Desenho de Rafael vendido por 36,5 milhões de euros | M5

O delicado esboço de Rafael no leilão londrino


Obra pertence a uma série de esboços preparatórios da última pintura deste mestre do Renascimento, A Transfiguração, hoje nos museus do Vaticano. Estava há séculos na colecção de desenhos do duque de Devonshire, uma das melhores do mundo.
É um esboço da cabeça de um apóstolo, com 38X28 centímetros e quase 500 anos. Na noite de quarta-feira, em Londres, criou grande adrenalina na sala em que a leiloeira Sotheby’s levava à praça parte da colecção da Chatsworth House, casa do duque de Devonshire. Bastaram 17 minutos de licitações intensas, segundo a BBC News, para que o desenho de Rafael duplicasse as estimativas de venda.
Com este apóstolo que foi arrematado por 36,5 milhões de euros, o artista da Renascença supera-se: em 2009, uma das suas cabeças de Medusa fora vendida por 36,1 milhões na leiloeira concorrente, a Christie’s. O apóstolo vence a Medusa na corrida ao desenho mais caro de sempre vendido em leilão.
“Se tivermos sorte, chega uma altura na carreira em que uma obra destas aparece”, disse à BBC o responsável da leiloeira pelos desenhos dos mestres da pintura antiga, Gregory Rubinstein. “Houve um número razoável de alguns dos maiores coleccionadores do mundo que deram a cara esta noite, em reconhecimento do génio de Rafael, da beleza extraordinária deste desenho e da excelência da sua proveniência.”
O acervo de Chatsworth inclui 3000 desenhos dos mestres antigos, como Rubens, Van Dyck e Rembrandt. A Cabeça de Apóstolo (1519-1520) é (era) um dos 14 Rafael do duque. A Sotheby’s garante que, nos últimos 50 anos, apareceram apenas dois desenhos desta qualidade em leilões.
A colecção Devonshire, uma das mais importantes do mundo no que diz respeito aos desenhos dos grandes mestres, foi reunida, em grande parte, por William Cavendish (1672-1729), o segundo duque. Em Inglaterra, segundo o diário espanhol El Mundo, só o Museu Ashmolean de Oxford e o Museu Britânico têm mais desenhos de Rafael do que Chatsworth House.
O duque diz que o dinheiro desta venda vai agora ser investido “no futuro” da sua colecção.
O desenho de Rafael (1483-1520) agora vendido – especula-se que para um coleccionador russo – é particularmente simbólico porque se trata de um estudo feito para a sua última pintura, A Transfiguração, que, aliás, deixou inacabada. Esta obra, que hoje pertence aos museus do Vaticano, é considerada uma das mais importantes do Renascimento. Era também ela que estava pendurada no estúdio do pintor, quando o seu corpo ali foi velado. Rafael tinha apenas 37 anos.
“Este estudo comovente é um exemplo excepcional da produção de Rafael e mostra porque é respeitado como, provavelmente, o maior mestre do desenho de todos os tempos”, acrescentou Gregory Rubinstein, da Sotheby’s, desta vez citado pelo El Mundo. “A beleza deste trabalho é impressionante.”



Coroa britânica comprou os retratos da rainha feitos por Warhol | M10



A Colecção Real Britânica comprou os quatro retratos de Elisabete II assinados por Andy Warhol. Baseados num retrato oficial da soberana a usar uma tiara e um colar durante o Jubileu de Prata, as obras de 1985 foram adquiridas por valor não divulgado.



As quatro obras, que foram adquiridas em Maio, integrarão a exposição “Retratos da Rainha”, a inaugurar em Novembro no Castelo de Windsor, nas comemorações do Jubileu de Diamante.
Para fazer estas serigrafias, Andy Warhol baseou-se num retrato da rainha feito pelo fotógrafo Peter Grugeon em Abril de 1975. Com cerca de 100 cm de altura por 80 cm de largura, as quatro obras vão agora juntar-se à colecção real britânica. 

“Os retratos estão numa técnica interessante e contemporânea que Wahrol realmente popularizou, a serigrafia com cores vibrantes", disse à BBC a curadora real Jane Roberts, acrescentando que as obras de Warhol representam o retrato popular da rainha “mais importante das últimas décadas”. “É por isso que se vão juntar à colecção que tem mais de 600 anos.”

Segundo Jane Roberts, Andy Warhol produziu estes retratos com a intenção de que deveriam ser expostos em conjunto e ser vistos como uma série. “O que Warhol fez com estas serigrafias é novo, e particularmente nestas imagens onde usa os mesmos contornos mas com cores diferentes, o que é algo muito pessoal para ele”, explicou a curadora, para quem o pai da pop art “brincou com as imagens de uma forma completamente nova”. 

Os quatro retratos serão expostos juntamente com outras obras da colecção, entre elas uma selecção de retratos oficiais da rainha dos seus 60 anos no trono. A exposição estará aberta ao público até ao dia 9 de Junho de 2013.

Andy Warhol


Óscares: Quem decide quem ganha? | M10

São os membros, através de voto secreto, que decidem os vencedores AFP


Já se sabe que os prémios mais cobiçados de Hollywood são atribuídos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mas pouco mais se sabe sobre quem realmente decide e vota nos nomeados. Actualmente, a Academia conta com 5765 membros votantes, são eles que escolhem os filmes nomeados e os vencedores. Mas quem é que está realmente por trás dos boletins de voto? Uma investigação do Los Angeles Times, que descobriu a identidade de mais de 5100 membros (cerca de 89% das pessoas que votam para os Óscares), revela que o grupo votante não representa uma igualdade justa e representativa do mundo do cinema e que muitos nomes reconhecidos do meio nem sequer integram esta lista, o que influencia obviamente os vencedores aos Óscares.  A justificar estão os números gerais: 94% são brancos, 77% são homens e 54% têm mais de 60 anos. Estes são os números que saltam à primeira vista e que dão azo a uma especulação que não é nova. Poucas raças representadas, poucas mulheres e poucos jovens. Quase o oposto daquilo que se passa no mundo cinematográfico.

Ainda recentemente, o realizador da saga “A Guerra das Estrelas”, George Lucas, que não é membro da Academia, se queixou, numa entrevista a Jon Stewart, do racismo existente em Hollywood, destacando que são raras as vezes em que os filmes são protagonizados por actores negros, ou que estes são reconhecidos. 
Até hoje, em 83 anos de história dos Óscares, apenas cerca de 4% dos prémios de representação foram para actores afro-americanos. Nos confrontos entre homens e mulheres, os resultados ainda são mais díspares. Kathryn Bigelow foi a única mulher a receber o Óscar de Melhor Realizador por “Estado de Guerra” e isto aconteceu apenas em 2010. No ano a seguir, em 2011, Samuel L. Jackson queixou-se de não ter existido em toda a cerimónia de entrega dos Óscares um apresentador masculino negro. “É obvio que não existe NENHUM actor preto em Hollywood que saiba ler um teleponto, ou que não seja fixe o suficiente”, disse o actor ao Los Angeles Times

E depois há a questão da idade. Também no ano passado, os responsáveis da Sony Pictures, produtora do filme nomeado “A Rede Social”, disseram na altura que consideraram que o filme sobre a criação da maior rede social, o Facebook, não conquistou o Óscar de Melhor Filme, que foi entregue a “O Discurso do Rei”, porque os membros da Academia mais velhos, que representam mais do que a maioria, não se identificariam com a história da Internet. 
Para a actriz afro-americana Alfre Woodard, que é membro da Academia desde 1985, se a idade média dos votantes fosse entre os 45 e os 50 anos, por exemplo, o filme “Shame”, no qual Michael Fassbender dá vida a um homem viciado em sexo, seria um forte candidato aos Óscares. Para a actriz, “Shame”, que se destacou entre a crítica, não é o tipo de filme que um público mais velho “vá a correr ver”. Apesar de todas as polémicas e críticas, o presidente da Academia Tom Sherak já garantiu que não foram dadas ordens aos produtores da cerimónia, Brian Grazer e Don Mischer, para que incluíssem mais minorias na gala. “Os produtores produzem o espectáculo, fim da história”, disse Sherak ao jornal norte-americano, lembrando que Academia nunca se deixou influenciar por essas questões.

Mas quem são afinal estes membros?
Originalmente, os membros da Academia estavam divididos em cinco categorias, cada uma representando uma área diferente do cinema, nomeadamente os produtores, argumentistas, os realizadores, os actores e os técnicos. No entanto, com o aumento da indústria, estas categorias foram aumentadas para 14 grupos, de forma a se incluírem as áreas administrativas (executivos e relações públicas) e subdivisões na categoria das técnicas (directores criativos, fotografia, edição, som). Desde o seu início que um membro só pode integrar a Academia por convite, sendo que até 2004 os convites não eram públicos. Desde então, todos os anos os novos membros são notícia. Em 2011, por exemplo, a Academia anunciou a entrada de mais 178 novos membros, entre os quais se destacavam nomes como o actor Russell Brand, a actriz Mila Kunis, o realizador Tom Hooper ou a artista Beyoncé Knowles.  Segundo a constituição da Academia, qualquer pessoa se pode ser convidada formalmente para membro, basta apenas que tenha feito de alguma forma uma contribuição valiosa no mundo do cinema, ou que tenha sido distinguido com o seu trabalho no ramo ou, noutros casos, que um membro proponha o seu nome, que terá obviamente de ser justificado, não se distinguido aqui a nacionalidade, existindo actualmente membros de mais de 20 países. Entre os nomes não americanos destacam-se por exemplo o compositor britânico Andrew Lloyd Webber, o designer de moda indiano Bhanu Athaiya, ou o cineasta italiano Vittorio Storaro. 
Depois de convidados pela Academia, o cargo é vitalício, mesmo que entretanto se retirem do cinema ou se reformem. Ou como aconteceu em muitos casos, actores que em tempos áureas se destacaram em Hollywood e que entretanto foram esquecidos pela indústria. Quem não se lembra do actor Steve Guttenberg, que na década de 1980 foi a grande estrela da saga “Academia de Polícia”?

Leonardo está sentado à esquerda de Jesus em A Última Ceia? | M5

A Última Ceia foi pintada no refeitório de um convento em Milão DR

Para o escritor Ross King, é bem provável que sejam do mestre as feições do apóstolo Tomé. Mas Tiago também é parecido. Quando se trata de Leonardo da Vinci, o filão de mistérios, hipóteses e polémicas parece não ter fim. Dezenas de historiadores vivem fascinados pela obra e pela vida deste pintor, escultor e cientista que simboliza como nenhum outro o ideal do Renascimento. Não é por isso de estranhar que sejam frequentes as novas teorias sobre as obras de Leonardo (1452-1519) e os terramotos mediáticos sempre que uma das suas pinturas desaparece ou é restaurada.
Desta vez a agitação vem do meio editorial e deve-se a uma nova teoria do escritor canadiano Ross King, que nos últimos anos se tem dedicado a temas históricos, sendo autor de best-sellers como Brunelleschi's Dome eMichelangelo and the Pope's Ceiling. King, que está prestes a lançar o seu último livro, Leonardo and The Last Supper (Bloomsbury Publishing), defende agora que é bem provável que o pintor se tenha representado duas vezes numa das suas obras mais icónicas, A Última Ceia (1495-1497), um fresco feito para o refeitório do convento dominicano de Santa Maria delle Grazie, em Milão. Numa delas é São Tomé, o apóstolo que duvida para crer, sentado à esquerda de Jesus, com a mão e o dedo indicador levantados, um gesto que se tornou uma das imagens de marca do pintor. Na outra é São Tiago Menor, o segundo dos apóstolos a contar da esquerda, com os cabelos compridos alourados e o nariz longo, mas delicado. Será possível? Dois auto-retratos numa só obra?
Ross King não tem certezas, mas baseia a sua hipótese em vários factores. Os dois apóstolos, explicou ao jornal britânico The Independent, parecem ter tido o mesmo modelo e algumas das suas características – o nariz grego, os cabelos caídos sobre os ombros no caso de São Tiago e a barba em São Tomé, algo pouco comum nos italianos do século XV – parecem evocar o retrato a giz vermelho da Biblioteca de Turim que nos mostra um Leonardo já velho. Este último argumento é estranho, já que no mesmo livro que deverá chegar às livrarias a 30 de Agosto o escritor defende ainda que este desenho, há muito identificado como um auto-retrato, será contemporâneo de A Última Ceia(anos 1490), o que faz com que dificilmente tenha saído das mãos do mestre, já que é difícil acreditar que, aos 43 anos, Leonardo se representasse como um ancião (mesmo se a esperança de vida na época era bem mais baixa).
Mas para King não são as semelhanças físicas que dão consistência à hipótese. Afinal, admite, ninguém sabe ao certo como seria Leonardo em novo e é este mistério que faz com que muitos especialistas e curiosos o procurem em muitas das suas obras. O canadiano prefere ancorar a sua teoria num poema contemporâneo de Leonardo, escrito por um dos seus amigos, Gaspare Visconti, que, tal como o pintor de Mona Lisa ou de Dama com Arminho, fazia parte do talentoso núcleo de artistas da corte milanesa de Ludovico Sforza. "Visconti e Da Vinci eram amigos, conheciam-se bastante bem", disse King ao diário espanhol El País, referindo-se aos versos em que o poeta ironiza sobre um artista (nunca o nomeia) que tem o hábito de se auto-retratar nas suas obras, emprestando os seus gestos, a sua postura, às personagens que representa. "Esta brincadeira [de Visconti] só faria sentido – e só poderia ser compreendida - se se referisse a um pintor muito conhecido", acrescenta o escritor.
O que teria levado o mestre a incluir-se nesta obra? Porquê Tomé e Tiago? Quanto a Tiago, King não tem pistas, mas para a escolha de Tomé tem resposta pronta: "Se Leonardo tivesse de escolher um personagem, seria certamente Tomé, já que é o apóstolo que duvida de tudo". O autor fala ainda das dificuldades que o mestre terá sentido nesta pintura mural (o fresco não era técnica que dominasse), nos riscos que a obra correu com os bombardeamentos aliados na Segunda Guerra e nas polémicas que envolveram os seus 22 anos de trabalhos de restauro. Há tempo ainda para contar pequenas histórias que envolvem a linguagem corporal dos apóstolos e as enguias servidas naquela última vez em que Cristo se sentou à mesa. "A Última Ceia é a única obra em que ninguém – excêntrico ou académico – tentou identificar um retrato de Leonardo", sublinhou Ross ao Independent. Para o escritor, é natural que o mestre se tenha representado em algumas das suas pinturas. Afinal, Miguel Ângelo transformou-se num dos condenados no tecto da Capela Sistina, Rafael está no seu fresco A Escola de Atenas, Andrea Mantegna surge timidamente em A Apresentação no Templo, e Diego Velázquez não resiste a aparecer em As meninas.

Suspeito de vandalizar quadro de Mark Rothko já foi detido | M10

O quadro de Mark Rothko foi vandalizado no domingo à tarde, na Tate Modern, em Londres

As autoridades prenderam Vladimir Umanets, que se identificou ao The Guardian, no domingo à noite, como sendo o autor da marca deixada no quadro do pintor russo Mark Rothko, naquele dia à tarde, na galeria Tate Modern, em Londres. Na pintura Black on Maroon, de Mark Rothko, pode ler-se agora "Vladimir Umanets, uma potencial obra do yellowism". O homem, de 26 anos, foi detido, depois de, durante o dia de ontem, ter falado com vários órgãos de comunicação britânicos. Em entrevista à ITV News, afirmou: “Não quero ficar alguns meses, nem algumas semanas, na cadeia, mas acredito fortemente no que estou a fazer, dediquei a minha vida a isto”.
Os filhos de Mark Rothko, Kate Rothko Prizel e Christopher Rothko, emitiram um comunicado, no qual se lê que a família está muito perturbada "mas tem plena confiança de que a Tate Gallery vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para remediar a situação”. Domingo à noite, o The Guardian falou com Vladimir Umanets, que disse: “Eu acredito que se alguém restaurar o quadro e retirar a minha assinatura, a peça terá menos valor, mas daqui a alguns anos a obra valerá mais por causa do que eu fiz”. Umanets comparou-se a Marcel Duchamp, pai da corrente de arte dadaísta, em que os artistas retiravam os objectos do seu contexto habitual, assinando-os e conferindo-lhes um novo valor artístico.
Mark Rothko nasceu a 25 de Setembro de 1903, em Dvinsk (Rússia) e, aos dez anos, mudou-se para os EUA. Para além de um dos pioneiros do abstraccionismo expressionista, também representou em algumas peças de teatro e foi professor. Entre as suas obras mais conhecidas, está a série de quadros pintados em 1958, para o restaurante Four Seasons, no edifícioSeagram em Nova Iorque. Mais tarde, pouco antes da sua morte em 1970, o pintor abstraccionista decidiu que não queria os seus quadros naquele restaurante e doou-os à galeria Tate Modern.

Esta pintura é um Botticelli, mas foi também um Rockefeller | M5

A pintura de Botticelli tem mais de 500 anos 

A expectativa que se cria à volta de um leilão não depende só da arte que se vai vender – muitas vezes depende também de quem a coleccionou. É o que se passa com a sessão que a Christie’s vai dedicar aos mestres do Renascimento no fim de Janeiro, em Nova Iorque.
A estrela do leilão consagrado às tradições artísticas que se desenvolveram por toda a Europa entre 1300 e 1600 é uma pintura de Sandro Botticelli (c.1450-1510) - o mestre italiano que é autor de obras tão icónicas como O Nascimento de Vénus e Primavera - que pertenceu a John D. Rockefeller (1839-1937), magnata do petróleo e filantropo, patriarca de uma das famílias mais poderosas dos Estados Unidos.
As grandes leiloeiras como a Christie’s e a Sotheby’s, lembrava há dias o diário norte-americano The New York Times (NYT), têm vindo a constatar, ao longo dos anos, que o nome Rockefeller pode ser uma ferramenta de marketing muito eficaz, capaz de aumentar o interesse em torno dos lotes e de fazer escalar os preços. Isto justifica o facto de a venda da obra de Botticelli (c.1493-95), representando a Virgem com o Menino ao colo e São João Baptista ainda criança, estar a ser promovida com o nome por que é mais conhecida no mercado – a “Madonna Rockefeller”.
A Sotheby’s fizera o mesmo em 2007 quando o actual patriarca, David, o único neto vivo do fundador da Standard Oil, vendeu um Mark Rothko de 1950 (Yellow, Pink and Lavender on Rose). Do “Rothko Rockefeller” a leiloeira passou, já este ano, ao “Raza Rockefeller”, quando um dos herdeiros, John D. Rockefeller III, decidiu levar à praça uma paisagem de 1958 assinada pelo pintor indiano Sayed Haider Raza. “Esta venda dá-nos oportunidade de reunir um grupo significativo de peças de um período para o qual há um apetite extra”, disse ao NYT o responsável pelo departamento internacional de mestres da pintura antiga da Christie’s, Nicholas Hall. O “apetite extra” a que se refere decorre do interesse crescente que os coleccionadores dos “novos mercados”, como a Rússia, a China, o Médio Oriente e o México, têm vindo a demonstrar pela arte produzida entre o início do século XIV e o final do século XVI, explica Hall.
Para o especialista da Christie’s há uma explicação simples para este interesse redobrado – os coleccionadores percebem que as obras da renascença são um bom investimento. Se não, vejamos: a pintura devocional de Botticelli que vai ser leiloada em breve tem uma estimativa de venda entre os 3,8 e os 5,3 milhões de euros, ao passo que artistas como Andy Warhol (1928-1987) e Mark Rothko (1903-1970) estão a vender por dezenas de milhões (foi assim nas últimas semanas, com uma obra do ícone da pop art a ultrapassar os 30 milhões de euros e outra do pintor de origem russa a atingir os 57,7). As perspectivas de valorização de uma boa obra do Renascimento são altíssimas, sublinha Hall. Para garantir que as pessoas certas (leia-se, os potenciais compradores) vão ter acesso às obras ao vivo, alguns dos 30 lotes a leiloar – pintura, escultura, desenho e gravura, de artistas como Fra Bartolommeo, Lucas Cranach (O Novo e O Velho) e, claro, Botticelli – vão estar expostos em Nova Iorque (no Centro Rockefeller, bem a propósito), Hong Kong, Londres e Moscovo.
A obra de Botticelli, que em 2010 esteve à venda na Feira de Arte e Antiguidades de Maastricht, a mais importante do mundo, tem um tema comum à pintura devocional florentina – afinal, São João Baptista era o santo-patrono de Florença – e representa a Virgem com um delicado véu transparente a cobrir-lhe a cabeça e os ombros, algo comum entre as mulheres solteiras da cidade, segundo um comunicado da leiloeira.  O pedigree da obra é estabelecido pelas colecções a que pertenceu, pelas exposições que integrou (Botticelli e Filippino: Paixão e Graça Pintura Florentina do Século XV, Palazzo Strozzi, Florença, 2004) e pelos estudos que sobre ela foram feitos por especialistas de renome como Ronald Lightbown, autor de uma das monografias de referência do pintor.
De recordar, refere o documento da Christie’s, que na primeira edição do livro que dedicou a Botticelli (1979), Lightbown, que até então só tinha visto a pintura através de fotografias, punha em dúvida que o mestre italiano fosse o autor desta Virgem com o Menino e São João Baptista, opinião que corrigiu dez anos mais tarde, na reedição, depois de ter examinado detalhadamente o original. A cena representada, escreve Lightbown, “está banhada num suave pôr-do-sol, muito característico deste momento na arte de Botticelli, marcada por uma sensibilidade aguçada ao poder de sugestão emocional e dramático da luz e da sombra”.
Nicholas Hall resume: “A ‘Madonna Rockefeller’ é um exemplo raro e importante do estilo da fase madura de Botticelli.” Esta obra com 48cmX38cm fez parte da colecção de Lord Duveen, um dos maiores negociantes de arte do século XX. Foi a Duveen que os Rockefeller a compraram nos anos 1930. A pintura manteve-se nesta família de filantropos durante meio século, tendo sido adquirida depois por um coleccionador nova-iorquino que se mantém anónimo. Se for arrematada no leilão de 30 de Janeiro – a Christie’s espera que as estimativas sejam largamente ultrapassadas - mudará de mãos, mas dificilmente mudará de nome.

Guggenheim revela finalmente o retrato escondido num Picasso | M9

Mulher a passar a ferro de Pablo Picasso datado de 1904. 

Já se sabia desde 1989 que Mulher a passar a ferro, de Pablo Picasso, escondia uma figura enigmática, um outro retrato escondido (representado de forma invertida) sobre a pintura. Depois de restaurar a obra de Picasso, o museu Guggenheim de Nova Iorque conseguiu agora obter a imagem nítida de um homem com bigode sob a famosa imagem de uma mulher a passar a ferro no início do século XX. Aos 22 anos, Pablo Picasso pintou Mulher a passar a ferro, uma mulher magra curvada sobre uma tábua de engomar e que os peritos incluem no chamado período azul do artista, que a terá terminado em 1904. A trabalhar no início do século XX em Paris, sem muito dinheiro, o pintor tinha o hábito de reutilizar telas. Assim, Picasso terá começado por executar o retrato do homem com bigode e, depois de abandonar a ideia, usou a mesma tela paraMulher a passar a ferro.
Em 1989, a presença da figura masculina foi detectada pela primeira vez por câmaras de infra-vermelhos. A imagem, apesar de esbatida, foi suficiente para alimentar a dúvida sobre a identidade do homem e sobre se o pintor espanhol seria de facto o autor do retrato. Mas só agora é que o Guggenheim de Nova Iorque, que alberga a obra desde 1978, teve verbas, através de uma bolsa do Projecto para a Conservação de Arte do Bank of America, para proceder ao seu restauro. E assim, pela primeira vez, foi possível ver os olhos do homem anónimo, assim como o seu cabelo e um lenço vermelho em volta do pescoço. De acordo com John Delaney, da Galeria Nacional de Arte em Washington, é possível aferir que Picasso teve dificuldade em desenhar um dos olhos, tentando reproduzi-los em duas posições diferentes.

Duas obras de Salvador Dali vão ser leiloadas | M10

Mulher passa por um quadro de Dalí, exposto em Espanha.Fotografia © Arnd Wiegmann/Reuters

Duas obras de Salvador Dali, entre as quais um busto pintado e um quadro realizado para um projeto cinematográfico de Fritz Lang, são leiloados na terça-feira na leiloeira Artcurial, em Paris, noticia hoje a AFP.
Datado de 1941, o quadro a óleo e guache intitulado "A máquina de costura" poderá custar entre 1,6 milhões e dois milhões de euros, informa a Artcurial.
Foi realizado por Dali durante a sua estada noe EUA para o filme "Maré Cheia" (Moonstide, 1942) de Fritz Lang.
Depois de um conflito entre a Fox e Fritz Lang, o realizador foi substituído por Archie Mayo e os desenhos de Dali acabaram por não ser utilizados.
O pintor retomou as suas criações para o cinema em 1945 com "A Casa Encantada" (Spellbound) de Alfred Hitchcock, com Gregory Peck e Ingrid Bergman.
Dali trabalhou ainda com Walt Disney no filme de animação "Fantasia" (1940).

Italianas dizem ter descoberto paisagem de Mona Lisa | M5


Duas pesquisadoras italianas afirmam que a paisagem atrás do enigmático quadro 'Mona Lisa', de Leonardo da Vinci, situa-se na região montanhosa de Montefeltro, a este de Florença, em Itália.
Num livro prestes a ser divulgado em Itália, Olivia Nesci, da Universidade de Urbino, e Rostta Borchia, artista e fotógrafa, alegam que, ao caminhar pelas montanhas de Montefeltro à procura de lugares imortalizados pela obra do pintor italiano Piero della Francesca, descobriram, surpreendentemente, o famoso local onde Leonardo da Vinci se inspirou para criar a paisagem atrás da sua mais famosa obra: 'Mona Lisa', diz o site do jornal espanhol 'ABC'.
As duas pesquisadoras são coautoras de um estudo publicado em 2008 sobre as paisagens exibidas nas obras do pintor italiano Piero della Francesca. Foi numa das suas muitas excursões que repararam numa paisagem idêntica à do quadro de Leonardo Da Vinci.
"Numa das nossas excursões para estudar o Piero della Francesca vimos uma paisagem que nos lembrou da Mona Lisa. Havia uma confluência de rios. Parecia ser a mesma do quadro, portanto começamos a investigar", afirmou Olivia Nesci, citada pelo site do jornal australiano 'The Australian', acrescentando estar segura de que se trata do local correto.
Ao longo dos anos muitos historiadores de arte se têm debatido com uma simples questão: Terá Leonardo da Vinci baseado a sua obra numa paisagem real, ou pintou a partir da sua imaginação? Tendo em conta que, até agora, a pergunta continua sem resposta, resta aguardar confirmação oficial que determine se, de facto, a paisagem montanhosa de Florença, serviu de base a um dos quadros mais enigmáticos de sempre.
As duas pesquisadoras italianas não são as primeiras a alegar ter descoberto a verdadeira paisagem e, até ao momento, não se chegou a nenhuma conclusão definitiva, diz o 'The Australian'.

Henri de Toulouse – Lautrec | A Toilette (1896) | m8

Henri de Toulouse – Lautrec
A Toilette (1896)

Trata-se de uma das obras mais célebres de Henri Toulouse – Lautrec, mais conhecido pelas suas ilustrações do que pelos seus trabalhos a óleo. A toillete, ou seja, um momento de intimidade feminina, foi um tema também muito querido de Degas, um dos pintores a que Lautrec se refere constantemente na sua própria pesquisa. 
Muito diversa é, no entanto, a abordagem dos dois artistas. Basta uma comparação entre A Tina – pastel de Degas também ele propriedade do museu – e esta imagem para compreendermos a distância. 
Se na obra de Degas temos a impressão de espreitarmos pela fechadura a figura feminina, no óleo de Toulouse-Lautrec, apesar da posição de costas do sujeito, a atmosfera é a de uma tranquila cumplicidade entre o pintor e o modelo. 
Henri de Toulouse – Lautrec. 1864-1901
Lautrec ama as mulheres – sejam elas modelos, bailarinas, prostitutas ou expoentes da burguesia -, conhece os seus segredos, participa, sem malícia nem prazer, mas antes com um benévolo sorriso, na sua vida quotidiana. A sua imensa sensibilidade torna Lautrec seu confidente e leva-o a experimentar simpatia pelos marginais da cidade, entre os quais se conta Vincent van Gogh, cuja obra adira e cujo carácter compreende. 

Uma sensibilidade profunda que não iria certamente salvá-lo, mas que, pelo contrário, o empurraria para a autodestruição: a sífilis e o alcoolismo levá-lo-iam à morte aos trinta e sete anos. 


Miguel Ângelo terminou o tecto da Capela Sistina há 500 anos | M5

Miguel Ângelo terminou o tecto da Capela Sistina há 500 anos

Faz 500 anos que foi inaugurado o monumental fresco que Miguel Ângelo pintou no tecto da Capela Sistina. É um dos maiores tesouros artísticos da Humanidade, e atrai cinco milhões de pessoas por ano. Aprecie as pinturas e faça ainda uma visita virtual. 
Consta que Miguel Ângelo aceitou a incumbência de pintar o tecto da Capela Sistina contrariado, por se considerar sobretudo um escultor e pensando que resultava de uma conspiração dos seus rivais para o desviar da obra para a qual havia sido chamado a Roma, o mausoléu do Papa. O resultado seria deslumbrante. Ao longo dos 1100 metros quadrados do tecto do templo, Miguel Ângelo apresentou algumas das mais poderosas imagens de cenas do Antigo Testamento, consideradas como um dos maiores tesouros artísticos do mundo - os nove painéis centrais mostram as histórias de Génesis, da criação à queda do ser humano, o dilúvio e o renascimento posterior da Humanidade com a família de Noé. A obra, encomendada pelo Papa Júlio III, foi realizada pelo artista ao longo de quatro anos (entre 1508 e 1512) e faz hoje 500 anos que o Pontífice escolheu o dia de Todos os Santos para a inaugurar.
Visitas de uma hora por 220 euros
Actualmente, nos períodos do ano de maior afluência a Capela Sistina é vista por cerca de vinte mil pessoas por dia. O templo, transformado numa enorme atracção turística, é visitado por mais de cinco milhões por ano, o que, aliás, tem gerado algumas críticas. O Vaticano admite até, futuramente, limitar o número de entradas. Fora das horas normais de visitas turísticas, o Vaticano organiza ainda visitas de uma hora limitadas a dez pessoas, pelo preço de 220 euros.  Além de diversas cerimónias religiosas, no espaço ali tem ainda lugar o conclave em que os bispos elegem o novo Papa. Localizada no Palácio Apostólico da Cidade do Vaticano, residência oficial do Papa, a Capela Sistina foi criada entre 1477 e 1480, inspirada no Templo de Salomão do Antigo Testamento. Para além dos frescos de Miguel Ângelo, conta ainda com pinturas de outros grandes artistas do Renascimento como Rafael, Bernini e Sandro Botticelli.

Visita virtual à Capela Sistina



Édouard Vuillard “Na Cama”

Édouard Vuillard “Na Cama”. 1981. Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 74x92,5 cm

Depois de se ter formado, como muitos artistas do tempo, na Académie Julian e no ateliê de Gérôme, Édouard Vuillard juntou-se, a conselho de Maurice Denis, ao grupo dos nabis, os jovens «profetas» que naqueles anos promoveram uma pintura de desenho simplificado, de linha arabesca e de camadas de cores planas, frequentemente delimitadas por contornos com efeitos de vitral ou de esmalte cloisonné. Na Cama pertence exactamente ao período nabis do artista e é uma das suas primeiras experimentações sintetistas. Vuillard joga com uma paleta «rebaixada», sem empolgamentos cromáticos, numa sobreposição de camadas bem delineadas. Para pintar esta cenazita de intimidade quotidiana superou o dado real e traduziu-o em qualquer coisa de novo. As situações mais banais, como esta, elaboradas pelo filtro da memória e da fantasia do artista, transformaram-se em preciosos e emocionantes fragmentos em preciosos emocionantes fragmentos de existência. Já em meados da década de 1890 o estilo de Vuillard conhecerá uma nova evolução, abrindo-se primeiramente a uma pincelada de matriz impressionista, para depois mudar, nos seus esplêndidos «retratos ambientais», alguns dos quais pertencentes às colecções do museu.


Da esquerda para a direita: Ker-Xavier Roussel, Édouard Vuillard, Romain Coolus e Felix Vallotton, em 1899.


Camille Pissarro e “Mulher Estendendo a Roupa” | M8



O único expoente do movimento impressionista que tomou parte em todas as exposições organizadas pelo grupo foi Camille Pissarro, pintor sensível, capaz de captar as novidades propostas pelos artistas mais jovens e de aproximar-se de personalidades complexas como Paul Cézanne e Paul Gauguin. Foi sua a ideia de convidar Seurat e Signac para a exposição impressionista de 1886, um decisão que suscitará algumas perplexidades nos outros membros. 


Pissarro, nascido em 1830, foi realmente dos poucos da sua geração a compreender e a aceitar o estilo pontilhista. Esta pequena mas valiosíssima tela testemunha, assim, a adesão pessoal do artista à nova linguagem. Embora as atmosferas e o tema sejam ainda de matriz impressionista, o estilo mudou radicalmente. 


Pissarro procede por breves toques de cor pura, sobrepondo-as segundo leis ópticas precisas, como Georges Seurat, bastante mais novo, preconizava na época. Exemplar é a utilização estudadíssima das cores complementares: às vírgulas amarelo-escuras dos cabelos das duas figuras juntam-se pequenas pinceladas violáceas, nos verdes fios da erva escondem-se outros tantos pontos vermelhos, e assim por diante, procedendo por justaposições cromáticas cientificamente estudadas.


Jacob Abraham Camille Pissarro (Charlotte Amalie, na ilha de São Tomás nas Índias Ocidentais Dinamarquesas, hoje Ilhas Virgens Americanas, 10 de Julho de 1830  Paris, 13 de Novembro de 1903) foi um pintor francês, co-fundador do impressionismo, e o único que participou nas oito exposições do grupo (1874-1886)


Monet e "a Gare Saint-Lazare" | M8

Monet, A Gare Saint-Lazare,  1877, Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 75,5x104 cm . Museu D'Orsay, Paris

Paris «muda mais rapidamente do que o coração dos mortais», sustentava Charles Baudelaire, e a vitalidade desta cidade em constante renovação oferece à pintura impressionista notáveis estímulos. A Gare Saint-Lazare, no distrito de Batignolles, é um dos símbolos da modernidade de Paris. A estrutura em ferro e vidro da recente estação ferroviária – em consonância com as últimas tendências arquitectónicas – presta-se bem a ser retratada pelo olhar sensível de Monet, que ficou profundamente fascinado pelos efeitos produzidos pelo vapor dos comboios e pela atmosfera que rodeia o ambiente à chegada das carruagens. O artista dedica à Gare Saint-Lazare uma série de telas, a mais célebre das quais é, sem dúvida, esta. O vapor confunde o olhar, envolvendo os escuros perfis das locomotivas e dos viajantes que esperam à beira dos carris; por detrás da cortina de fumo, no horizonte, a cidade com os seus característicos palácios banhados pelo sol. Monet não retrata a ferrovia como símbolo de modernidade e progresso nem nutre qualquer interesse pelas revoltas sociais que a difusão da rede ferroviária provocou: o olhar do pintor é totalmente absorvido pela percepção das variações atmosféricas e pelos efeitos do vapor.

Monet e “As Papoilas de Argenteuil” | M8

Monet “As Papoilas de Argenteuil”- 1885 - Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 50x65 cm Museu d'Orsay, Paris 

Há muito tempo que Monet e Bazille acalentavam um sonho: organizar, depois de tantas recusas por parte de júri do Slon, uma exposição colectiva por conta própria para oferecer um espaço a que, como eles, estava a elaborar uma nova linguagem pictórica. A 27 de Dezembro de 1873 constituiu-se a Société Anonyme des Artistes, Peintres, Sculpteurs, Graveurs, etc., que, em Abril do ano seguinte, daria vida à primeira de oito exposições organizadas pelo grupo. Entre as telas expostas está esta célebre obra de Monet, que retrata um esboço do campo nos arredores de Argenteuil. O público não está de modo algum preparado para acolher obras deste género: para uns olhos habituados às telas académicas, a de Monet, dada a rapidez da pincelada e a imediatez do toque, parecia não estar terminada, não ter passado de um esboço. Também foi um escândalo a profusa utilização de cores sintéticas, frequentemente usadas em estado puro e aplicadas directamente sobre a tela. Grande parte da paleta impressionista não pertencia à tradição, pois era uma invenção recente da química, como certas tonalidades de amarelo e de laranja obtidas pelo cromato de chumbo ou certos toques de verde ou de azul-cobalto: mais um passo em direcção à modernidade.

Roubadas pinturas de Picasso, Matisse, Monet e Gauguin | M8

o lugar vazio na parede de onde foi roubado o quadro de Henri Matisse
Obras de Picasso, Matisse, Monet, Gauguin, Meyer de Haan e Lucien Freud pertencentes a uma colecção privada estavam expostas ao público pela primeira vez.
"Tête d'Arlequin", de Pablo Picasso;
De uma assentada, sete quadros desapareceram do Museu Kunsthal, em Roterdão, durante a última madrugada. O roubo aconteceu depois das 3h locais (2h em Lisboa) e teve por alvo obras de Picasso, Matisse, Monet, Gauguin, Meyer de Haan e Lucien Freud.

Segundo a polícia, que tenta agora perceber como foi possível o acesso dos ladrões à galeria, o alarme disparou mas quando a equipa de segurança privada do museu chegou ao local, de carro, já era tarde de mais. Ao perceberem que vários quadros tinham sido roubados, os seguranças limitaram-se a alertar as autoridades.Ainda que o valor das obras não tenha sido divulgado, a polícia reconhece que os quadros têm "um valor considerável". São eles:

A Dutch police handout shows the paintings Tete d’Arlequin by Pablo Picasso; La Liseuse en Blanc et Jaune by Henri Matisse and Autoportrait by Meyer de Haan — stolen during a break-in at Rotterdam’s Kunsthal museum.
"La Liseuse en Blanc et Jaune", de Henri Matisse;
"Waterloo Bridge, London" e "Charing Cross Bridge, London", de Claude Monet;
"Femme devant une fenêtre ouverte, dite la Fiancée", de Paul Gauguin;
"Autoportrait", de Meyer de Haan;
"Woman with eyes closed", de Lucian Freud.

"Femme devant une fenêtre ouverte, dite la Fiancée", de Paul Gauguin;
Os quadros pertencem à coleção privada Triton, que reúne mais de 150 obras de arte moderna. Estavam expostos ao público pela primeira vez, desde o 7 de outubro, numa mostra especial para comemorar os 20 anos do museu holandês.

"Waterloo Bridge, London"  de Claude Monet;
A polícia abriu uma investigação e além de estar a analisar as gravações do sistema interno de vídeo, ouve também eventuais testemunhas.









Jean – François Millet (1814-1875) | Palheiros: Outuno. M6

Assinado: J. F. Millet | c. 1868 | Pastel | A. 0,69 x L 0,93 m.
Proveniencia: Colecção Albert Cahen d´anvers.
Adquirido por intermédio de Graat et Madoulé na Venda Cahen d´Anvers,
Galeria Georges Petit, Paris, a 14 de  Maio de 1920.


Jean – François Millet (1814-1875)

E
mbora assumindo orientações diversas, a tendência para a valorização do real/natural na pintura vai-se progressivamente constituindo como afirmação pictórica ao longo do século XIX. O crescente descrédito do convencionalismo académico entre os artistas que se pretendem inovadores acaba por elevar a um plano de destaque aqueles que privilegiam a emoção como elemento primordial na transposição conceptual das evocações (in)tangíveis (re)criadas. Génio independente, personalidade brilhante e preponderante relativamente aos restantes elementos do grupo de Barbizon, Jean François Millet esteve, embora devidamente demarcado dos fundamentos doutrinários defendidos por Courbet, associado à elaboração de um novo naturalismo. Para tal, elegeu o Homem na sua constante e dura relação com o meio como tema essencial de uma obra a que conscientemente conferiu um carácter fatalista: “c´est le côté humain, franchement humain, qui me touche le plus en art…cen´est jamais le côté joyeux qui m´apparâit, j ene sais pas où il est, j ene l´ai jamais vu”.


Esta paisagem pura e austera, de um lirismo violento, bela mas melancólica, inscreve-se num conjunto de trabalhos iniciado pelo pintor na década de sessenta. O núcleo é dedicado à representação de campos imensos onde, a uma impressionante perspectiva de construção, prevalece associada a força moral e a imutabilidade do instante captado, num quadro quase brutal de evidente densidade espiritual. O domínio de Millet é o domínio silencioso da planície gelada (interiorizada), dos horizontes infinitos, do espaço solitário e agreste onde os vestígios do trabalho e dos gestos das gentes simples se conciliam com a terra amada. 


Sem ser acessório ou intruso, o homem é neste caso passageiro ou efémero. A monotonia sonolenta que o olhar percorre é também ela aparente. Ao submeter a totalidade do universo representado à irreversibilidade cíclica do tempo que tudo condiciona, Millet sintetiza dessa forma a verdade da composição. A simplicidade esquematizada do conjunto é definida pela delimitação preliminar do desenho, conferindo o pintor, através de uma estrita utilização da cor – que acentua a visão de um mundo cinzento – a sugestão da atmosfera desolada e rude, cuja intensidade sombria monopoliza a paisagem de infinita permanência. De perspectiva bem mais próxima, mas de inspiração não distante, possui o Metropolitan Museum of Art um óleo de Claude Monet intitulado montes de feno com neve, com data de 1891.

Jean – François Millet (1814-1875)
Hino sincero à natureza e à vida no campo, esta obra de rara qualidade e grande sensibilidade é bem reveladora da enorme riqueza interior do seu criador, cujo talento, tão singular – um dos mais poderosos do século, seguramente -, não só se afirma continuador da longínqua tradição de Bruegel como anuncia a arte de excepção que, um pouco mais tarde, Van Gogh virá a praticar.

Claude Monet | O tanque dos Nenúfares (1900) | M8

Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 89,5 x 100 cm
Proveniência: legado pelo conde Isaac de Camondo em 1911

Claude Monet – O tanque dos Nenúfares (1900)
No último período da sua longa existência, Monet transferiu-se para uma vivenda em Giverny, em frente da qual plantou um magnífico jardim de nenúfares, a que chamou “uma paisagem de água”. Para o artista, retractar os nenúfares converte-se quase num desafio: “Estas paisagens de água e de reflexos”, admite, “transformaram-se numa obsessão, é qualquer coisa que ultrapassa as forças de um velho como eu, e, no entanto, quero conseguir exprimir aquilo que sinto. Destruo-os…e recomeço.” A busca de Monet já superara amplamente a reprodução das impressões. Os nenúfares representam mais uma reflexão introspectiva, uma meditação sobre mistérios da natureza e as suas contínuas metamorfoses. Céu e água, realidade e reflexo misturam-se. As pinceladas perseguem-se em rápida sucessão e a tinta já não respeita os limites da tela. Desaparecem todos os traços daquela referência espacial que os edifícios de Rouen, Londres e Veneza, retratados naquela mesma época, garantiam mesmo com a sua firme presença. E bem pouco pode fazer a pequena ponte japonesa para ajudar o olhar do espectador a não se perder na variável trama cromática da camada de água. Com as suas telas dedicadas aos nenúfares, Monet roça a abstracção, alcançando o infinito. 

Claude Monet




Pierre-August Renoir (1841-1919) | M8

c. 1874 | Óleo sobre tela. | A. 0,53 x L. 0,717 m.
Proveniência: Michel Monet, Giverny.
Adquirido a Paul Rosenberg, Paris, em Abril de 1937

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)
Provavelmente executado em 1874, este retracto data de uma época em que Renoir frequentemente visitou Claude Monet e a mulher, em Argenteuil. A colaboração entre os dois artistas foi de todos os pontos de vista notável no início da década de setenta, podendo mesmo afirmar-se que o trabalho conjunto de ambos, maioritariamente dedicado à paisagem, no sentido do desenvolvimento de um novo estilo, em muito contribuiu para o nascimento do fenómeno impressionista. A amizade recíproca permaneceria intacta até à morte de Pierre-Auguste Renoir, em 1919.

Modelo de Monet, Renoir e também de Manet, a figura frágil de Camille faz parte do princípio da história do movimento impressionista. Se estabelecermos uma comparação com Mediação. Madame Monet sentada num canapé (Museu d´Orsay) do primeiro, realizado três anos antes, rapidamente nos apercebemos da seriedade de atitude associada à imagem da mulher do pintor. Mais espontânea, a presença de Camille é aqui entendida com maior à vontade, transformando-a Renoir numa projecção da sua sensação, ou seja, a de uma mulher realmente bela. Como Barbara E. White afirmou, no caso inicialmente citado a figura aparece objectivamente (fotograficamente) representada, enquanto no presente exemplo a percepção do modelo se efectua de forma subjectiva. Relacionado com esta pintura é conhecido o estudo preparatório Retracto de Madame Monet (The Lefevre Gallery, londres), cuja representação se limita a uma cabeça esboçada a três quartos. De cerca de 1873, e ao contrário da extensão diagonal em que a figura é aqui posicionada, possui o Sterling and Francine Clark Art Institute a composição de configuração vertical intitulada Madame Monet lendo, na qual Camille aparece com o mesmo traje usado por ocasião da feitura desta tela.

É precisamente pela frescura com que Renoir trata a cena de interior – através de uma vibração difusa da luz, por hábito adoptada pelos impressionistas na pintura de ar livre -, que o artista confere uma qualidade original a esta obra plenamente reconhecida. A pincelada longa – a influência de Monet -, clara e ritmada, corresponde à intenção de dissolver na atmosfera íntima a leveza de formas que se afirmam pela ausência de verdadeira substância. Correspondendo a uma estética sensual da mulher, este retracto não pretende ser um estudo de carácter, antes se impõe pela satisfação física que proporciona. Renoir centra-se na boca e nos olhos de Camille, estabelecendo de imediato um jogo de visão instantânea. Os detalhes esboçados em cores intensas – vermelhos, amarelos, tons carnais -, servem de luminosidade. As referências (à vida contemporânea, ao japonismo em voga) ou alusões (a Goya, a Manet) participam também na unidade de um conjunto em que a imaginação é colocada ao serviço do impulso.

Arte que exprime a realidade física de forma muito pessoal e simultaneamente serve um prazer imenso de pintar, a obra de Pierre-Auguste Renoir equivale a um sentido único de entender a beleza feminina, numa produção que o coloca certamente entre os grandes criadores do seu tempo. Refina-se, finalmente, a propósito do quadro, que o mesmo foi oferecido pelo artista à família Monet, tendo permanecido alguns anos no quarto de Claude, em Giverny.