M10 | A Psicologia da Arte


Como apreciamos as obras de Arte
A psicologia da arte pode ser definida como a área da psicologia que tem como projecto descrever e explicar a experiência psicológica e os comportamentos relacionados com a arte, principalmente ao nível da apreciação e da criação artística, mas também no que concerne à relação dos artistas com a sua audiência, à execução artística, à crítica de arte e às próprias obras de arte. 
Qualquer das áreas anteriores pode ser perspectivada tanto em termos de uma psicologia geral da arte, que cobre os aspectos psicológicos comuns às diferentes artes, como na óptica de uma psicologia interessada nos elementos psicológicos específicos a cada uma das artes (por exemplo, uma psicologia das artes visuais diferencia-se de uma psicologia da música), ou mesmo específicos aos diferentes movimentos artísticos.
No âmbito da psicologia da arte podemos ainda apontar uma área interessada nas aplicações do conhecimento que resulta da investigação fundamental neste ramo da psicologia, no sentido do controlo e melhoramento dos processos psicológicos envolvidos na criação, na apreciação ou no desempenho da arte, assim como na utilização da arte para alcançar outros fins (e.g. educacionais, terapêuticos, informativos). Finalmente, é possível considerar uma área de reflexão epistemológica sobre a psicologia da arte, que cobre aspectos como a sua definição, âmbito, importância, história, correntes e metodologia.
O programa de investigação da psicologia da arte, alicerçado tanto em métodos quantitativos como qualitativos, justifica-se, em grande medida, pelo facto das experiências de apreciação e de criação artísticas dependerem não só da obra de arte e dos constrangimentos históricos e técnicos envolvidos na sua realização. Efectivamente, estas experiências dependem igualmente, em grande medida, dos processos psicológicos envolvidos tanto na reacção às obras de arte (e.g. percepções, emoções do espectador) como na sua criação (e.g. aprendizagem, percepção e criatividade do artista). Com efeito, sabemos que alguns dos processos psicológicos mais importantes (e.g. os processos emocionais e cognitivos; a aprendizagem) exprimem-se de forma sofisticada e relevante na experiência de apreciação e de criação da arte. Neste sentido, a psicologia da arte pode igualmente ser vista como uma chave para o entendimento da experiência psicológica em geral (e.g. Freeland, 2007). O conhecimento dos processos psicológicos envolvidos na experiência estética O conhecimento derivado da psicologia da arte constitui ainda uma importante fonte de informação para a tomada de decisões a nível da própria apreciação e produção artística, assim como para outras áreas de aplicação da psicologia como as da psicologia da educação artística, da terapia pela arte ou da psicologia social da arte.

M10 | Tríptico de Bacon é a pintura mais cara de sempre vendida em leilão


O tríptico Três estudos de Lucian Freud, de Francis Bacon, tornou-se ontem à noite na obra de arte mais cara de sempre a ser vendida em leilão. O triplo retrato do artista britânico, representando outro importante pintor do século XX que era também seu amigo, foi arrematada em Nova Iorque por 142,4 milhões de dólares (106 milhões de euros), deixando para trás O Grito, de Munch, que ocupava o primeiro lugar da lista. Esta quarta versão da célebre obra do norueguês tinha atingido num leilão de Maio de 2012 119,9 milhões de dólares (89 milhões de euros).

A obra de Bacon (1909-1992), no original Three Studies of Lucian Freud, foi vendida depois de apenas seis minutos de “licitações ferozes” – a expressão é da britânica BBC – dentro e fora da sala (ao telefone). Segundo o diário norte-americano The New York Times, foram sete as propostas de aquisição desta pintura de 1969 que nunca tinha sido levada a leilão e a compra foi festejada com aplausos entusiásticos.

Quanto ao comprador, e como é habitual nestes casos, permanece em segredo. Ainda de acordo com o New York Times, sabe-se apenas que terá sido o conhecido intermediário William Acquavella, instalado numa das cabines do andar de cima com vista para a sala, a fazer a compra em seu nome, tendo pago bem acima dos 85 milhões de dólares (63,3 milhões de euros) que a Christie's esperava conseguir pela obra em que se vê Freud (1922-2011) sentado numa cadeira de diferentes perspectivas.

“É uma verdadeira obra-prima e uma das mais excepcionais pinturas leiloadas nesta geração”, disse o responsável pelo departamento de arte do pós-guerra e contemporânea da Christie’s Europa, Francis Outred, citado pela BBC. “Marca a relação de Bacon e Freud, prestando homenagem ao parentesco criativo e emocional dos dois artistas.”

Noite "lendária"
Os dois britânicos conheceram-se em 1945 numa estação de comboios, quando estavam a caminho da casa de campo de um amigo comum e tornaram-se muito próximos de imediato. Nos anos 50, encontravam-se todos os dias para trabalhar ou passear pelo Soho. Tinham em comum a pintura, apesar de métodos e abordagens bem diferentes, e o fascínio pelo jogo – Freud apostava nos cavalos e Bacon privilegiava o casino. Era raro o dia em que não jantavam juntos.

Não é por isso de estranhar que se tivessem, de alguma forma, influenciado, e que desenhassem e pintassem retratos um do outro mais do que uma vez, antes de se distanciarem na década de 1970. Foi também nessa altura que, depois de exposto no Grand Palais (1971-72), o tríptico foi separado, voltando apenas a ser mostrado completo no Connecticut em 1999.

Há já um mês que a casa de leilões dizia esperar uma noite “lendária”, estimando superar o seu recorde de venda de uma obra em 20 milhões de euros. Ao todo, dez mil pessoas terão visitado as galerias antes do leilão. Estavam disponíveis 69 obras, que permitiram que a leiloeira arrecadasse 691,6 milhões de dólares. Apenas seis ficaram por vender. As previsões apontavam para que as vendas alcançassem os 670,4 milhões, bem acima do leilão de Maio em que se atingiu o montante de 495 milhões.

Francis Bacon figurava na lista dos artistas que mais renderam em 2012, mas ocupava um lugar na cauda com 153 milhões de dólares (117 milhões de euros), a par do chinês Fu Baoshi com 152,1 milhões de dólares (116,9 milhões de euros). Um ranking que poderá mudar neste ano de 2013 com o tríptico de Freud, que Bacon pintou no Royal College de Londres, depois de um incêndio ter destruído o seu estúdio.

Koons em primeiro
O mercado da arte contemporânea parece disposto a continuar a bater recordes graças aos coleccionadores da China, da Rússia e do Médio Oriente.

Jeff Koons - Baloon Dog (Orange)
Jeff Koons também subiu ao topo de uma lista, mas desta vez a dos artistas vivos mais caros. Baloon Dog (Orange) – escultura de grandes dimensões que pertence a uma série de cinco feita em aço inoxidável de várias cores – foi comprada por 58,4 milhões de dólares (43,5 milhões de euros). Com este valor, o americano de 58 anos ultrapassa o alemão Gerhard Richter, de 81, cuja pintura Domplatz, Mailand, foi vendida em Maio por 27,6 milhões de euros.

Gerhard Richter -  Domplatz, Mailand.


Os recordes de Koons e Bacon estão entre os dez que esta venda da Christie’s atingiu para artistas como Donald Judd, Willem de Kooning ou Ad Reinhardt.

M9 | Picasso, Matisse e Chagall entre as 1500 obras de arte descobertas num apartamento alemão

Trabalhos de Marc Chagall estão entre as obras descobertas

Peças confiscadas durante o regime nazi estavam na posse do filho de um coleccionador de arte daquele período, segundo uma investigação da revista Focus.
As autoridades alemãs descobriram num apartamento de Munique 1500 obras de artistas de renome, num espólio formado durante o período nazi, segundo uma investigação da revista alemã Focus. A publicação diz que as obras valem cerca de mil milhões de euros.

Pelo menos 300 peças fazem parte das que foram consideradas “arte degenerada” durante o regime Nazi, uma classificação para a arte moderna não germânica. O espólio encontrado inclui trabalhos de artistas como Pablo Picasso, Henri Matisse, Marc Chagall, Emil Nolde, Franz Marc, Max Beckmann, Paul Klee, Oskar Kokoschka, Ernst Ludwig Kirchner e Max Liebermann, segundo a Focus.

As obras tinham sido confiscadas durante o regime nazi, sobretudo a coleccionadores judeus. Naquela altura, algumas foram destruídas, outras acabaram vendidas a coleccionadores por preços muito baixos.

A apreensão foi feita em 2011, por acaso, quando as autoridades investigavam, por questões fiscais, um homem que é filho de um negociante de arte das décadas de 1930 e 1940. Com uma suspeita de evasão fiscal, a polícia obteve um mandado para fazer uma busca domiciliária e descobriu o vasto espólio artístico.

As obras eram guardadas em divisões fechadas e, de acordo com a Focus, o homem, um octogenário que a revista descreve como tendo uma vida solitária, vendia ocasionalmente uma obra, vivendo das receitas. Na altura da apreensão, o homem tinha uma pintura do alemão Max Beckmann a ser leiloada por 864 mil euros, numa leiloeira na cidade de Colónia.

Pelo menos 200 das obras descobertas estavam a ser procuradas a nível internacional. A acção das autoridades não foi divulgada publicamente e o espólio tem estado guardado num armazém nos arredores de Munique.

M8 | Descoberto um novo quadro de Van Gogh Pintura tem por título Pôr-do-sol em Mont Majour, e foi realizada em 1888 na Provença

O director Alex Rueger e o Pôr-do-sol em Mont Majour, de Van Gogh
A notícia surpreendeu o meio artístico mundial esta segunda-feira de manhã: o Museu Van Gogh, em Amesterdão, revelou a identificação de um novo quadro do pintor holandês. A obra foi pintada na região de Arles, em França, onde Van Gogh tinha chegado no início de 1888.
Depois de um trabalho de investigação que durou dois anos, o Museu Van Gogh pôde agora assegurar a autenticidade desta obra que mede cerca de 1 x 1 metros e pertence a um coleccionador particular, que quis manter o anonimato.
“Uma descoberta com esta importância nunca tinha acontecido até agora na história do Museu Van Gogh”, escreveu em comunicado o director da instituição, Axel Rüger. O texto, citado pela imprensa internacional, acrescenta: “É já uma raridade que um novo quadro possa ser acrescentado à obra de Van Gogh. Mas o que torna esta descoberta ainda mais excepcional é tratar-se de um trabalho de um período de transição na sua obra, e, para além disso, uma pintura de grande dimensão pertencente a um período que é considerado por muitos como o culminar da sua criação artística”.
Na investigação que efectuaram sobre o quadro, os dois especialistas na obra de Van Gogh ligados ao museu de Amesterdão, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, confirmaram a similitude dos pigmentos com os que o pintor usou noutros trabalhos feitos em Arles, na mesma altura – nomeadamente na pintura The Rocks (actualmente na colecção do Museu de Belas Artes de Huston, EUA).
São também conhecidas referências feitas por Van Gogh (1853-1890) à paisagem de Mont Majour representada no quadro agora identificado. Numa carta ao seu amigo Émile Bernard, pintor e escritor francês – citada pela jornalista do New York Times, Nina Siegal –, Van Gogh dizia que se tinha deslocado mais de 50 vezes “para ver a paisagem da planície”, que descreveu como “uma enorme extensão de terra plana”, cheia de vinhas e de campos de trigo ceifado. Uma paisagem que Van Gogh também já tinha imortalizado no quadro Colheita em La Crau, com Mont Majour em fundo, igualmente de 1888. 
Além disto, Pôr-do-sol em Mont Majour surgia também identificado na listagem da colecção de Theo Van Gogh, irmão do pintor, em 1890. O quadro seria depois vendido em 1901, um ano após a morte do autor de Os Girassóis – que, como se sabe, morreu sem ter conseguido vender nenhuma das suas obras.

Pôr-do-sol em Mont Majour vai agora ser mostrado ao público a partir de 24 de Setembro, integrado na exposição Van Gogh at Work, que o Museu de Amesterdão tem patente desde Maio e até 12 de Janeiro de 2014.

Banksy pôs à venda os seus trabalhos por pouco mais de 40 euros

Na banca estiveram à venda alguns dos trabalhos mais conhecidos do artista BANKSY
Quando uma obra de Banksy aparece num qualquer leilão de arte, pode valer vários milhares de euros. Mas quando é o próprio artista que decide pôr à venda os seus trabalhos, numa manobra irrepetível, têm o preço único de 60 dólares (pouco mais de 44 euros). Foi o que aconteceu este sábado em Nova Iorque. Não houve aviso, passou despercebido a alguns e ao final do dia ainda muitas telas estavam por vender. Mais depressa a maioria das pessoas pensou que na banca montada nos arredores do Central Park estavam falsificações e não originais do icónico artista britânico.
Banksy não apoia o mercado da arte. Quem há muito tempo segue o artista sabe que quando uma ou outra obra do britânico aparece em leilão é porque esta foi “retirada” de alguma parede, sem a autorização do artista, que por várias vezes já se manifestou contra a venda dos seus trabalhos. No seu site, por exemplo, existe um separador para a loja online, onde na verdade não há nada à venda – Banksy disponibiliza os seus próprios desenhos para impressão. É uma espécie de "faça você mesmo". Quer uma caneca, uma t-shirt ou um saco com um trabalho de Banksy? Imprima e mande fazer em qualquer lado. Neste momento este separador só não está disponível porque o site de Banksy está dedicado à sua residência em Nova Iorque.
Foi, aliás, no âmbito desta iniciativa, intitulada Better Out Than In, na qual Banksy todos os dias, durante o mês de Outubro, revela um novo trabalho nas ruas de Nova Iorque, que o artista instalou uma banca de venda nos arredores do Central Park. No site, transformado em diário desta residência, Banksy divulgou este domingo um vídeo, a contar a acção.
“Ontem montei uma banca no jardim para vender telas 100% originais assinadas por Banksy. Cada uma por 60 dólares”, lê-se no site do artista natural de Bristol, Inglaterra, cuja identidade ninguém conhece. E para aqueles que ainda pensaram que por estes dias encontrariam a banca, o artista deixa ainda uma mensagem: “A banca já não vai estar lá hoje.”
No vídeo, registado por uma câmara oculta, vê-se que a primeira venda acontece apenas da parte da tarde, ou seja, de manhã a banca passou despercebida ou pelo menos ninguém lhe deu valor. E mesmo quem comprou não teria a certeza do que estava a comprar. Assim se nota na primeira venda do dia que acontece às 15h30, quando uma senhora decide comprar duas telas para oferecer aos seus filhos. E isto, só depois de ter negociado um desconto de 50%.


Meia hora depois, uma senhora da Nova Zelândia, como é identificada no vídeo, compra duas obras. Mais de uma hora depois, volta a acontecer uma nova compra, quando um homem de Chicago compra quatro telas para “decorar a sua nova casa”.


Damien Hirst dá à luz novos trabalhos no Qatar

Duas das esculturas em bronze do artista britânico em Doha
O artista inglês estreou 14 esculturas gigantes e é alvo de uma grande retrospectiva em Doha
Um dos artistas mais famosos do mundo, o britânico Damien Hirst, precisa de mostrar trabalho em contextos não ocidentais e o Qatar, o país mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, quer impor-se como um dos centros mundiais da arte contemporânea.
Desta equação resulta uma retrospectiva da obra de Damien Hirst, de 48 anos, e 14 novas esculturas, que estão desde a semana passada em exposição em Doha, capital do Qatar, naquela que é a primeira grande mostra individual do inglês no Médio Oriente.
Em termos estratégicos, parece fazer sentido, se tivermos em atenção que - especialmente na Europa e EUA - a sua presença, segundo o próprio artista, se tornou saturante. Da parte do Qatar, a aposta nele também tem lógica, porque aquele país do Médio Oriente tem arriscado uma estratégia de criar projectos monumentais, desafiando arquitectos e artistas de renome, numa espécie de passaporte para a modernidade.
Comecemos pelas esculturas. Segundo o New York Times, tudo terá começado com uma visita da xeque Al Mayassa Hamad bin al-Thani, de 30 anos, presidente da Autoridade dos Museus do Qatar e irmã do novo emir, ao estúdio de Damien Hirst em 2009.
O objectivo era persuadi-lo a criar um projecto de esculturas ao ar livre, para colocar na proximidade do Centro Médico e de Investigação Sidra, dedicado à saúde das mulheres e crianças. Ele propôs criar um conjunto de 14 esculturas de bronze de dimensão monumental, oscilando entre os cinco e os 14 metros, que representariam as diferentes fases da concepção humana, da fecundação até ao nascimento.
Nome da intervenção: A Viagem Milagrosa. "O projecto nasceu do desejo de criar qualquer coisa de monumental e ao mesmo tempo de fundamentalmente humano", justificou. "Em última instância, a viagem de um bebé até ao nascimento é o que de mais grandioso irá experimentar na sua vida humana. Espero que as esculturas transmitam a quem as vê essa sensação de assombro e maravilhamento sobre esse extraordinário processo humano."
Para além das esculturas, foi também organizada pela Autoridade dos Museus do Qatar uma retrospectiva gigante do trabalho de Damien Hirst, que passa em revista 27 anos de carreira, intitulada Relics. Estará patente no espaço de exposições Al Riwaq até 22 de Janeiro e os muitos visitantes de todo o Médio Oriente que se esperam poderão ver alguns dos seus trabalhos mais icónicos como o tubarão em decomposição (The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living) ou o crânio com mais de oito mil diamantes incrustados.
Mesmo para um país que tem apostado na arte como forma de se abrir ao mundo e ao mesmo tempo de estabelecer pontes com o Ocidente, a instalação de Damien Hirst eleva a aceitação da arte ocidental a um novo patamar.
Ao New York Times, disse que as esculturas em nada colocam em causa a tradição islâmica vigente no país. "Mostrar um trabalho como este é menos ousado do que ter uma série de nus", afirmou. "Há um verso no Corão que fala do milagre do nascimento. Nada do que está aqui vai contra a nossa cultura ou religião", garantiu.
Ao som de um bater de coração amplificado, a família real do Qatar compareceu à inauguração. Ao lado de responsáveis governamentais e da comunidade artística local, viram rebentar os balões que escondiam as esculturas provocadoras, como lhes chamou o jornal norte-americano. E o jornal fazia um contraponto: há muitas mulheres em Doha que usam abaya, que lhes cobre o corpo, ou niqab, que lhes tapa o rosto; é comum as imagens de mulheres serem censuradas nos livros e revistas; mesmo a representação do corpo humano não é habitual.
Já se sabe que Damien Hirst só trabalha com grandes números, ou não fosse um dos artistas vivos mais ricos do mundo. O Qatar, abonado em gás natural e petróleo, com 1,7 milhões de habitantes e o PIB per capita mais alto do mundo (segundo a Forbes), terá pago 15 milhões de euros pela produção das esculturas, que, no seu conjunto, pesam 216 toneladas.

Como se percebe, a grande entusiasta da presença da arte contemporânea no Qatar é Al Mayassa, alguém que circula com desenvoltura por eventos internacionais de arte e uma das patrocinadoras da retrospectiva de Damien Hirst, o ano passado, na Tate Modern de Londres. Formada em Ciências Políticas e Literatura nos Estados Unidos, tem sido um dos principais rostos das movimentações culturais do Qatar, propondo-se a actualizar o país através da arte. Uma acção que não vai abrandar para já, estando previstos mais dois museus para Doha: o museu nacional do Qatar, concebido por Jean Nouvel, e o museu orientalista, desenhado pelos arquitectos suíços Herzog & De Meuron


Mãe de ladrão terá queimado quadros de Picasso e Monet


Obras de Monet, Gauguin, Matisse e Picasso poderão ter sido queimadas pela mãe de Radu Dogaru, o romeno acusado de ter assaltado, em Outubro de 2012, o museu Kunsthal, em Roterdão, na Holanda. Uma equipa de técnicos do Museu de História Natural da Roménia está neste momento a investigar um monte de cinzas provenientes da casa de Olga Dogaru, que alega ter-se desfeito das telas para proteger o filho.
Uma porta-voz da procuradoria romena, Gabriela Chiru,  diz que a polícia “não acredita necessariamente no relato” de Olga Dogaru e avisa que os peritos poderão necessitar de vários meses até chegarem a conclusões fiáveis.
Se a mãe de Radu estiver a dizer a verdade, ter-se-ão irremediavelmente perdido obras de arte tão relevantes como a Cabeça de Arlequim (1971), de Pablo Picasso, duas das célebres telas impressionistas de temática londrina (Waterloo Bridge e Charing Cross Bridge) que Claude Monet pintou no princípio do século, a Leitora em Branco e Amarelo (1919), de Henri Matisse, a Mulher diante de Uma Janela Aberta, de Paul Gauguin, a Mulher com os Olhos Fechados, de Lucien Freud, e um Auto-retrato de Meyer de Haan, datado do final do século XIX.
Provenientes da colecção privada da Fundação Triton, reunida pelo multimilionário Willem Cordia, falecido em 2011, as sete telas roubadas da Kunsthal poderiam render, em leilão, dezenas de milhões de euros.
Radu Dogaru foi detido em Janeiro, juntamente com dois alegados cúmplices, Alexandre Bitu e Eugen Darie, mas todos eles continuam a negar qualquer envolvimento no bem preparado assalto-relâmpago que o museu holandês sofreu no dia 16 de Outubro de 2012, quando um número desconhecido de ladrões entrou por uma saída de emergência, de madrugada, e roubou várias telas que integravam uma exposição comemorativa dos 20 anos da Kunsthal.
A polícia chegou ao museu menos de cinco minutos após os assaltantes terem feito soar o alarme, mas já só encontrou os espaços vazios nas paredes e rastos de um carro no relvado que existe nas traseiras do edifício projectado por Rem Koolhaas.
Prevê-se que os três suspeitos, incriminados na sequência de tentativas frustradas para vender as obras, venham a ser julgados já no próximo mês de Agosto. As declarações de Olga Dogaru parecem confirmar que o seu filho foi mesmo um dos autores do roubo, mas se a análise das cinzas for inconclusiva, o desaparecimento dos quadros pode também dificultar a tarefa da acusação. E segundo a agência noticiosa Mediafax, que noticiou a alegada destruição das obras, o objectivo confesso de Olga Dogaru foi mesmo o de destruir provas que pudessem servir para incriminar o filho.

De acordo com a Mediafax, a mãe de Radu Dogaru terá declarado aos investigadores que começou por enterrar as telas, primeiro no jardim de uma casa abandonada e depois num cemitério. Já depois da prisão do filho, e assustada com a visita da polícia a sua casa, decidiu então queimar as pinturas. Ainda segundo a Mediafax, terá usado uma panela grande, que encheu com pedaços de madeira, uns chinelos e outros combustíveis que tinha à mão.

O Rembrandt que o Reino Unido não quer perder

Rembrandt a sorrir, pintado em 1628, fica no Reino Unido pelo menos até Outubro 

São muitos os auto-retratos conhecidos de Rembrandt, mas são raros aqueles em que o mestre holandês aparece a sorrir. Há um, no entanto, no qual o pintor surge ainda jovem e com um ar leve e feliz. Rembrandt a sorrir, pintado em 1628, é o nome da obra, avaliada em 16,5 milhões de libras (cerca de 19 milhões de euros)e que está agora a ser disputada, se assim se pode dizer, entre o Reino Unido e os Estados Unidos. O que está a acontecer é que um museu norte-americano comprou a pintura, mas o Governo britânico aplicou uma licença excepcional que a impede de sair do país durante um tempo.
Mais do que impedir a saída da obra, ainda que temporariamente, aquilo que o Governo britânico procura com esta medida é ganhar tempo para até Outubro, data em que termina a licença excepcional, encontrar financiadores ou compradores que possam adquirir a obra para o Estado.
A lei britânica prevê que estrangeiros que comprem obras de arte com mais de 50 anos de antiguidade e que estejam até então em território do Reino Unido possam ver as suas compras vetadas, se estiverem reunidas duas condições.
A primeira é que as autoridades culturais, neste caso o Ministério da Cultura, considerem que a obra em questão tenha um “significado especial” e a segunda é que uma instituição britânica pague o valor correspondente da venda (neste caso os 19 milhões de euros) de forma a adquirir a obra ao proprietário original no lugar do comprador estrangeiro.
A primeira medida já foi tomada pelo ministro da Cultura, Ed Vaizy, que congelou a exportação do quadro. Com esta acção, o Governo britânico tem três meses para encontrar um comprador que possa “garantir esta extraordinária pintura para a nação, onde possa ser estudada e apreciada por todos”, como defende ao The Guardian Ed Vaizy. Se até Outubro algum interessado aparecer e precisar de mais tempo para angariar dinheiro, a licença excepcional que impede a saída da obra poderá ser estendida por mais seis meses.
Embora o processo pareça complicado, é já uma prática recorrente no Reino Unido, que ainda há pouco tempo não conseguiu impedir a saída de uma famosa pintura de Picasso do período azul, Menina com pomba, que o artista pintou em 1901, aos 20 anos. O quadro foi comprado pela família real do Qatar por 50 milhões de libras (cerca de 60 milhões de euros) e nem depois de três meses o Governo conseguiu um interessado disposto a pagar a mesma soma de forma a impedir a saída do quadro.
No caso deste Rembrandt, cujo tamanho não difere muito de uma folha A4, a sua compra foi anunciada em Maio pelo J. Paul Getty Museum, na Califórnia, que possui uma das melhores colecções de antiguidades do mundo.
Timothy Potts, director do museu, reagiu em comunicado, escrevendo que compreende e respeita o processo. “Estamos ansiosos por uma resposta positiva e pela oportunidade de acrescentar esta pintura excepcional à nossa colecção”, acrescentou Potts, que comprou a obra, depois de durante anos ter estado erradamente atribuída a um seguidor de Rembrandt.
Autentificar obras de Rembrandt é, segundo os especialistas e os historiadores, uma tarefa muito difícil, porque o pintor gostava de encorajar os seus alunos e aprendizes a copiar as suas próprias obras. Muitas das vezes, Rembrandt ajudava a terminar as obras ou dava-lhes até os últimos retoques. No entanto, desde 2008, com o recurso a tecnologia avançada, foram já vários os trabalhos, anteriormente atribuídos aos seus alunos, reclassificados como obras de arte de Rembrandt.
Habituais também são já os processos que envolvem o J. Paul Getty Museum e o Reino Unido. O interesse da instituição norte-americana por obras importantes em território britânico é recorrente. Em 1997, o museu conseguiu levar para os Estados Unidos uma paisagem de Poussin. Antes disso, em 1994, o museu tentou comprar a obra Três Graças, de Canova, por 12 milhões de dólares (9 milhões de euros), mas o Victoria and Albert Museum, em Londres, uniu-se às National Galleries of Scotland e conseguiu a mesma soma.  
Mais recentemente, em 2002, o museu quis comprar A Madona dos Cravos, de Rafael, por 46,6 milhões de dólares (35,5 milhões de euros), mas o Governo britânico accionou as mesmas medidas e através do dinheiro gerado pela lotaria nacional e dos apoios já existentes às artes conseguiu impedir a sua saída, estando desde então em exposição na National Gallery, em Londres.
Há, porém, quem considere que a saída deste Rembrandt não é um problema para o Reino Unido. No The Guardian, a socióloga cultural Tiffany Jenkins defende que a forma “dramática” como se tem falado deste caso faz parecer que a pintura está em risco, o que, segundo Jenkins, não é o caso.
“Se a pintura for para a América, não ficará perdida. Não vai voltar a estar fechada ao mundo numa colecção privada”, escreve a socióloga, acrescentando que esta será “um bom acrescento para uma instituição que tem o dinheiro para a adquirir e cuidar dela, que é o que interessa”.

Los Angeles Times escreve ainda que será difícil para o Estado britânico comprar a obra, uma vez que os cortes na Cultura têm sido muito grandes nos últimos anos. O jornal lembra o recente episódio de 2011, em que o mesmo museu comprou uma paisagem de Roma de um dos maiores mestres britânicos, J.M.W. Turner. Ninguém conseguiu impedir a saída do quadro de 44,9 milhões de dólares (34,3 milhões de euros).

Picasso volta a ser expulso do seu estúdio de Paris

Picasso no atelier da Rue des Grands Augustins, pintando Guernica 
Na fachada do n.º 7 da Rue des Grands Augustins uma placa discreta denuncia a singularidade do lugar: “Pablo Picasso viveu neste edifício entre 1936 e 1955. Aqui pintou Guernica, em 1937.” Por baixo, a indicação de que o escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) situa ali a acção de um dos seus contos,A Obra-Prima Ignorada. É um daqueles palacetes carregados de histórias e de personagens que fazem parte da memória dos séculos e de uma certa maneira de ver Paris como cidade de boémia e de artistas, onde acontecem coisas especiais.
Bastaria Guernica, uma das pinturas mais icónicas de sempre, ter nascido naquele velho prédio que agora é objecto de polémica para que valesse a pena inscrevê-lo nos roteiros da cidade.
Segundo uma ordem do tribunal a que os jornais Le MondeLibération e El País fazem referência, a associação que nos últimos dez anos tem garantido a integridade do atelier do pintor de Málaga, sem pagar qualquer tipo de renda, tem até sexta-feira para o deixar vago.
A decisão judicial vem na sequência de um processo entreposto pela proprietária, a Câmara dos Oficiais de Justiça de Paris (funcionários dos tribunais encarregues de, por exemplo, executar penhoras) contra a referida organização privada de divulgação artística, o Comité Nacional para a Educação Artística (CNEA).
Em 2002 as duas entidades celebraram um acordo de mecenato que permitia à associação ocupar gratuitamente o estúdio - onde entretanto diz ter organizado qualquer coisa como 700 concertos, exposições e ateliers pedagógicos -, tendo como única obrigação a reforma do espaço. O problema, alegam os representantes dos oficiais de justiça, é que esse acordo expirou em 2010 sem que o CNEA abandonasse as instalações.
“Estava abandonado e nós renovámo-lo inteiramente, respeitando o seu aspecto original”, disse Alain Casabona, o principal responsável pelo CNEA, citado pelo diário espanhol El País. As grossas vigas de madeira do tecto foram mantidas, assim como o gancho onde Picasso acreditava ter sido torturado Ravaillac, o homem que matou o rei Henrique IV, no começo do século XVII. O quarto do pintor, hoje transformado em escritório, ainda conserva o sofá original e esconde muitos tesouros, como desenhos originais e a bandeira de França que o escritor norte-americano Ernest Hemingway lhe trouxe das barricadas no dia da libertação de Paris, em Agosto de 1944.
“O atelier não está em perigo”, assegurou Alexandra Romano, do serviço de comunicação da Câmara dos Oficiais de Justiça. “A vida da associação não tem nada a ver com a do estúdio.” Para os proprietários, é necessário fazer obras em todo o edifício e, com a actual situação económica, não se justifica continuar a ceder gratuitamente um espaço de 250 m2 a uma associação privada. “Não podemos permitir-nos manter este mecenato”, explicou Romano. “Há anos que são ‘ocupas’. Têm de sair.”
Segundo o diário francês Libération, a acção para expulsar a associação do atelier foi entreposta num tribunal parisiense em Junho e a resposta foi pronta. Em 2009, um ano antes de findar o acordo de mecenato, a proprietária enviara uma carta ao CNEA alertando para a proximidade da data.
Há rumores de que, depois de vendido, o edifício será transformado num hotel de luxo. “Ainda há que avaliar”, disse Casabona ao diário francês Libération a 20 de Junho, sem adiantar nomes: “Encontrámos um potencial interessado no imóvel, prestigiado”, acrescentou, “e que é herdeiro directo da família Picasso”. Segundo o responsável da associação, as negociações entre a Câmara dos Oficiais de Justiça e este familiar que estaria disposto a a arrendar todo o edifício e a manter o CNEA no sótão, estão ainda a decorrer, mas até agora nada se sabe.
Preocupado com a manutenção do atelier do pintor, o CNEA, associação privada que existe há já meio século, criou uma comissão para organizar uma campanha de apoio à sua salvaguarda e pôs à frente deste grupo de pressão um amigo de Picasso, o fotógrafo Lucien Clergue. Esta comissão elegeu como principal objectivo a classificação do atelier como património, a que se juntou depois o pedido do autarca do VI bairro de Paris (onde fica a Rue des Grands Augustins), Jean-Pierre Lecoq, para que seja inscrito nos roteiros culturais como “lugar de memória”.
Apoiado por um naipe de personalidades de várias áreas, como a actriz Charlotte Rampling, o violinista Didier Lockwood e o histórico presidente da Comissão Europeia Jacques Delors, Clergue escreveu ao Presidente francês, François Hollande, solicitando-lhe que se ocupasse do assunto com urgência. Lecoque enviou uma carta à ministra da Cultura, Aurélie Filipetti. Hollande, por sua vez, já reencaminhou o pedido feito pelo CNEA para Filipetti e espera que a ministra seja rápida a resolver a situação. Esperam-se novidades nos próximos dias.


Uma casa com muitas visitas
Picasso (1881-1973) chegou ao sótão do palacete em 1936, no seu exílio parisiense, por recomendação do actor e encenador Jean-Louis Barrault, que acabara de o deixar vago e que, mais tarde, viria a referir-se ao estúdio, intensamente frequentado pelos surrealistas, como uma “república ideal”.
O facto de Balzac ter escolhido o edifício como cenário para a sua comédia A Obra-Prima Ignorada acabou por convencer o artista a ficar – o mestre catalão era seu admirador – e o título do conto em causa permitiu ao célebre fotógrafo Brassaï brincar com as palavras no seu livro Conversations avec Picasso (1965). “Assim, no lugar da obra-prima desconhecida [ou ignorada, na tradução em português], Picasso pintaria a obra-prima bem conhecida”, escreveu, referindo-se a Guernica, que hoje faz parte da colecção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid.
Picasso conservaria o estúdio durante 19 anos, até de lá ser expulso à pressa, em 1955, para que o edifício tivesse outros usos (escola da câmara dos oficiais, com o sótão a servir de mera arrecadação).
Durante esse período de intensa actividade artística e de uma vida familiar tranquila (pelo menos nos dez anos em que lá viveu a jovem pintora Françoise Gilot, mãe dos seus filhos Claude e Paloma), o velho atelier era lugar de tertúlia e de criação. Artistas, filósofos e escritores como Jean Cocteau, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Valentine Hugo e Albert Camus eram visitas regulares.
Brassaï (1889-1984) fotografou-o naquele estúdio muitas vezes e admitia que o amigo se tinha apaixonado por aquele lugar à primeira vista. Dora Maar, que viria a ser sua amante, registou intensamente os 33 dias que Picasso demorou a pintar Guernica, uma encomenda republicana para o pavilhão espanhol da Feira Internacional das Artes e das Técnicas da Vida Moderna de Paris, em 1937. A obra, hoje um símbolo que evoca os horrores da guerra, foi inspirada no bombardeamento alemão da pequena cidade basca de Guernica – era dia de mercado e o ataque dos aviões da Legião Condor deixou o povoado em ruínas e centenas de mortos.

O velho estúdio está ligado a esta e a outras memórias do mestre de Málaga. Brassaï acreditava que por lá também andava o fantasma de Balzac.

Charles Saatchi vai leiloar 50 esculturas da sua colecção milionária

A decisão de vender 50 peças da sua colecção nada terá a ver com a polémica em que tem estado envolvido nas últimas semanas
O conhecido publicitário e coleccionador de arte contemporânea Carles Saatchi, que recentemente se divorciou de estrela televisiva da culinária Nigella Lawson, depois de os seus actos de violência doméstica se verem publicamente expostos pela imprensa mundial, vai leiloar 50 esculturas da sua conhecida colecção. O leilão acontece em Outubro e ao contrário do que é habitual todas as obras vão à praça sem um preço inicial estipulado.
A ideia de quebrar o modelo tradicional dos leilões partiu de Saatchi, considerado um dos maiores coleccionadores de arte contemporânea do mundo, e já está a gerar algum desconforto no meio, que teme a desvalorização dos artistas em questão. Sem uma base de licitação mínima, como sempre acontece, e que estabelece o preço mínimo a que certa obra pode ser compradas, o mundo das artes plásticas teme o risco de preços de saldo.
Em causa, segundo o jornal britânico The Guardian, estão obras conhecidas de autores tão emblemáticos da arte britânica das últimas décadas como Tracey Emin, que terá em leilão a sua cama de dossel, comprada por Saatchi em 2002. Mas, na venda, que ficará a cargo da Christie’s de Londres, estarão também esculturas da alemã Isa Genzken, da belga Berlinde de Bruyckere, da escocesa Karla Black e do canadiano David Altmejd, artistas que este ano representam os seus países na Bienal de Veneza. Kader Attia, David Batchelor, Björn Dahlem e a dupla Jake e Dinos Chapman.
A Christie's ainda não tem online qualquer tipo de informação sobre o leilão nem as peças que serão vendidas. Os nomes avançados pelo Guardian, apontam, porém, para o tipo de artista que sempre interessou a Saatchi, que foi um dos orquestradores do movimento informal conhecido como Young Bristish Art que na década de 1990 revolucionou a cena internacional da arte contemporânea.
O leilão está marcado para 17 de Outubro, coincidindo com a data de abertura da feira de arte contemporânea de Londres, a Frieze Art Fair. Fugindo também ao habitual, a venda não acontecerá na leiloeira mas num antigo armazém dos Correios no centro de Londres, devido à dimensão das peças e instalações que vão à praça.
Sobre a forma como a venda vai acontecer, sem preços marcados, o The Guardian escreve que algumas das peças poderão ser licitadas pelos próprios artistas, numa tentativa de garantir que o seu valor de mercado não desça, mantendo assim a sua reputação.
Segundo Philippa Adams, directora da Saatchi Gallery, que fica em Londres, e à qual pertencem estas obras, o lucro do leilão reverterá para programas educacionais e para manter as entradas gratuitas na galeria. Ainda segundo esta responsável, citada pelo Guardian, o anúncio do leilão não está em nada relacionado com o divórcio de Saatchi, oficializado esta semana. O jornal britânico diz, na verdade, que houve quem sugerisse que este anúncio surgiu agora para tentar fazer esquecer os mais recentes incidentes.
Em Junho um tablóide britânico publicou fotografias em que o coleccionador de arte apertava o pescoço à mulher com quem estava casado há dez anos. Nigella acabou depois por apresentar queixa por violência doméstica, estando a Scotland Yard a analisar o caso. Mas Adams garante: “Não tem absolutamente nada a ver com o divórcio. Há muito tempo que estamos a trabalhar nisto.”
Adams explicou ainda ao The Guardian que a ideia deste leilão sem preços é que as obras possam ser compradas para colecções públicas, onde possam ser apreciadas por todos. “Achamos que é muito importante abrir as coisas e dar uma oportunidade aos museus para poderem adquirir estes trabalhos – eles precisam de ser apreciados e vistos.”
Vender obras antes acarinhadas é já habitual em Saatchi, que, como escreve oThe Guardian, não tem uma colecção “estática”, mas sempre “fluida”. Pontualmente, o coleccionador vende peças para, com os lucro, adquirir outras.

Em 2010, Saatchi, actualmente com 70 anos, anunciou que quando se reformar, a Saatchi Gallery e 200 das suas obras de arte passarão para as mãos do Estado britânico, tornando-se propriedade pública.

A Google Art Project



Um roteiro perfeito para muitos aficionados da arte seria poder visitar no mesmo dia, e até na mesma hora, o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, para ver A Noite Estrelada de Van Gogh, e depois passar pela Galleria degli Uffizi, em Florença, onde está exposto O Nascimento de Vénus, de Botticelli. Não será por acaso que estas são as obras mais populares do Google Art Project, que em apenas dois anos conseguiu juntar na mesma plataforma mais de 200 museus e galerias de todo o mundo. Portugal está representado pelo Museu Colecção Berardo, mas Amit Sood, fundador do projecto, quer muito mais. "Portugal tem excelentes colecções, estão à espera de quê?"
Via Internet, o Google Art Project traz-nos a casa cerca de 40 mil obras de arte em alta definição de alguns dos maiores mestres. Da arte antiga à contemporânea, da pintura à cerâmica, da Índia e China ao Irão e Portugal, o leque é amplo. Como se de um grande catálogo se tratasse, o Google Art Project, lançado em Fevereiro de 2011, conta já com cerca de 230 parcerias com museus de 43 países. À primeira vista, o crescimento é grande, mas Amit Sood, actualmente também director do Google Cultural Institute, é um homem da tecnologia e ambiciona chegar mais longe. "Quando há dois anos começámos este projecto, achámos que ia ser tudo muito mais rápido. Por que é que alguém não se quereria juntar a isto?", diz Amit Sood ao PÚBLICO por telefone, explicando que rapidamente percebeu que o mundo dos museus não pensa nem age da mesma forma que a gente do digital. "Não podemos obrigar o sector dos museus a entrar de repente no mundo da Internet, isso não vai funcionar. O mundo dos museus é um mundo baseado na confiança, nas relações e por isso tudo isto levou algum tempo a acontecer."
Ainda assim, nestes dois anos o Google Art Project chegou a acordo para disponibilizar online algumas obras de instituições como o Museu Rainha Sofia, em Madrid, a Tate Britain e a National Gallery de Londres, o Metropolitan de Nova Iorque, o Rijksmuseum de Amesterdão, ou o Palácio de Versalhes, em França. Há ainda grandes ausências, como o Museu do Louvre, o mais visitado do mundo (dez milhões de visitantes em 2012) que ainda não aderiu - não por falta de empenho de Amit Sood. "Só eles podem dizer por que é que não estão no Google Art Project. É óbvio que tentámos tê-los connosco, mas a verdade é que não podemos passar muito tempo a falar com um parceiro, porque este é um projecto sem fins lucrativos e comerciais e não temos muitos recursos", diz. "Falamos com um parceiro uma, duas, três vezes, mas depois disso temos de seguir para o próximo", explica. E dá o exemplo de Portugal.



O Museu Colecção Berardo, em Lisboa, é para já o único português com obras no Google Art Project. "Vocês têm tantos museus, o único problema é que não tenho recursos para nos focarmos em Portugal. Mas se alguém estiver interessado, estarei disponível para falar", garante Amit, dando como exemplo de candidatos de relevo o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu dos Coches, o Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e o portuense Museu de Arte Contemporânea de Serralves. "Estar no Google traz audiências de todo o mundo. Temos assistido a um grande fluxo de pessoas de países como China, Índia, Brasil. Estas são as grandes economias emergentes e estas são as pessoas que vão começar, e já começaram, a viajar", sublinha, alertando os responsáveis portugueses: "Quanto mais conseguirmos expor os museus portugueses, maior a probabilidade de estas pessoas viajarem para Portugal."

As obras de arte mais procuradas no Google Art Project:

Um Tintoretto esteve até agora erradamente atribuído a Schiavone | M5

Há décadas que o Victoria & Albert Museum de Londres tem uma pintura de Jacopo Tintoretto (1518-1594) sem saber. Tudo porque a obra O Embarque de Santa Helena à Terra Santa, de 1555, estava erradamente atribuída ao seu contemporâneo Andrea Schiavone (1510/1515-1563). A pintura, que entrou para a colecção do importante museu londrino em 1865, esteve todo este tempo mal catalogada e só agora foi detectado o erro devido a uma nova e exaustiva investigação que pretende catalogar todas as pinturas a óleo europeias em território britânico. Foi a partir desta investigação que os peritos conseguiram perceber que O Embarque de Santa Helena à Terra Santa é uma das três pinturas da série que Tintoretto dedicou à lenda de Santa Helena. Helena foi a mãe de Constantino, o primeiro imperador romano a converter-se ao cristianismo, e conta a lenda que Helena encontrou a cruz onde Cristo foi crucificado. As outras duas obras que retratam esta história estão em duas galerias norte-americanas, escreve o The Guardian. “Apesar da sua claríssima alta qualidade, esta pintura era um quebra-cabeças”, lê-se no comunicado do Victoria & Albert Museum, que explica que na origem do erro esteve a tela pouco usual para pinturas pequenas e ainda o facto de nunca se ter conseguido determinar o tema, até agora. “Foi catalogado como um trabalho de Andrea Schiavone, um artista veneziano de origem croata”, continua o comunicado, admitindo que no entanto o estilo utilizado na obra “é típico dos primeiros trabalhos de Tintoretto”. A obra já pode ser vista no museu londrino, agora correctamente assinada. O Embarque de Santa Helena à Terra Santa faz parte da exposição Research On Paintings: Technical art history and connoisseurship, onde são apresentados alguns dos resultados desta investigação, que pretende catalogar e digitalizar cerca de 22 mil obras pré-1900 de artistas europeus que pertençam a colecções públicas britânicas. Neste momento, segundo a BBC, já foram estudadas mil pinturas.

O Banksy desaparecido dum mural em Londres foi vendido por um milhão | M10

Mural que desapareceu de Wood Green, no norte de Londres

Provavelmente o artista de rua mais conhecido do mundo, o britânico Banksy está a assistir à valorização crescente da sua obra – mas não é ele que está a lucrar com ela. O agora famoso mural do writer de grafitti que desapareceu de Wood Green, no norte de Londres, em meados de Fevereiro, já terá sido vendido em leilão por um milhão de euros. Os seus proprietários serão os donos do prédio em cuja parede foi pintado o stencil de uma criança que costura bandeiras do Reino Unido. Slave Labour (Bunting Boy) foi à praça no domingo através da empresa de serviços Sincura Group, tendo esta sido a segunda investida do seu proprietário no mercado. Poucas semanas depois de ter desaparecido de Wood Green, o stencil que já foi interpretado como uma crítica ao Jubileu da rainha Isabel II ou como um comentário sobre o trabalho infantil, surgiu para venda em Miami. Mas, na altura, a população de Wood Green estava mobilizada contra o desaparecimento de Slave Labour da parede exterior de uma das suas lojas e os protestos chegaram a Miami. A comunidade, que encarou a subtracção deste Banksy como um roubo de um presente que o street artist teria dado ao bairro, protestou mesmo nas ruas contra a perda da obra e o concelho de Haringey, onde fica Wood Green, apoiou essa campanha, levando-a aos palcos internacionais, visando a devolução da obra. Sem apresentar explicações e, segundo a BBC, já quando o leilão de Slave Labour tinha começado, a Fine Art Auctions Miami cancelou a venda em Fevereiro – as suas expectativas do valor da venda chegavam aos 517 mil euros Em Maio, novo desenvolvimento: o Sincura Group, que se apresenta como “porta de entrada para uma vida VIP” que “começou como uma organização secreta” que “conseguia acesso ao inacessível”, anunciava que iria vender a peça, bem como outros trabalhos de artistas  como Damien Hirst, Andy Warhol ou o fotógrafo Mario Testino. O evento, que juntaria exposição e leilão, estava agendado para dia 2, sendo Slave Labour uma das suas peças centrais. Num comunicado datado de 11 de Maio, o Sincura Group afirmava ter investigado a proveniência do mural, que diz ter sido “legalmente resgatado”, frisando que “os actuais proprietários e o seu representante estão a agir de boa fé”. Esses proprietários, confirmou à Bloomberg Robin Barton, marchand de arte especializado em Banksy e que representa os vendedores do mural, são Robert Alan Davis e Leslie Steven Gilbert, os donos da imobiliária Wood Green Investments, que detém o edifício onde o artista pintou a obra e que - sendo uma questão legal em aberto - considera ser a legal detentora da obra. A obra “sofreu um extenso restauro” desde “a sua remoção”, lê-se na mesma nota de Maio do Sincura, assinada pelo seu director, Tony Baxter. Nela, o grupo dizia ainda que esta seria “mostrada pela primeira e única vez no Reino Unido antes de ser devolvida aos Estados Unidos onde fará parte de uma importante colecção privada de obras de Banksy”. A 30 de Maio, segundo disse à Bloomberg Robin Barton, já existia uma oferta de cerca de 765 mil euros por parte de um colecionador privado norte-americano. Mas a peça iria ainda assim a leilão com o Sincura Group, na expectativa de atingir valores mais elevados. Barton detalhou, sobre o evento à porta fechada, que no final da noite de domingo o grupo recebera três licitações acima das 881 mil euros, e que iria reunir-se com os proprietários para avaliar as ofertas em cima da mesa. Banksy não confirmou nunca a autoria da peça, embora os peritos na sua obra estejam seguros da sua proveniência, e citou apenas, em resposta a uma pergunta sobre a venda de arte de rua em leilões no seu site, o impressionista Matisse: "Senti-me muito envergonhado quando as minhas telas começaram a alcançar preços elevados, vi-me condenado a um futuro de pintar nada mais que obras-primas."


Museu Thyssen não tem de devolver obra de Pissarro a família judia | M8


Um tribunal da Califórnia, nos Estados Unidos, rejeitou o pedido do norte-americano que exigia que o Estado espanhol lhe devolvesse um Pissarro, exposto no museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, alegadamente confiscado pelos nazis em 1939. Segundo a decisão do tribunal, além de a família já ter recebido uma compensação da Alemanha pelo desaparecimento do quadro, o caso é da competência do departamento das relações externas dos Estados Unidos. Em questão está a obra de Pissarro, “A Rua de Saint-Honoré depois do meio-dia”, de 1897, que pertencia a uma judia obrigada a vendê-la aos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. O caso foi levado a tribunal em 2005, depois de Claude Cassirer, um cidadão norte-americano neto da proprietária original, ter descoberto que o quadro estava exposto no museu madrileno.  Os documentos apresentados em tribunal defendem que a avó de Cassirer foi obrigada pelos nazis a desfazer-se do quadro, avaliado actualmente em 13,7 milhões de euros. Comprada em 1976 pelo barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, a obra foi, em 1993, adquirida pelo governo espanhol, continuando exposta no Museu Thyssen-Bornemisza, que se recusa a devolvê-la, argumentando que a peça foi comprada de boa-fé. O barão Thyssen, que comprou a obra a uma galeria nova-iorquina, desconhecia até a história da avó de Cassirer. Em 1958, sem se saber o paradeiro da obra, a família Cassirer foi indemnizada pelo Estado alemão, que assumiu a responsabilidade pelo seu desaparecimento. Nessa altura, a família assinou um acordo, em que se dizia satisfeita com a resolução, perdendo o direito de reclamar o quadro. À agência EFE, fonte do Ministério da Educação, Cultura e Desporto, disse estar satisfeita com a decisão do tribunal da Califórnia que deu razão ao Estado espanhol. “A Fundação Thyssen-Bornemisza é portanto a legítima proprietária da obra”, atestou.  Em 2010, documentos divulgados pela Wikileaks tinham revelado que a embaixada dos Estados Unidos se tinha mostrado disponível para ajudar a Espanha a resolver o conflito que mantinha com a empresa de caça-tesouros Odyssey, em troca deste quadro de Pissarro. O caso remontava a 2007, quando a empresa norte-americana Odyssey Marine Exploration encontrou 500 mil moedas de prata nos destroços de uma embarcação do século XIX no Oceano Atlântico. Apesar de a companhia americana ter baptizado a descoberta como “Black Swan”, os funcionários do ministério da Cultura suspeitaram desde o princípio que o tesouro pertencia a um barco espanhol afundado pelos britânicos em 1804 na costa do Algarve. Um ano depois da descoberta, em 2008, a embaixada norte-americana em Espanha decidiu lançar uma proposta às autoridades espanholas para resolver a situação: a embaixada trataria de solucionar o problema com a “Odyssey” se a Espanha devolvesse um quadro de Pissarro, alegadamente confiscado pelos nazis em 1939.  Sem ter existido qualquer acordo, a Espanha recuperou no início deste ano o tesouro, que já chegou ao país, e agora também soube que não vai perder o Pissarro.

Noticia retirada do jornal WPublico”

Camille Pissarro no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid | M8

A obra de Camille Pissarro, considerado o pai do Impressionismo, ganha exposição no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, na Espanha.



São Jorge Vence o Dragão de Paolo Uccello | M4

São Jorge Vence o Dragão
 cerca de 1455
Paolo Uccello
O pintor deve ter extraído a referência literária deste episódio da Lenda Áurea de Jacopo da Varagine: São Jorge, valoroso cavaleiro, com armadura e a cavalo num corcel branco, alusão aos seus dotes irrepreensíveis, derrota e atravessa com a lança o monstruoso dragão alado, símbolo do mal e do paganismo, na presença da princesa que o amansou. Paolo Uccello dedicou a este tema um primeiro quadro (actualmente conservado no Museu Jacquemart-André, de Paris), no qual a luta se desenvolve num primeiro plano, com as personagens dispostas de perfil e uma ampla paisagem extensa em profundidade. Nesta solução, mais tardia, os elementos da composição são idênticos, mas a gruta e as árvores que se confundem com as nuvens fecham o campo de visão aos planos mais longínquos e delimitam claramente o campo de recontro entre São Jorge e o dragão, ambos projectados de dentro para fora segundo direcções convergentes.

De realçar um tom de ironia na representação da princesa, que parece segurar o monstro por uma trela, e nas dimensões da finíssima lança com a qual o santo guerreiro deverá conseguir matar o rugidor adversário.

Baptismo de Cristo de Piero della Francesca | M4

Baptismo de Cristo
 cerca de 1450
Piero della Francesca-autor
Técnica- têmpera de ovo sobre madeira de álamo.
Dimensões-167x116 cm
Perto do tronco da árvore, que o artista parece transformar numa coluna marmórea, os três anjos, na sua rigidez monumental, sugerem, com a direcção dos seus olhares, uma aparência de vida vibrante. Os gestos de amizade que trocam simbolizam a concórdia divina.
Piero utiliza uma paleta clara, semelhante à do fresco que exalta o brilho das cores, e confere um tom nacarado às epidermes aclaradas pela luz. O encanto deste instante suspenso está na água límpida do Jordão, reduzido aqui a um regato: ele reflecte cada pormenor, do céu azul às nuvens brancas, às vestes elegantes das figuras do fundo, numa vibração lumínica de grande intensidade.

Iluminado por uma luz igual e difusa que quase elimina as sombras, Cristo assume a solenidade de um ídolo antigo esculpido em marfim ou alabastro. Piero isolou-o numa esfera sagrada e inviolável. Ao observar João Baptista, que enquanto faz o gesto de baptizá-Lo, parece retirar-se, quase não conseguem marcar-se o limiar entre divino e terreno.


Jan Van Eyck | M5

Jan Van Eyck .  1385-1441

Jan Van Eyck nasceu em Maaseik, posteriormente território belga, por volta de 1385, e faleceu em 1441, em Bruges. Trabalhou na Holanda e em Lille, mas é da estadia em Bruges que restaram as obras mais impressionantes. O Retábulo do Cordeiro Místico terá sido iniciado pelo seu irmão Hubert e terminado por Jan em 1432. O pintor utilizava a nova técnica do óleo com grande requinte, de tal modo que certos efeitos não voltaram a ser igualados. O retábulo possui um total de vinte quadros. As figuras de Adão e Eva são as mais audaciosas do conjunto.
De um realismo pesado, Van Eyck evoluiu para um estilo mais subtil e delicado, em que a luz assume uma qualidade especial. Os retratos possuem uma minúcia técnica e uma perfeição de acabamento que não esconde a personalidade dos modelos. Em O Homem do Turbante Vermelho (1433), possivelmente um autor retrato  a serenidade da pintura reflete um certo ideal de personalidade.

Jan van Eyck - Os esponsais dos Arnolfini, 1434 - Óleo sobre madeira, 81,8 x 59,7 cm - National Gallery, Londres
Uma das maiores obras-primas da época é O Casamento dos Arnolfini (1434). Esta cena tem subjacente um simbolismo que exprime a natureza do matrimónio enquanto sacramento religioso. O mundo material e o mundo espiritual integram assim o mesmo espaço, formando um só.
A influência de Van Eyck fez-se sentir principalmente na pintura dos países do Norte da Europa.

Retrato de Homem - Jan van Eyck 1433 | M5

Retrato de Homem - Jan van Eyck 1433

A tábua, talvez um auto-retrato, é um dos raros quadros pintados no século XV que conservaram a sua própria moldura original-autografada em cima co uma expressão flamenga (« Como posso, não como queria») e datada em baixo(«Jan van Eyck fez-me 1433 21 Outubro»)-, janela pela qual a luz invade em perspectiva a figura que aflora e sugere os volumes e a qualidade das superfícies.
O fundo escuro faz emergir com enorme força o rosto do protagonista: a fisionomia viva e contraída é definida por um traço rigoroso e decidido, capturando um momento de energia agressiva ao qual o olhar concentrado do observador não consegue fugir. O volumoso turbante ocupa muito mais espaço do que o rosto: verdadeiro protagonista de beleza abstracta, pintando com lúcida geometria como uma surpreendente natureza-morta. Com mesma severidade com a que perscrutava os seus modelos, Van Eyck estudou atentamente, talvez sobre um suporte, o jogo das pregas e das espirais do pano vermelho que faz de turbante, atando e retorcendo as extremidades de modo a obter os efeitos mais envolventes e pictóricos no contraste entre os remoinhos de sombra e luz.