O Estilo Gótico 1 | M4

Catedral de Chartres
A ARQUITECTURA GÓTICA
Nasceu em Île-de-France, a Norte de Paris, no século XII, com a reconstrução da catedral de Saint-Denis. Não se conhece o seu arquitecto. Somente o seu ideólogo, o abade Sugger.
Contudo, o estilo gótico espalhou-se por toda a Europa

Contexto cultural e religioso que fez despertar o Gótico
Construída em louvor de Deus e dos homens, a arquitectura religiosa tem como representação máxima a catedral, que simboliza a fé da cidade onde era erigida.


As Catedrais Góticas procuraram ser a casa de Deus na terra.
Na altura, os teólogos defendiam que Deus era Luz, luz que descia sobre as criaturas, inundando-as da sua graça e virtude, por esse motivo, as novas técnicas de construção visavam a entrada da luz no interior da catedral, tornando-se a catedral o espaço mais iluminado da cidade.
Com a luz das novas catedrais pretendia-se uma nova atitude religiosa, mais mística e que convidasse os fiéis a uma nova partilha com Deus.            

O contexto socioeconómico que fez despertar o gótico  Surgiu numa Europa: Urbana - Economicamente próspera - Animada pelo comércio, com uma burguesia endinheirada, que patrocina a construção de grandes catedrais, pois isso representaria mais movimentação nas cidades e logo mais vendas.

Catedral de Notre Dame de Paris
PRINCIPAIS INOVAÇÕES
A Verticalidade dos edifícios tendo em vista alcançar a divindade mais facilmente,
Arcos, abóbadas e cúpulas em ogiva,
Contrafortes destacados do edifício, mas unidos a ele através de arcobotantes esbeltos e elegantes,
Utilização de pináculos e agulhas para reforçar a verticalidade do edifício,
Grande utilização do vidro em vitrais e rosáceas.


VANTAGENS DO ARCO EM OGIVA 
O arco em ogiva é muito mais dinâmico que o estático arco românico.
Este possibilitou a construção de abóbadas de cruz ou cruzaria de ogivas, o que permitiu a edificação de um esqueleto que possibilitou uma melhor articulação dos tramos da abóbada, conseguindo-se assim uma mais eficiente distribuição das forças exercidas sobre os pilares e sobre as paredes da construção. Assim, as abóbadas em cruzaria de ogivas, distribuíram melhor o peso do tecto do edifício.
Através das nervuras estruturais dos arcos em ogiva as forças eram desviadas para pilares de sustentação. Cada nervura corresponde a um colunelo adossado aos pilares que assentam na nave.    
O arco em ogiva ou quebrado, permitiu a construção em altura, pois diminuiu as pressões laterais, possibilitando uma melhor articulação das forças.
A construção de abóbadas em ogiva permitiu uma melhor distribuição da força.

VERTICALIDADE /ARCOBOTANTES E CONTRAFORTES
Mais leves e fáceis de sustentar, as abóbadas ogivais elevaram-se cada vez mais, isso obrigou a reforçarem-se os apoios exteriores com contrafortes mais esbeltos e elegantes, formados por um elemento maciço e vertical, que suportava a abóbada da catedral, através dos arcobotantes, elemento arquitectónico que unia os contrafortes às paredes laterais da catedral.
 Quando as abóbadas se tornaram demasiado altas, a solução foi a construção de arcobotantes duplos
Os arcobotantes eram meios arcos que se levantavam do contraforte. Tinham como finalidade aliviar as paredes do peso das abóbadas, permitindo assim a elevação do edifício . (verticalidade).   


O APARECIMENTO DOS VITRAIS
Com a construção de abóbadas ogivais, arcobotantes e contrafortes esbeltos, as paredes ficaram libertas do seu tradicional papel de suporte.
Este facto, permitiu que rasgassem amplas janelas (vitrais) que iam de um pilar ao outro, fazendo com que os interiores fossem mais iluminados

PLANTAS DAS CATEDRAIS GÓTICAS. ALGUMAS ALTERAÇÕES
Quase todas as plantas foram desenhadas em cruz latina.
Algumas plantas passaram a apresentar três ou cinco naves.
Algumas possuem transepto com três ou cinco naves.
A cabeceira tornou-se mais complexa, ocupando cerca de um terço da Igreja, (acompanhado em alguns casos os “braços do transepto”).



ALTERAÇÕES EXTERIORES
As fachadas tornaram-se monumentais (verticalidade) e ricamente adornadas, ou seja, a decoração passou a ser intensa.
Os portais com as arquivoltas ogivais tornaram-se mais esguios e elegantes.
As torres sineiras, os pináculos e as agulhas acentuaram a noção de verticalidade.
As catedrais acentuavam a sua verticalidade com pináculos e agulhas
Os pináculos, permitiam elevar ainda mais o edifício e assim estar mais próximo de Deus.
As catedrais góticas não apresentam todas a mesma configuração, ou seja, de acordo com o sítio onde estão inseridas ganham características próprias e específicas. Contudo, apresentam um traço estrutural que as une – o arco em ogiva ou arco gótico.


A ESCULTURA
A escultura que, durante o românico, apresentava um carácter essencialmente simbólico, vai evoluir num sentido mais naturalista e realista a partir do século XIII, ou seja, durante o gótico.
Esse realismo e naturalismo foram reforçados por corpos mais volumosos e posições ligeiramente curvilíneas, acentuadas pelo requebro da anca, dando uma ideia de maior movimento e dinamismo.
Mãos, rostos e corpos são tratados com maior correcção anatómica, cabelos e barbas, verificamos então uma maior humanização de todas as reproduções escultóricas.
A expressão formal (atitudes, gestos) procura exprimir a perfeição espiritual

ESCULTURA ROMÂNICA
Rigidez, cânones fixos, o rosto não é expressiva, não transmite nenhum estado de espírito. Simetria axial, a estrutura da virgem é monolítica, o seu corpo não possui formas, é um bloco rígido. Mensagem a transmitir: eternidade, solenidade, majestade, mãe e filho apresentam uma grande severidade.

Esculturas da Catedral de Estrasburgo
ESCULTURA GÓTICA
Proporcionalidade, gestos humanizados, expressividade no rosto, minúcia no tratamento das mãos e do corpo. Maior realismo no tratamento da figura humana,
Pregueados naturais na roupa, influenciados pelo classicismo.
Mensagem a transmitir: serenidade e graciosidade. A mãe é retratada de forma real, como uma mulher. Perfeição espiritual.
As cenas mais vulgares são Bíblicas: Cristo em Majestade, O Último Julgamento, a Vida da Virgem e o Nascimento de Cristo, ou sobre a vida de santos (hagiografias).
Todas as esculturas mesmo as das fachadas eram coloridas.
As fachadas e os portais são o espaço preferencial onde estas esculturas são colocadas.
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Além das pestes, das fomes e das guerras, a falta de condições de higiene e de qualidade de vida eram as causas de uma elevada taxa de mortalidade, que atingia sobretudo os recém-nascidos e as crianças. Quando no século XIV, surgir a Peste Negra, as condições gerais de vida ir-se-ão agravar ainda mais, 1/3 da população europeia desaparecerá.
Por esse motivo, a morte esteve sempre presente ao longo de toda a Idade Média, constituindo uma temática (escultura tumular) característica deste período.
Outra temática foi o macabro, herdada do Românico, as gárgulas são disso um exemplo. Esta temática foi transmitida pelo imaginário popular e místico.   

Pintura Neoclássica | Jacques-Louis David | M7

1787-A morte de Sócrates


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Jacques-Louis David pintor oficial da corte de Napoleão Bonaparte.
1794- Auto retrato
Jacques-Louis David nasceu de uma próspera família parisiense. Quando tinha nove anos seu pai foi morto em duelo e sua mãe entregou-o aos cuidados dos seus tios abastados, que providenciaram para que ele tivesse uma educação primorosa, mas ele jamais foi um bom aluno - sofria de um tumor na face que afectava a fala e passava o tempo a desenhar. Desejava ser pintor, contrariando os planos de sua mãe e tios, que o queriam um arquitecto. Vencendo a oposição, buscou tornar-se aluno de Francois Boucher seguidor do rococó e o principal pintor de sua geração, que era também seu parente distante. Mas Boucher, em vez de o aceitar como discípulo, enviou-o para aprender com Joseph-Marie Vien, um artista que já trabalhava numa linha classicista, e o jovem ingressou então na Academia Real. Foi para Itália, estudar na academia de Roma. Lá executou inúmeros desenhos e esboços das ruínas da cidade histórica, material que o proveu de inspiração para as arquitecturas de suas telas ao longo de toda a vida. Estudando os antigos mestres, sentia uma predilecção por Rafael Sânzio, e ao visitar Pompeia ficou maravilhado. Depois destas impressões tão fortes decidiu adoptar nas suas obras, um estilo de acordo com os conceitos do classicismo.
Sua convivência com os colegas na Academia não era fácil, mas em geral era-lhe reconhecido o génio. Depois de cinco anos na capital italiana voltou a Paris, onde teve uma recepção calorosa, que lhe abriu as portas da Academia Real, para onde enviou duas pinturas de admissão, ambas incluídas no Salão de 1781, uma honrosa excepção aos critérios rígidos que norteavam o concurso. Seu sucesso precoce rendeu-lhe a hostilidade de membros da administração da Academia, mas teve o favor real de poder instalar-se no Louvre, um privilégio concedido somente a grandes artistas. Ao mesmo tempo desposou Marguerite Charlotte, filha do administrador do palácio, casamento que lhe trouxe dinheiro e quatro filhos. Já com muitos alunos, recebeu a encomenda do rei para pintar Horácio defendido por seu pai, mas ele argumentou que só em Roma poderia pintar romanos, e conseguiu de seu padrinho os recursos necessários para a viagem.
O Juramento dos Horácios (1784)
 Novamente na cidade eterna, David pintou O Juramento dos Horácios (1784), uma de suas primeiras obras-primas, cuja novidade maior foi a clara caracterização dos papéis masculinos e femininos, seguindo preceitos de Rosseau e o elogio de ideais patrióticos republicanos, temas que continuaria a abordar por muito tempo. Apesar de seu tratamento linear e cerebral, conseguiu obter um grande efeito dramático. Ainda em Roma o pintor acalentou a ideia de tornar-se o director da secção da Academia Francesa naquela cidade, mas alegando-se a sua pouca idade, seu pleito foi recusado.
Sua próxima obra de vulto foi A Morte de Sócrates, exibida no Salão de 1787, que foi comparada a criações imortais de Michelangelo, qualificada de "absolutamente perfeita", obteve igualmente a aprovação real.
David apoiou a Revolução Francesa desde o início. Era amigo de Robespierre e membro do Clube dos Jacobinos. Enquanto outros deixavam o país em busca de novas oportunidades, David permaneceu para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei; de facto, na primeira Convenção Nacional que se reuniu, ele foi alcunhado de "terrorista feroz". Logo, porém, ele voltou sua crítica contra a Academia, possivelmente por causa da hipocrisia que sentia nos bastidores e da oposição que suas obras haviam sofrido no início de sua carreira. Seus ataques trouxeram-lhe ainda maiores inimizades, uma vez que a instituição era um refúgio dos realistas, mas com o aval da Assembleia Nacional ele planeou reformas na antiga escola segundo a nova constituição, passando a desempenhar um papel de propagandista da República tanto por sua actuação pública como através de suas pinturas.
A morte de Marat
 Momento marcante da Revolução que ele fixou em tela foi a Morte de Marat, um testemunho de sua filiação política e ao mesmo tempo uma obra-prima. Quando apresentou a tela na Convenção, disse: "Cidadãos, o povo novamente clamou por seu amigo; sua voz desolada foi ouvida: 'David, toma teus pincéis, vinga Marat!'… Eu ouvi a voz do povo, e obedeci". A obra foi um sucesso político imediato, e tornou-se também uma de suas criações mais bem-sucedidas - simples, directa, e poderosamente tocante - consagrando o retratado, agora um mártir cívico, e o autor no ambiente revolucionário, onde ele, como auxiliar de Robespierre no Comité de Segurança Geral, foi um dos mais ferventes promotores do Terror. A esta altura a França estava envolvida numa guerra com outras potências europeias, e aparentemente estava em vantagem. Assim o estado de emergência que havia suscitado o Comité de Segurança Geral deixou de existir. Conspiradores aproveitaram o momento e prenderam Robespierre. Apesar de manifestar seu apoio a ele, David não foi executado, apenas preso. 
A intervenção das Sabinas
 Na prisão fez um auto-retrato, mostrando-se muito mais jovem do que aparentava. Visitado por sua esposa na prisão, concebeu a ideia para uma nova obra, A intervenção das Sabinas, como um apelo pela reunião nacional e pela paz, depois de tanto sangue derramado.

Nesta altura reinava Napoleão, e o ambiente transformara-se radicalmente. Os mártires da Revolução foram removidos do Panteão e reenterrados em vala comum, e suas estátuas destruídas. Sua esposa, que era realista, conseguir livrar David da prisão, e apesar de se terem divorciado, declarou que nunca deixara de amá-lo, e por fim voltaram a se casar em 1796. Reabilitado e reintegrado no seu atelier e posição, voltou a aceitar alunos e retirou-se da política.
Napoleão e David admiravam-se mutuamente. David desde o primeiro encontro ficara impressionado com o então general, e quando este subiu ao trono David solicitou fazer o seu retrato. Depois pintou-o na cerimónia da coroação, nas bodas com Josefina, outra grande composição, e de novo na da Passagem dos Alpes, montado em um fogoso cavalo. 
A sagração de Napoleão, 1806-07 - Museu do Louvre
Por sua vez, Napoleão nomeou-o pintor oficial da corte, e pediu que ele o acompanhasse na campanha do Egipto, mas o pintor recusou, alegando que era velho demais para aventuras, e enviou em seu lugar um de seus estudantes, Antoine-Jean Gros.
Quando a monarquia Bourbon foi restaurada David foi um dos proscritos. Contudo Louis XVIII concedeu-lhe a amnistia e até lhe ofereceu uma posição na corte, mas David recusou, preferindo o auto-exílio em Bruxelas. Lá pintou Cupido e Psique, vivendo tranquilamente com sua esposa, e dedicando-se a composições em pequena escala e a retratos. Sua última grande criação foi Marte desarmado por Vénus e as três Graças, terminada um ano antes de sua morte. Segundo expressou, desejava que a obra fosse o seu testamento artístico. Exposta em Paris, reuniu uma multidão de admiradores.
Faleceu depois de ter sido golpeado por um carro na saída do teatro, em 29 de Dezembro de 1825 Seu espólio foi vendido, mas as pinturas remanescentes obtiveram baixos valores. Por causa das suas actividades revolucionárias seu corpo foi impedido de retornar à pátria, e foi sepultado em Bruxelas. Seu coração, porém, repousa em Paris.

Auto-retrato de Van Gogh que era afinal um retrato do irmão

Vincent Van Gogh, que sofria de problemas mentais, matou-se com um revólver aos 37 anos de idade
O Museu Van Gogh de Amesterdão descobriu que um auto-retrato do artista é, na realidade, um retrato do seu irmão mais novo Theo. A descoberta ficou a dever-se a um estudo detalhado da fisionomia do retratado. Após demoradas observações e estudos, os especialistas do museu concluíram que a obra pintada em 1887 representa afinal o irmão do pintor, Theo. O engano é legítimo, uma vez que os dois homens eram parecidos. Mas foram os pequenos detalhes que desfizeram o engano.
De acordo com Louis van Tilborgh, conservador do museu, “a orelha de Theo é redonda e tem uma forma perfeita. A sua barba era também mais ocre que encarnada e crescia-lhe pelas bochechas”.

“O retrato coincide com imagens de Theo”, disse Louis van Tilborgh à agência holandesa ANP.
Esta descoberta coincide com a abertura da mostra “Van Gogh em Antuérpia e Paris, nova perspectiva”, que permanecerá aberta até ao dia 18 de Setembro.
Theo financiou o trabalho do irmão Vincent, mandando-lhe material de pintura e somas em dinheiro. Quando precisava de mais recursos, Vincent escrevia cartas ao irmão cheias de desenhos. A correspondência entre ambos foi tão abundante que este é um dos maiores legados deixados pelo artista holandês.
Van Gogh só viria a se tornar famoso a título póstumo e Theo, que morreu seis meses depois de Vincent, nunca sequer conseguiu vender nenhum quadro do irmão.
Vincent Van Gogh, que sofria de problemas mentais, matou-se com um revólver num campo de trigo aos 37 anos, em Auvers, França, em Julho de 1890.

Quadro de Pablo Picasso vendido em Londres por 15 milhões de euros

"Jeune fille endormie"
Um retrato que Pablo Picasso pintou em 1935 da sua amante Marie-Térèse Walter superou as expectativas dos especialistas ao ser vendido por 15 milhões de euros em Londres num leilão da Christie's de arte moderna e contemporânea. "Jeune fille endormie", um quadro que raramente foi mostrado ao público, vendeu-se na segunda-feira por 13.481.250 libras (15.206.850 euros - 21.866.588 dólares). Trata-se de um retrato íntimo de Marie-Térèse, que Picasso conheceu em 1927, quando tinha 45 anos e ela 17, convidando-a a ser seu modelo em diversas obras. Poucos anos depois, o casal foi viver no Château de Boisgeloup, nos arredores de Paris, e verificou-se um período de grande frenesim artístico durante o qual o artista espanhol pintou algumas das suas melhores obras, segundo os especialistas.
Executada em cores vivas e pinceladas expressivas, a obra foi adquirida pouco depois de ser pintada pelo filho do magnata da indústria automobilística Walter Chrysler. O quadro passou apenas por coleccionadores privados desde que foi pintado, até que, em 2010, foi cedido à Universidade de Sidney, na Austrália, por um doador anónimo com a condição de, no caso de ser vendido, o valor ser usado em investigação médica.

Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci | M5


O quadro Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, está "extremamente frágil" e o seu "transporte impossível", declarou hoje o Museu do Louvre após um pedido de empréstimo de uma sociedade histórica italiana. O Comité Nacional para a Valorização dos Bens Culturais, presidido por Silvano Vincenti, lançou um apelo na Internet para que o museu parisiense emprestasse o quadro pintado entre 1503 e 1507.
A obra a óleo sobre madeira de álamo deveria figurar numa exposição a realizar em 2013 em Florença e o pedido tinha já o apoio do governo provincial. "Nós não recebemos nenhum pedido oficial de empréstimo", disse à France Presse Vincent Pomarède, director do departamento de Pintura do Louvre. O responsável afirmou ainda: "Se não emprestamos a Mona Lisa é porque está extremamente frágil e corria o risco de se danificar de forma irreversível numa viagem". O quadro que representará Mona Lisa del Giocondo é aquele em que o pintor renascentista italiano melhor concebeu a técnica, à época inovadora, conhecida como "sfumato". O quadro foi roubado do Louvre em 1911 por um italiano que foi preso dois anos depois, quando o tentava vender a um coleccionador florentino. A obra raramente sai de Paris, mas em 1963 esteve exposta nos Estados Unidos e em 1974 ao Japão. A sua exposição exige que seja numa vitrina com um sistema de climatização sofisticado que evita qualquer variação de temperatura ou humidade. "O transporte torna-se impossível pois não é possível controlar a climatização ao mesmo nível em que está exposto nas caixas climatizadas de transporte", disse Pomarède, que acrescentou que também "as vibrações seriam muito más".

A Arte Neoclássica | M7

O Capitólio de Washington, exemplar do neoclassicismo arquitectónico

O Iluminismo
O Iluminismo que defendia a Razão, a Liberdade, o Progresso e a procura da felicidade também criou uma estética própria que tinha por base o estudo dos modelos antigos (Clássicos e Renascentistas) e a escolha do mais útil e funcional, aparecia assim o neoclassicismo, marcado pela simplicidade, regularidade das formas, harmonia, equilíbrio e sobriedade. Esta nova dinâmica representou o regresso à ordem na arte, depois de um período de extravagância e exagero que dominaram o barroco e o rococó.
A Arte Neoclássica
Utiliza materiais produzidos pela Revolução Industrial.
• Apesar de se inspirar nos modelos clássicos, não reproduz cópias do original.
• Inspirada nos cânones estruturais, formais e estéticos da arte clássica e preocupada em representar e servir o presente, a arquitectura neoclássica procurou dar respostas às novas necessidades culturais, políticas e económicas no campo público e privado. 
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Características:
• Empregou frequentemente materiais nobres como o mármore e o granito.
• Utilizou plantas e decorações marcadamente geométricas, simples, harmoniosas e equilibradas.
• Às estruturas arquitectónicas foi aplicada uma gramática decorativa formal e clássica e renascentista: pórticos colunados, frisos, cornijas, frontões, abóbadas, cúpulas, arquitraves, colunas dóricas, jónicas e coríntias, contudo, utilizando os cânones de forma livrem.
• A decoração do interior recorreu a pinturas com temas clássicos, as colunas e outros elementos arquitectónicos apresentam um carácter estrutural. 
As Sabinas de Jacques - Louis David
Pintura Neoclássica:
• À semelhança da arquitectura, as suas raízes ideológicas também se encontram no Iluminismo, na Cientismo e na Razão.
• Reagiu contra o barroco, impondo o redescobrindo o classicismo: austero, simples, geométrico, equilibrado e harmonioso. 

Jacques-Louis David – Napoleon Crossing the Saint-Bernard 1800-01
• As temáticas são históricas, heróicas, mitológicas e o retrato.
• Segue as linhas do realismo e do naturalismo renascentista.
• As cores são sóbrias, com zonas de claro e escuro evidenciadas.
• A pintura faz apelo à razão e não à emoção. 

O Juramento dos Horácios”, por Jacques-Louis David, 1784, óleo sobre tela, Museu do Louvre, Paris.
• Os principais pintores são franceses e destacam-se os seguintes: Jacques Louis David, Gros e Ingres. 


Vénus, de António Canova" O estilo neoclássico, baseado na arte antiga da Grécia e de Roma, alcançou seu apogeu no final do século XVIII. António Canova, autor desta Vénus, é considerado o melhor escultor desse estilo artístico.

Escultura Neoclássica:
• Os principais temas são: históricos, literários e mitológicos.
• Os homens são retratados segundo as regras dos cânones gregos e romanos, apresentando poucas características pessoais.
• Utilizada para glorificação de publicidade de políticos e de pessoas públicas.
• O material predilecto foi o mármore branco. 
  Escultor: Bertel Thorvaldsen  Data: 1803 | Estilo: Neoclássico
• As obras revelam uma grande minúcia, perfeição e forte sentido estético, retratando com grande realismo e naturalismo os modelos. Porém, esses modelos apresentam sempre uma tendência idealizada, característica dos gregos (as estátuas apresentem sempre a perfeição).
O Neoclassicismo em Portugal:
• Em Portugal, o sistema absolutista prolongou-se no tempo, até 1820, o que tardou o aparecimento da estética neoclássica.
• Na região do Porto, em virtude do comércio do Vinho do Porto com os ingleses, verificamos a existência de alguns exemplares desta arquitectura: Hospital de Santo António, de John Carr e o Palácio das Carracas (actual Museu Nacional Soares dos Reis) de Joaquim da Costa Lima.
• Em Lisboa, destaca-se o Palácio Nacional da Ajuda de Francisco Xavier Fabri e Costa e Silva, o Teatro Nacional D. Maria II de Fortunato Lodi e a Assembleia da República de Ventura Terra. 



A Baixa Pombalina de Lisboa:
• A 1 de Novembro de 1755, ocorreu um Terramoto em Lisboa, seguido de um Maremoto e de um incêndio que destruíram a cidade, nomeadamente o centro, a zona da actual baixa.
• Neste contexto, sobressaiu a acção do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que decretou a proibição de construir fora do perímetro da antiga cidade, tendo publicado leis contra a especulação imobiliária.
• Tendo em vista a reconstrução da cidade, taxou todas as mercadorias importadas com 4%, transferindo essas verbas para o mesmo efeito.
• Ficou célebre pela sua política energética na reconstrução da cidade, onde terá proferido a seguinte frase: “ enterrar os mortos e cuidar dos vivos”. 


Projecto de reconstrução da baixa de Lisboa:
O projecto ficou a cargo de Manuel da Maia, engenheiro do reino, este apontava cinco hipóteses:
1 – Reconstrução da cidade, tal como era antes.
2 – Alargamento das vias principais.
3 – Limite da altura dos edifícios a dois andares, de forma a serem mais seguros.
4 – Demolição do que restava da cidade e novo plano inteiramente livre (geométrico e racional)
5 – Construção de uma cidade nova a ocidente da antiga, numa zona poupada pelo sismo (Belém / Algés). Esta última hipótese era a preferido de Manuel da Maia, pois permitia a construção de uma cidade mais segura. 


Projecto vencedor
A decisão final, certamente com o apoio de D. José I e de Sebastião José, seria a quarta: uma cidade geométrica, racional, com rígidas imposições estéticas e construtivas, que seria edificada sobre os escombros da cidade antiga.
Esquema de esgoto
Eugénio dos Santos e a Planta da baixa de Lisboa:
• A Planta escolhida seria a de Eugénio dos Santos (planta nº5). Esta planta cobre, além da Baixa Pombalina, a subida até ao Bairro Alto (zona do Chiado).
• Após a morte de Eugénio dos Santos, os trabalhos ficaram a cargo de Carlos Mardel, arquitecto de origem húngara.
• A planta foi baseada numa grelha de ruas perpendiculares e paralelas (verticais e horizontais), com quarteirões rectangulares (planta ortogonal). Este traçado era balizada por duas praças principais: o Terreiro do Paço (Praça do Comércio) e o Rossio.
• Estas duas praças são ligadas por duas ruas principais: Rua Augusta e Rua do Ouro, que permitem a plena circulação de pessoas, bens e serviços devido às suas dimensões.
• O plano de reconstrução da cidade, apresenta um ideal urbanístico, o primeiro a ser aplicado numa cidade europeia, explanando os princípios racionais do Iluminismo.
• O Terreiro do Paço foi definido como local dedicado às actividades comerciais e administrativas, não concebendo a edificação de um Paço Real, ou seja, Palácio do Rei, este foi retirado do centro da cidade, para uma área periférica da mesma – Alto da Ajuda.
• Na Praça do Comércio, verificamos ainda a existência de um Arco do Triunfo, com acesso à Rua Augusta e uma estátua equestre de D. José I, da autoria de Machado de Castro.
• O plano de Eugénio dos Santos, atesta o espírito iluminista do próprio Marquês, pois apresenta um ideal urbanístico que procura transformar os espaços da cidade em locais funcionais que permitam a circulação.
• Todos os edifícios apresentam uma planta simples, com espaços amplos sem elementos decorativos.
• Os materiais utilizados foram feitos de forma estandardizada e em série, assim, as construções apresentam a mesma tipologia. No exterior edifícios forma pintados de amarelo, (as actuais cores da Praça do Comércio).
• Todas as casas eram práticas, reduzidas ao essencial e aplicadas à nova sociedade urbana que o Marquês cria ver nascer em Lisboa e Portugal.


• O interior dos prédios, apresenta ainda um sistema de gaiola (estrutura em madeira flexível), com esqueleto construtivo, que deve ser visto como uma técnica anti-sísmica, o que atesta uma vez mais o espírito científico do próprio Marquês – entendida a natureza, o homem deve dar uma resposta eficaz à mesma. 

A Baixa Pombalina é, pois, a imagem de um homem – o Marquês de Pombal – e de um tempo (o Iluminismo), representando a maior obra pública colectiva realizada em Portugal:
• Ortogonal,
• Racional,
• Visão Urbanística,
• Científica,
• Lógica e orgânica,
• Funcional,
• Apresentando uma resposta eficaz aos elementos da natureza.