os destinos da Nação. Era o pai tutelar de todas as ordens, o pai da Nação que alimentava a sociedade com a sua força. Nada lhe podia fazer frente ou equivaler-se. Era o sol, o combustível dos povos, a luz que todos necessitavam para crescer e evoluir, ou seja, a força centralizadora que colocava o Mundo em andamento na terra e nos mares, em todos os locais. À semelhança de Deus, era um pai omnipresente e omnipotente a quem todos deviam obediência. Militares de todas as patentes, ou melhor, hostes inteiras, burocratas do reino, oficiais de justiça, clérigos seculares e regulares, camponeses, comerciantes, artesãos, marinheiros e navegadores. Todos os Grupos, todas as Gentes, todos os Homens que compunham o universo do rei, deviam limitar-se a cumprir os seus desígnios, a obedecer à sua vontade, tal como um filho obedece a um pai ou um escravo ao seu senhor.
O guia incontestado dos povos, a verdadeira divindade no plano terreno, o motor da sociedade, sem o qual não havia luz, somente trevas. A estrela que guiava os homens no bom caminho. Mesmo quando errava, como ser humano que era, não se olhava para esse erro como um defeito da sua governação ou falta de preparação para o cargo que exercia, mas sim, como desígnio divino. Era a vontade de Deus que tinha impedido o monarca de ter sucesso, “contra a qual revoltar-se não só seria ímpio como impolítico.[2]” Deste modo, a cega obediência ao rei evitava a anarquia e toldava a contestação.
Ao longo do século XVIII, as coroas absolutas dominaram a Europa. Todos os soberanos, excepto o inglês, ostentaram coroas reais ou imperiais, sem obedecerem a uma Constituição. No entanto, Luís XIV, a personificação do sol, o expoente máximo desta ideologia, chegou mesmo a afirmar – L’ etá c’est Moi (o Estado sou EU).
Nesta frase, podemos observar, todo o ideário absolutista condensado de forma clara e precisa. Ele, como representante de Deus na terra assumia todos os poderes, sintetizava a força motriz de todo o desenvolvimento, a coragem e a glória. Todo o ânimo estava concentrado na sua pessoa. Sem ele não existia Estado. A questão era mais profunda, ele representava a personificação do próprio Estado. Ricamente vestido e adornado impunha ao seu tempo uma monarquia autoritária e hegemónica, onde para além dos raios que irradiava, só existia caos e escuridão.
[1] C. B. A. Behrens, O Ancien Régime, Lisboa, Editorial Verbo, s.d, pág. 85.
[2] Op. Cit. pág. 89.