Arte | M1



Arte é a actividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objectivo de estimular esse interesse de consciência e cada obra de arte possui um significado único e diferente. A arte está ligada à estética. Na história da filosofia tentou se definir a arte como intuição, expressão, projecção, sublimação, evasão, etc. Aristóteles definiu a arte como a imitação da realidade. Para Kant, a arte será aquela manifestação que produza uma "satisfação desinteressada". A dificuldade de definir arte está na sua directa relação com a conjuntura histórica e cultural que a fazem surgir.  Arte é um termo que vem do Latim, e significa técnica/habilidade. A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura, por ser arte rupestre, artesanato, arte da ciência, da religião e da tecnologia. Actualmente, arte é usada como a actividade artística ou o produto da actividade artística. A arte é uma criação humana com valores estéticos, como beleza, equilíbrio, harmonia, que representam um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras. 

Depois do Império romano | M3



A globalização é o processo de criar um espaço económico comum que leva a uma integração crescente da economia mundial através da movimentação cada vez mais livre de bens, capitais e mão-de-obra. Mas já havia globalização nos antigos impérios.
O declínio destes foi seguido de distúrbio internos e da desintegração dos espaços económicos alargados que eles tinham criado.
Assim o Império Romano tinha trazido, através da sua pax, uma prosperidade sem precedentes aos habitantes do litoral mediterrânico durante quase um milénio. Com o fim do império romano, com a subsequente desordem e destruição do espaço económico imperial levaram a uma queda acentuada dos padrões de vida da população.
Se uma família de camponeses na Gália, da Lusitânia ou da Britania tivesse  sido capaz de prever  a miséria e exploração que iria atingir  os seus netos  e os netos deles, e assim sucessivamente durante os 500 anos seguintes, teria  acorrido em auxilio do império. Mesmo depois disso os reinos que surgiram acabaram por durante 1000 anos viverem no meio do esterco, minados pela pobreza e exploração, quando comparados com Roma. Só no século XVI, em pleno renascimento, é que os europeus começaram a ter níveis de bem estar comparáveis com Roma, e só no século XVIII  é que passaram a ver a sua civilização como sua igual. Daí surge o nome Renascimento como o ressurgir da cultura greco romana.

Giorgione e Ticiano: poéticas de luz e cor em Veneza | M5



Ao contrário dos artistas florentinos, que desenvolveram o desenho para obter uma imagem da realidade vista através dos “olhos da razão”, os artistas venezianos contemplaram o mundo através dos sentidos, manipulando a luz e a cor em resultados muito mais sensuais. Apesar de ter morrido cedo, Giorgione (1478-1510) foi um dos pintores mais influentes do seu tempo. Obra de significado enigmático e inspiração poética, A Tempestade  (fig.45) revela a cor como matéria privilegiada da execução da execução pictórica, e a paisagem como tema dominante do ambiente nostálgico e pastoral criado, 


Discípulo de Giorgione, Ticiano (c. 1490-1576) dominou a pintura veneziana durante quase 60 anos, ao longo dos quais pintou todo o tipo de assuntos, dos mais clássicos e sensuais aos mais dramáticos e expressionistas, em toos eles desenvolvendo as virtuosidades plásticas da luz e da cor, e explorou as potencialidades da pintura a óleo. A fama que adquiriu com A Assunção da Virgem (fig.47), trouxe-lhe encomendas das mais altas individualidades europeias, desde o Papa Paulo III aos imperadores Carlos V e Filipe II ou aos duques de Mântua, Ferrara e Urbino. Diana e Actaeon (fig.46) é uma das suas Poesies, ou “reflexões poéticas”, tal como designou a série de quadros mitológicos inspirados nas Metamorfosis de Ovídio que realizou para Filipe II.

O Renascimento Pleno em Itália. Bramante, Leonardo, Rafael e Miguel Ângelo e o apogeu do Classicismo | M5



O que se entende por Renascimento Pleno, Alto Renascimento ou até Renascimento Clássico, consiste num curto período de tempo (c. 1495-1520) em que um grupo de quatro génios – Bramante, Leonardo da Vinci, Rafael e Miguel Ângelo -, aprofundou as conquistas artísticas dos seus predecessores e elevou o Renascimento à sua máxima expressão.

Bramante - Tempietto de San Pietro in Montorio
As primeiras obras de Donato Bramante (1444 – 1514) revelaram, desde logo, um espirito inquieto e inovador, de inspiração humanista e diligente na pesquisa de uma perfeição ideal, que sintetizou no Tempietto de San Pietro in Montorio, uma construção que, apesar da sua dimensão insignificante (6m de diâmetro), logo se converteu num autentico manifesto da nova arquitectura. A extrema simplicidade estrutural, o rigor e a perfeição que obteve na utilização das ordens arquitectónicas e o harmonioso sistema de proporções do conjunto, levaram os homens do seu tempo a considerar o Tempietto a mais perfeita recriação da arquitectura clássica.
Em Roma, Bramante explanou o seu programa clássico e monumental, alicerçado num equilibrado jogo de “volumes espaciais”, buscando a “forma ideal”, na nova Basilica de São Pedro do Vaticano. Apesar das transformações que o seu plano sofreu manteve-se a planta em cruz grega inscrita num quadrado e rematada por uma gigantesca cúpula, que, segundo o Papa, deveria ofuscar os maiores monumentos da Na Antiguidade.
Já Leonardo da Vinci (1452 – 1519), revelando as suas invulgares capacidades em áreas tão diversas como a pintura, a escultura, a arquitectura, a matemática, a filosofia, as ciências naturais, a astronomia, a física e a engenharia, encarnou melhor que ninguém o espírito humanista do Renascimento. Numa das obras mais célebres, A Última Ceia (fig. 38), aplicou a perspectiva com rigor cientifico, atenuando ao limite a distinção entre o espaço real e espaço fictício. Mas, ao contrário da pintura do Quattrocento, em que a arquitectura parecia sobrepor-se à acção dos homens que nela se moviam, Leonardo concentra todo o interesse na acção humana. Tal como afirmou nos seus “cadernos”, a finalidade da pintura não era recriar a aparência do mundo exterior, mas representar “ a intenção da alma do homem”. 


É o que nos apresenta noutra obra-prima, Mona Lisa, onde para além do sorriso enigmático do seu rosto, nos deparamos com uma natureza não menos misteriosa, que, de resto, também o fascinou como cientifico. Aqui, Leonardo introduziu o sfumato e a perspectiva aérea – uma reacção à perspectiva linear em que os contornos se “esfumam” e as formas perdem nitidez à medida que se esbatem no horizonte -, técnicas inovadoras que caracterizam a sua obra. O desenho é entendido como cosa mentale, um processo intelectual ou instrumento que conduz à experimentação e ao conhecimento.

O Quattrocento em Itália: construção, arte e erudição. Brunelleschi e a arquitectura como razão, ordem e proporção | M5



Capella Pazzi vista da fachada e interior (Florença c. 1430)
Ordem e proporção
O novo estilo que nasceu em Florença na primeira metade do séc. XV e que acabou por se expandir por toda a Itália e Europa foi obra de três homens: Brunelleschi, arquitecto; Donatello, escultor; e Masaccio, pintor. Se na Cúpula da Catedral de Florença (fig.10), Brunelleschi evocou o Panteão (118-125) numa construção profundamente  “romana”, nas suas restantes obras aprofundou de forma cabal o sistema clássico. De resto, o seu interesse por esta linguagem havia de o levar a Roma com o propósito de observar e medir as ruínas antigas. Com esta atitude pioneira, mas perfeitamente integrada no espírito da época, Brunelleschi pôde constatar que, ao contrário da precedente arquitectura gótica, a arquitectura clássica obedecia a um sistema de proporções fixas que estabelecia as dimensões de todos e cada um dos elementos que a compunham, isto é, determinada por uma ordem.
Por exemplo, no Hospital dos Inocentes (pág.15), Brunelleschi estabeleceu aquele que seria o sistema racional, de raízes matemáticas e geométricas, do espaço arquitectónico renascentista. Na nova arquitectura, Deus manifesta-se nas matemáticas e na geometria, através das quais impõe a sua ordem ao universo. Daí, a arquitectura ter-se despojado de todo o supérfluo: não há frescos nas paredes, as janelas deixam entrar a luz branca do dia e a tradicional planta de cruz latina dá muitas vezes, lugar à planta central, coberta por cúpulas semiesféricas.
O quadrado e o círculo são as figuras geométricas que, na sua perfeição, reflectem essa superior qualidade de Deus. Sem principio nem fim e tendo o centro equidistante de todos os seus pontos, o circulo é uma alegoria do infinito e da justiça suprema, respectivamente.
Mas, a grande novidade da arquitectura renascentista consistiu no método de representação que, a partir de então, foi desenvolvido. A descoberta da perspectiva – por Brunelleschi, C. 1420 – e a valorização da geometria como elemento estruturante do espaço arquitectónico, veio conceder ao “projecto”, ou representação gráfica dos elementos construtivos, uma dimensão que antes nunca conhecera.
O desenho da “ideia” da obra, antecipando a sua concretização, passou a constituir um dos momentos fundamentais do processo criativo. Se por um lado, simulando a tridimensionalidade, facultava ao arquitecto o ensaio das melhores soluções para os melhores resultados, por outro, o pensamento neoplatónico prevalecente na cultura renascentista privilegiava o momento prévio da criação – o desenho, “mãe de todas as artes”, ou a “ideia da obra” antes da sua tradução em matéria -, apenas ao alcance do arquitecto. Sobretudo, foi importante o enquadramento da arte, e de todas as artes, em conceitos e metodologias próprias – passando a arte a ser uma realidade demonstrável como qualquer outra ciência -, e a nova concepção do artista, como aquele que concebe as coisas no seu pensamento, fruto do génio criador.

Renascimento, conceitos | M5



O Renascimento foi o ressurgimento de muitas ideias da antiguidade. Esse movimento surgiu nas cidades italianas no século XIV e XVI. Teve grande ajuda dos Mecenas, que tinham dinheiro para financiar vários artistas a produzirem grandes obras. O renascimento foi o movimento que marcou a ruptura do feudalismo medieval com a Idade Moderna.
Os processos que levaram ao Renascimento
As cruzadas;
A usura da igreja
Abertura comercial do Mar Mediterrâneo;
O contacto com o Oriente;
O enriquecimento dos nobres.
Mecenas
O enriquecimento comercial dado pela reabertura do Mediterrâneo e outros factores acabou por favorecer as cidades italianas que por uma melhor localização, tomou a dianteira do comércio e com isso os Mecenas acabaram por investir em sábios, artistas e pintores.
Fases do Renascimento
Trecento;
Quattrocento;
Alta Renascença;
Cinquecento.
Trecento
É a preparação para o renascimento, é um fenómeno basicamente italiano. Foi marcado por mudanças nas letras e em artes plásticas. Busca amparada pela ciência por explicações racionais por fenómenos da natureza.
Quattrocento
O humanismo espalha-se por toda a Europa e faz com que alguns humanistas vasculhem a procura de livros perdidos de grandes autores, como Platão.

Alta Renascença
Alcance do conhecimento racional e da habilidade técnica. Grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram. Transformação do modelo medieval para o moderno.
Cinquecento
O movimento transforma-se e expande-se para outras partes da Europa. Destaque para a escrita. No final do século XVI, o renascimento italiano começa a perder os seus poderes, e um dos motivos a isso foi a quebra do monopólio comercial, devido às grandes navegações e às descobertas.
O Antropocentrismo Renascentista
O antropocentrismo surgiu no renascimento, tendo como principal significado, a valorização do homem acima de tudo.
Características:
Valorização do homem e do seu trabalho;
Deus deixa de ser o centro de tudo;
Maior liberdade do homem, sobre as suas acções e sobre si mesmo;
Concepção que considera que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento dos humanos, ou seja, tudo no universo deve ser avaliada de acordo com a sua relação com o homem.

David, Miguel Ângelo, mármore, altura do corpo 4,089 m, Museu da Academia, Florença, Itália, 1501-1504. | M5



Para Miguel Ângelo, só a escultura reunia as virtudes e as qualidades da “obra” integral, a mais próxima da pureza, perfeição e beleza da “obra divina”. Todas as outras artes, a pintura e a arquitectura, deviam, portanto, submeter-se às leis plásticas, estruturais e orgânicas dessa arte maior.
O seu espírito neoplatónico, fazia-o analisar demoradamente os blocos de mármore, procurando no seu interior a “forma ideal” da figura humana – expressão máxima da sua fé – que haveria de “libertar” para o mundo das coisas naturais.
Como se se tratasse de uma luta do espírito contra a matéria, muitas obras deixou inacabadas, por se sentir derrotado no seu ímpeto criativo: numa analogia com o processo da Criação divina, a figura.


só poderia “nascer” da pedra se correspondesse à “forma ideal” existente na mente do artista. Desta dualidade, resulta o intenso pathos interiorizado nas suas obras: aparentemente serenas, as suas estátuas exprimem uma energia contida, suspensa do gesto criador do artista.
David, com os seus 4 m de altura, é a primeira estátua monumental do Renascimento e destinava-se a ser exposta publicamente em frente ao PalazzoVechio, como símbolo cívico da República de Florença. Certamente impressionado pelo pathos emanado dos corpos helenísticos que pôde ver em Roma, Miguel Ângelo pretendeu traduzir em David o equilíbrio e a harmonia entre o corpo, clássico nas formas, e o espírito, idealista na expressão.
Porém, um terrível encanto permanece latente na sensação de inquietude e inconformismo que a obra manifesta, e que caracterizou a vida do seu criador.


  

TECTO DA CAPELA SISTINA, Miguel Ângelo, 1508-1512 | M5



Sabemos como os artistas florentinos do Quattrocento tinham dominado a realidade graças à precisão do seu desenho, convertido em instrumento de conhecimento e apreensão racional do Mundo. Tanto que Cennino Cennini entendia “o desenho como mãe de todas as artes” (Tratado da Pintura, 1398), e por onde tudo devia começar.


Mas, para Miguel Ângelo, o desenho é entendido num sentido platónico e é, antes do mais, o “traço”, a forma mais imaterial da Ideia. Pois, o desenho corresponde à fase prévia da criação, puramente espiritual, à manifestação da Ideia em linhas e traços antes da obra se transformar em forma material. Quanto a esta, Miguel Ângelo elegeu a escultura, pois era a única que permitia retirar o supérfluo de um bloco informe de matéria, fazendo aparecer a “forma ideal” e conforme à perfeição das coisas naturais.
Talvez, por isso, as figuras que pintou no tecto da Capela Sistina surjam com a tensão e a vibração plástica próprias da escultura. Num vasto programa iconográfico integrando centenas de figuras distribuídas com um ritmo alucinante numa moldura arquitectónica, Miguel Ângelo abordou a história da humanidade, segundo o Genesis, desde a Criação até ao Dilúvio Universal.


Obra monumental e de superior riqueza plástica e iconográfica, atinge na cena A Criação de Adão, o apogeu. Traduzindo o pensamento do artista-criador, a fusão do mito com a fé que esta imagem encerra, reflecte também a reconciliação do homem com Deus, no final do humanismo.
Anunciando a saturação do programa artístico renascentista, a arte de Miguel Ângelo revela-nos um mundo em mutação, já distante da crença incondicional no homem que motivou os humanistas e preconizando o despontar de uma nova época.