Jan Van Eyck | M5

Jan Van Eyck .  1385-1441

Jan Van Eyck nasceu em Maaseik, posteriormente território belga, por volta de 1385, e faleceu em 1441, em Bruges. Trabalhou na Holanda e em Lille, mas é da estadia em Bruges que restaram as obras mais impressionantes. O Retábulo do Cordeiro Místico terá sido iniciado pelo seu irmão Hubert e terminado por Jan em 1432. O pintor utilizava a nova técnica do óleo com grande requinte, de tal modo que certos efeitos não voltaram a ser igualados. O retábulo possui um total de vinte quadros. As figuras de Adão e Eva são as mais audaciosas do conjunto.
De um realismo pesado, Van Eyck evoluiu para um estilo mais subtil e delicado, em que a luz assume uma qualidade especial. Os retratos possuem uma minúcia técnica e uma perfeição de acabamento que não esconde a personalidade dos modelos. Em O Homem do Turbante Vermelho (1433), possivelmente um autor retrato  a serenidade da pintura reflete um certo ideal de personalidade.

Jan van Eyck - Os esponsais dos Arnolfini, 1434 - Óleo sobre madeira, 81,8 x 59,7 cm - National Gallery, Londres
Uma das maiores obras-primas da época é O Casamento dos Arnolfini (1434). Esta cena tem subjacente um simbolismo que exprime a natureza do matrimónio enquanto sacramento religioso. O mundo material e o mundo espiritual integram assim o mesmo espaço, formando um só.
A influência de Van Eyck fez-se sentir principalmente na pintura dos países do Norte da Europa.

Retrato de Homem - Jan van Eyck 1433 | M5

Retrato de Homem - Jan van Eyck 1433

A tábua, talvez um auto-retrato, é um dos raros quadros pintados no século XV que conservaram a sua própria moldura original-autografada em cima co uma expressão flamenga (« Como posso, não como queria») e datada em baixo(«Jan van Eyck fez-me 1433 21 Outubro»)-, janela pela qual a luz invade em perspectiva a figura que aflora e sugere os volumes e a qualidade das superfícies.
O fundo escuro faz emergir com enorme força o rosto do protagonista: a fisionomia viva e contraída é definida por um traço rigoroso e decidido, capturando um momento de energia agressiva ao qual o olhar concentrado do observador não consegue fugir. O volumoso turbante ocupa muito mais espaço do que o rosto: verdadeiro protagonista de beleza abstracta, pintando com lúcida geometria como uma surpreendente natureza-morta. Com mesma severidade com a que perscrutava os seus modelos, Van Eyck estudou atentamente, talvez sobre um suporte, o jogo das pregas e das espirais do pano vermelho que faz de turbante, atando e retorcendo as extremidades de modo a obter os efeitos mais envolventes e pictóricos no contraste entre os remoinhos de sombra e luz.

Nossa Senhora no Trono com o Menino Jesus. Masaccio. 1426 | M5

Nossa Senhora no Trono com o Menino Jesus Masaccio  1426

A tábua ocupava a parte central do políptico encomendado em 1426 pelo tabelião Giuliano di Colino degli Scarsi para sua própria capela na Igreja de Carmine de Pisa, descrito por Vasari mas já desmembrado em finais do século XVI e cujas partes conservadas se encontram em diferentes museus do mundo. O trono de madeira, cuja estrutura se baseia em modelos antigos, com as suas linhas e ângulos rectos, ressalta frente ao observador com as cornijas agudas que delimitam e definem o espaço ocupado pela Virgem e pelo Menino: indicados apenas os traços dos rostos, modelados sumariamente os membros, a celebração do grupo divino está apenas confiada ao sumptuoso manto azul-escuro que cai em pregas profundas. Encostados às partes laterais do trono, dois anjos definem o espaço que gravita por detrás do núcleo central, enquanto na zona anterior, e de forma sensível, dois outros anjos músico estendem os instrumentos numa rigorosa perspectiva, sobre o fundo de um sarcófago estriado da época imperial romana. A disposição das figuras em diversos planos de profundidade e a rigorosa exactidão prospectiva do espaço são elementos de extrema modernidade, em oposição ao arcaísmo do fundo dourado, provavelmente devido às exigências do destinatário.

A PINTURA ROCOCÓ | M7



A pintura deste período apresenta as mesmas características estilísticas da escultura.
Tematicamente, abundaram as cenas pastoris, as “festas galantes” (onde estão patentes o amor, a sedução e o erotismo) e o retracto (que pode ser histórico, sereno e burguês, sensível ou psicológico), todos tratados de forma ligeira e superficial, em tons suaves e sensiveis onde as gradações cromáticas fazem lembrar o sfumato renascentista.
O cromatismo é baseado nos brancos, nos azuis, nos rosas e nos nacarados do mar e das conchas. As composições são rítmicas, exuberantes e de tendência decorativa.



Continua a ser em França que encontramos os autores mais significativos desta arte cortesã. De entre eles destacamos: Jean Antoine Watteau (1684 – 1721), que trabalhou os temas das festas galantes, cenas de género mitológicas com uma teatralidade própria, mas denotando tristeza; François Boucher (1732-70),que possuiu uma pintura mais robusta e sólida, mas cheia de decorativismo e frivolidade; Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), de pincelada rápida, emotiva e espontânea, que pintou o amor e a alegria de viver; e Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779), que pintou cenas de género e naturezas-mortas.

A ESCULTURA ROCOCÓ | M7




Próxima da estética barroca pela expressão plástica, mas  igualmente oposta e ela pelas novas formas, objectivos e materiais, a escultura deste período apresenta características inovadoras.
Continuando a apreciar e a acentuar as linhas curvas e contracurvas, os escultores do Rococó tornaram-nas todavia, mais delicadas e fluídas  organizadas em estilizados esses(S), em expressivos cês (C) ou ainda em contra curvados duplos.
Na figura humana, utilizaram o cânone anatómico maneirista, de corpos alongados e silhuetas caprichosas, e procuraram conferir-lhe leveza e graciosidade nos gestos, nas atitudes e nas posições, em tudo galantes, cortesãs ou lânguidas, nos grupos escultóricos, as composições possuíam movimento e ritmo (algumas personagens parecem quase dançar) e um elevado sentido cénico, fazendo enquadramento perfeito da escultura com o cenário a ela destinado.


No período Rococó, a escultura cultivou principalmente dois géneros: a escultura decorativa, parte integrante da arquitectura, pois cobria quase todas as estruturas e superfícies construídas com rebuscados e movimentados relevos de inspiração naturalista; e a inovadora estatuária de pequeno porte, destinada sobretudo a interiores, com funções decorativas e/ou de entretenimento. 


A ela podemos remontar a tradição do bibelot. A pequena dimensão foi praticada, inclusive, em modalidades como o retrato (bustos, geralmente), a estatuária religiosa e as composições mitológicas e alegóricas tão ao uso da época.

Mercury_Pigalle_Louvre
Os materiais mais utilizados foram a pedra e o bronze (para as grandes obras escultóricas de exterior); também o bronze, o ouro e a prata ( para a escultura de pequena dimensão e objectos ornamentais); a madeira, a argila, o estuque e o gesso (estes dois últimos muito usados na decoração mural dos interiores, principalmente em Itália) e uma novidade – a porcelana – a que os franceses deram o nome de biscuit, material muito usado na produção de pequenas esculturas e pintores de nomeada como os franceses Étienne-Mauríce Falconet (1716-1791) e boucher, na oficina francesa de Sévres, ainda hoje famosa; o italiano Francesco António Bustelli (1723-63), na de Nymphenburg, na Alemanha; e o alemão Kandler (1706-75), na de Meissen.


A temática preferiu temas “menores”, irónicos, jocosos, sensuais – e até eróticos ou galantes. Esta tendência manifestou-se principal mente na pequena escultura, enquanto a estatuária monumental se manteve presa aos temas comemorativos, alegóricos e/ou honoríficos  no entanto, mesmo nesta, a frivolidade dos temas acentuou-se porque: na temática mitológica preferiam-se deuses como Pan, o deus dos pastores, Vénus, a deusa do amor e da graça e pequenos cupidos alados; nos temas profanos, valorizaram-se os aspectos pitorescos ou frívolos e íntimos do quotidiano; e na estatuária religiosa, sublinhou-se o contraste entre o tema, de natureza sagrada (figuras de santos), e a forma, em requebros sinuosos, com roupagens luxuosas e maneirismos galantes, como em Ignaz Gunther (1725-75).

A ARQUITECTURA ROCOCÓ | M7



Foi na Alemanha e na Áustria que o Rococó se impôs na arquitectura. A arquitectura civil (o hôtel particulier – palacete ou moradia citadina e o château – palacete campestre) apresenta as seguintes características: edificios de dois andares baixos, com telhados de duas águas; fachadas alinhadas e alisadas encimadas por balaustradas, entablamentos e cornijas; portas-janelas altas, emolduradas por arcos de volta perfeito ou achatados; decoração exterior concentrada nas portas e nas janelas, no aparelho de alvenaria e nas ferragens; jardins de grandes relvados e arvoredos que incluem esculturas, lagos, pavilhões de caça, pagodes chineses, quiosques turcos, tornando-se locais de reunião íntima e celebrações públicas. É o templo do efémero e do folguedo.


Interiormente, o plano das habitações concentra-se no salão principal que é antecedido por um vestíbulo, do qual parte a escadaria para o andar superior. Neste, existem as divisões privadas dos donos da casa: a sala de banho, o quarto de vestir, o quarto de dormir, o boundoir ou antecâmara, própria para pequenas reuniões e outras.


As divisões eram baixas, pequenas, independentes, com pavimento de parquet; estavam fortemente iluminadas pelas portas-janelas, pelos grandes múltiplos espelhos e pelos candeeiros e lustres. Diferentes tipos de móveis povoavam estas divisões – canapés – feitos com madeiras preciosas envernizadas e com incrustações, onde repousavam bibelots de prata e porcelanas.
Biblioteca do monastério de Metten, na Alemanha.De Franz Holzinger (1691-1775).
As paredes, com cores claras e ténues, estão cobertas de riquíssima e exagerada decoração. Nelas sobressaem os falsos mármores (escariola) e os estuques, com motivos graciosos e serpentiados, e telas, as tapeçarias e os frescos ocupando tectos e sofitos.
A arquitectura religiosa encontra-se bem representada na Alemanha e na Áustria  As igrejas, com estruturas e exteriores barrocos, apresentam plantas longitudinais e complexas, exteriores simples e uma decoração interior onde escultura e pintura se misturam com os elementos arquitectónicos, criando ambientes alegres. Era o fictício a tornar-se realidade.

ESTÉTICA DO ILUMINISMO | M7



Se no século XVIII perdurava ainda, no aspecto estilistico, o Barroco Tardio (a arte ao serviço das cortes católicas e das sociedades protestantes, mas já em paulatina desestruturação), tábem se lhe sucedeu e sobrepós o Rococó, o Neoclássico (que selecciona os modelos da Antiguidade) e o Pré-Romantismo (evocando a Idade Média, o nascimento das nações, a imaginação e o fantástico). O século XVIII foi, assim um tempo de exuberância/sobriedade.
A arte rococó (termo ligado à palavra francesa rocaille nasceu em França, por volta de 1715 – 20, atingiu o apogeu cerca de 1730 e entrou em declinio finado o reinado de Luis XV (1715-74) ao qual está associado. Expandiu-se por toda a Europa e chegou aos impérios coloniais português e espanhol.
Esteticamente, este estilo está impregnado de um espirito tolerante, liberal, critico, irreverente, intimista e invidualista que caracteriza o Homem do Século das Luzes. Foi, por isso, uma arte que fugio às imposições canónicas das academias, defendendo a criatividade individual, a excentricidade, a improvisação constante, os prazeres da vida e o sentido da festa.


Foi criado segundo e para o gosto de uma elite aristocrática e intelectual amante do exotismo, da fantasia, da alegria, do natural e que discutia temas filosóficos e políticos em conversas espirituosas, que ouvia música em salões privados ou em concertos públicos, que assistia à comédia e à opera, que organizava encontros amorosos em festas campestres, com mascaradas e danças populares, numa libertinagem e numa intimidade galantes.
O Rococó, inicialmente, manifestou-se como sendo um novo tipo de ornamentação, próprio para a decoração do interior das residências da arquitectura e na produção de objectos, Entre elas, salientamos a do mobiliário (com embutidos de metal, de lacas da China, de madrepérola, de ébano e usando tecidos acolchoados), a da cerâmica (cujas fábricas na Saxónia, em Chelsea, em Capodimonte e em Sèvres foram célebres), a da ourivesaria e a da prataria, a da ferraria, e a da tapeçaria (nas oficinas de Beauvais e dos Gobelins).

Edgar Degas . A Orquestra da Ópera. 1868-69 | M9

Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 56,5 x 46
No museu do Luxemburgo

A tela, que se conta entre as obras-primas de Degas, é uma homenagem ao seu amigo Désiré Dehau, tocador de fagote na orquestra da Ópera. Nascida como retrato do musico , a cena transformou se numa composição  bem mais complexa, que oferece um olhar original e intencionado sobre o fosso orquestral do teatro. O êxito foi extraordinário: os olhos de Degas fixam-se, curiosos , nas expressões das personagens,procurando com surpreendente realismo os seus rostos alterados no momento de tocar os instrumentos. Alguns deles são rostos conhecidos da opera, como o compositor Chabrier, outros são amigos do pinto, chamados a posar no papel de músicos. Degas, um dos fundadores da société Anonyme, que daria vida ao movimento impressionista , foi uma das personalidades mais importantes e autónomas do panorama artístico parisiense da segunda metade do século XIX. Ele gostava de pintar interiores de cafés , classes de dança e momentos da vida burguesa. A sua excepcional habilidade para captar o quotidiano e pintar composições de um original e moderníssimo enquadramento revela se totalmente em obras como esta, que se inclui entre as mais celebres do museu d’Orsay



Camile Corot, Uma Manhã. A Dança das Ninfas. 1850 | M8

Camile Corot, Uma Manhã. A Dança das Ninfas. 1850

Na sua longa e gloriosa carreira, Camile Corot (1796-1875) oferece um contributo preciosíssimo para a pintura de paisagem. Género considerado menos hierarquia de temas impostos pela academia, a paisagem foi um dos temas que mais se ressentiram face à onda de modernidade que iria revolucionar, na segunda metade do século, a cena artística francesa. Só Esta esplêndida tela só foi admitida no Salon  em virtude da presença das subtis figuras dançantes – as ninfas citadas no título do quadro -, que satisfaziam a paixão dos académicos pelos temas mitológicos. O interesse do artista, no entanto, é outro:  paisagem é a verdadeira protagonista da obra, uma paisagem pintada em plein air, ao natural, em estreito contacto com a natureza. Embora envolvida numa atmosfera idílica, acentuada pela presença das ninfas e profundamente evocativa, a cena revela a sensibilidade do pintor relativamente ao tema paisagístico e sua propensão para a linguagem realista. Em 1850, Corot frequenta já algum tem Barbizon, um pequeno burgo nas proximidades da floresta da Fontainebleau, ralativamente perto de Paris, escolhido por um grupo de artistas (entre eles Charles-François Daubigny, Jean- François Millet e Théodore Rousseau, cujas telas estão expostas no Salon ao lado dos Corot) como sede dos seus próprios ateliers  Nasce assim célebre escola de Barbizon, um cenáculo de pintores cujo objectivo era levar uma vida em comunhão com a natureza, pintando ao ar livre: uma ideia que constitui um dos mais directos antecedentes de impressionismo.


Théodoro Chassériau - Tepidarium | M8

Tepidarium

Acontecimento mundano antes da exposiçao artística, o Salon  -Organizado, primeiramente de dois em dois anos, depois anualmente,  pelo Institut de France – é a mais preciosa se não a única ocasião para os artistas se mostrarem ao grande público na Paris do século XIX. No Salon triunfavam pinturas como esta obra-prima de Théodoro Chassériau. 


A tela de grandes  dimensões, a escolha do tema histórico, o estilo obtido apartir de exemplos do passado mas não isento de elementos modernos (por exemplo, um tecido cromático vibrante, quase á Delacroix) e a beleza idealizada das mulheres retradas, colhidas em posição lânguidas e sedutoras, refletem plenamente o gosto da arte oficial. O ambiente numa época antiga- uma Pompeia romanesca, uma espécie de paraíso perdido – permite ao artista representar uma cena de forte índole erótica sem suscitar escândalo. Objectos como este são, na época, bastante procurados exactamnete  em virtude da sua perturbadora – mas não imoral – sensualidade. 


Na composição entrecuzam-se , de forma evidente, as referências estilísticas de Chassériau: Rafael, a estátua clássica, a tradição francesa (sobretudo Poussin) Ingres e Delacroix.
Desde a sua descoberta, século XVIII, as ruínas de Pompeia e Herculano ofereceram aos artistas uma preciosa fonte de inspiração. No decurso de uma estada em Itália, Chassériau estou pessoalmente os vestígios da Antiguidade os sitios arqueológicos de Roma e de Nápoles, dos quais extraiu importante apontamentos para as suas composições.


Land Art | M10

Christo

Esta manifestação artística esteve ligada a preocupações ecológicas, questionando a obra de arte como objecto comercial. Na sua raiz íntegra o grupo das actividades artísticas de tipo conceptual, tendo pontos de contacto com a Arte Pobre (Arte Povera), com a qual partilha o conceito "matérico".
Esta forma de arte efémera esgota-se no próprio acto da sua execução. Dela ficam os registos de planificação que o autor necessita fazer (transformando-se estes em objecto de arte comercializável) e o registo fotográfico, fílmico, digital ou outro, quer da execução, quer do resultado final.

Denis Oppenheim 
É, na maioria dos casos, uma manifestação interventiva na paisagem, em grandes espaços naturais. Para tal, utiliza elementos naturais que se degradam/decompõem e são "absorvidos" pela Natureza ou por elementos artificiais que se desmontam.
As criações mais conhecidas são as de Robert Smithson (1938- -1973), Walter de Maria, Denis Oppenheim (n. 1938), Jean Dibbets (n. 1941), Richard Long (1927-1974) e Christo (n. 1935), que trabalha em colaboração com sua mulher, Jeanne-Claude

Richard long


A Arte Conceptual | M10

Joseph Kosuth
A Arte Conceptual, iniciada nos anos 60 do século XX, mais particularmente em 1965, prolongou-se pela década de 70 e implicou uma profunda revisão nos processos criativo e expressivo. Aqui, o mais importante é a ideia, o conceito, ou seja, a concepção do objecto mais do que a sua realização enquanto obra acabada.
Assim, a arte conceptual valorizou o processo mental e a reflexão sobre o trabalho, tendo a teoria ocupado o lugar da prática concreta. O trabalho coincidiu com a "reflexão sobre o trabalho" onde "a poética substituiu a poesia". Por isso recorreu a referências e bases teóricas questionando: os fundamentos da arte; a colocação
da obra de arte na sociedade; e o reconhecimento público do artista no seio da sociedade. Pôs em causa, portanto, a razão de existir e a função da arte, bem como a sua sobrevivência no século XX.
Estas ideias podem ser verificadas na afirmação dos ingleses do grupo Art and Language, os quais dizem que "o artista da sociedade multimédia e da era da informática trata exclusivamente de problemas filosóficos".
Esta proposta artística controversa inspirou-se em Marcel Duchamp, considerado seu precursor, e teve como antecedentes remotos o Construtivismo e o Abstraccionismo e, mais recentemente, a Action Painting e o Informalismo.
Neste movimento, considerou-se a arte como acção linguística, como comunicação e formação do pensamento.
Os suportes para a proposição da obra foram inusitados e integraram a fotografia, películas várias, vídeo, gravações, telefonemas, documentos escritos e telegramas apresentados em actos públicos.

Joseph Kosuth
Entre os autores que praticaram esta forma artística destacamos: Joseph Kosuth (n. 1945), Hans Haacke (n. 1936), Joseph Beuys (também ligado ao happening e à Instalação) , Keith Arnatt e Denis Oppenheim (n. 1938), que se ligaria, sobretudo, à Land Art e à Instalação. Alguns deles enveredaram por outras formas de arte como: a Instalação, a Minimal Art, a Arte Pobre e a Land Art, expressando o protesto, a transgressão e o direito a uma criatividade individual.
 Denis Oppenheim

A Arte-Acontecimento | M10



Em meados da década de 50 do século passado, surgiram formas de arte de características efémeras, que reflectiram por um lado as influências das primeiras vanguardas - futurista, dadaísta e surrealista -, pelo facto de terem provocado e assumido o desenraizamento do objecto e, por outro, do Informalismo e, em particular, da Action Painting, recuperando a acção e entendendo-a como atitude.
Estes vão ser os princípios básicos que irão dar origem à performance, ao happening e à BodyArt. As primeiras manifestações da "arte como atitude e como acontecimento" estiveram ligadas às acções levadas a cabo, primeiramente, pelo músico John Cage (1912-1992) 

e pelo coreógrafo Merce Cunningham (n. 1919), que constituíram verdadeiros happenings.


No seu trabalho conjunto (iniciado em 1942 e que durou até à morte de Cage), propuseram uma série de inovações radicais no que concerne à relação dança/música. Música e dança partilhavam uma estrutura/tempo, simultaneamente independente e interligada. Nestas obras não se contava uma história nem se exploravam estados psicológicos, mas o drama estava presente, dado pela intensidade cinética e teatral do movimento, onde a condição do humano era colocada em palco. Os bailarinos muitas vezes nem tinham conhecimento prévio da música, por isso Cunningham afirmou: (em palco) "Tu não estás necessariamente no teu melhor, mas no mais
humano". É esta ritualização - a relação física do bailarino consigo próprio e com o outro, sugerida por atitudes e gestos ou apenas por expressões faciais, sobretudo o olhar - que tem um papel fundamental nestas novas formas de arte.
Enquanto movimento o happening não tem definição nem regras específicas, podendo apenas ser considerado como uma vivência que põe em relevo uma 
estreita ligação entre a Arte e a vida. Não é, apesar disso, uma representação teatral, pois não conta uma história. Coloca, antes, o espectador e o seu autor numa atitude expectante e atenta a determinados factos, acontecimentos ou

vivências. E, como se vive de uma só vez, nascendo e desaparecendo no acto do fazer, constitui a mais pura expressão de arte efémera, combatendo, ao mesmo tempo, o mercantilismo artístico.

À semelhança dos ready-made, um facto ou uma acção são descontextualizados, tomando a dimensão de um ritual que reaviva a função mágica da arte, perdida com a industrialização e a civilização tecnocrática. Estes rituais desembocam em novos comportamentos artísticos, com novos ritos e novos mitos, nomeadamente os ligados à sexualidade, muito abordados nos anos 60.
O happening pretendeu chegar a um público vasto, espectador e participante na criação e desenvolvimento da acção.
Allan Kaprow 
Os primeiros autores foram: Allan Kaprow (n. 1927), que foi discípulo de Cage e o inventor do happening ,os japoneses do grupo Gutai, criado em 1954 (o seu fundador foi Jiro Yoshihara (1905-1972) que, em conjunto com os seus companheiros, levou a cabo diversas acções onde representaram o horror da guerra e as experiências de Hiroxima e Nagasáqui); e os alemães do grupo Fluxus, que construíam acções quase sem improvisação como é o caso de WolfVostell; outro dos participantes, Joseph Beuys (1921-1986), foi um dos mais importantes protagonistas das grandes transformações artísticas operadas nestas últimas décadas do século XX - principalmente com os seus Environements -, estando a sua actividade artística perfeitamente identificada com a sua vida e vice-versa.
A performance é uma actividade artística que se confunde com o happening. Tem uma raiz conceptual, neste caso de carácter único irrepetível, esgotando-se no próprio acto de "fazer".
Nela, o autor ou autores desenvolvem uma actividade baseada na expressão corporal, onde está presente a estética do espectáculo, apesar de não se assemelhar nem à dança nem ao teatro, servindo- se das diferentes formas de actividade humana. Os performers são, na sua quase totalidade, artistas que se dedicam ao happening. Tal é o caso de Kaprow e de Joseph Beuys já anteriortnente citados e, ainda, Güllter Brus (n.1938) e Hermann Nitsch (n. 1938)

Güllter Brus
A Body Art também desenvolve acções de curta duração e rápido desgaste. Enraíza-se no conceito de arte-acontecimento e confunde-se com o happening e a performance - todas elas são performativas. Mas aqui o corpo é protagonista e utilizado como principal meio de expressão. Nesta arte estiveram incluídas acções muito variadas que levaram a práticas brutais, de tipo sadomasoquista. Günter Brus e Herman Nitsch, que integram o grupo vienense, são conhecidos pelas suas performances onde o corpo é violentamente agredido. Já os ingleses Gilbert e Georg fizeram actuações mais calmas. Vito Acconci participou quer na performance quer na Body Arte e Yves Klein, nos anos 60, executou acções como as Antropométries, consideradas como pertencentes a este movimento. 



Herman Nitsch




A Op Art e a Arte Cinética | M10



A Op Art, abreviatura de Optical Art ou Arte Óptica, designa uma forma de arte que utiliza a ilusão óptica do movimento, ou seja, o mesmo que cinetismo.
Nela substituiu-se a noção da beleza natural pela da beleza artificial. Este movimento artístico teve como génese os estudos de Joseph Albers e Laszlo Moholy-Nagy, ambos professores da Bauhaus, assim como os construtivistas Naum Gabo e Antoine Pevsner, que utilizaram a plástica dinâmica na escultura.
A Op Art define-se pela expressão do movimento real ou aparente, apresentado segundo diferentes formas e métodos. A sua grande diversidade artística advém-lhe do modo de concepção da obra e respectiva solicitação de leitura. Podemos definir as obras da Op Art em quatro tipologias principais: as que apresentam movimento real, autónomo, produzido por motores e resultante da manipulação do espectador, como no caso das esculturas de Kowalski e dos famosos mobiles de Calder (1898-1976); as que vivem do efeito de jogos de luzes e reflexos luminosos, como nos casos das obras de Le Parc (n. 1928), Nicolas Schöffer (1912-1992), 

Nicolas Schöffer (1912-1992)
Stein, entre outros; as designadas Optical Art, que podem ser baseadas nas reacções fisiológicas da percepção visual com jogos de figura e fundo ou nas perspectivas opostas e de carácter ambíguo, como nas
obras de Victor Vasarely (1908-1997), 

Victor Vasarely (1908-1997)
François Morellet (n. 1926) 
François Morellet
e Bridget Riley (n.1931); 
 Bridget Riley
as que agridem a retina com efeitos ópticos ondulados, pela colocação instável das cores, como nas obras de Agam (n.1928) e Rafael Soto (n. 1923). 

A Pop Art, um movimento iconoclasta | M10

James Rosenquist

Nascida ainda nos anos 50 nos grandes núcleos urbanos (Londres e Nova Iorque) , a Pop Art utilizou uma linguagem figurativa recorrendo a símbolos, figuras e objectos próprios da cidade e do seu quotidiano. Não se baseou em teorias e, por isso, não colocou dificuldades interpretativas.
A sua temática esteve ligada à "cultura popular" constituída por imagens do quotidiano, retiradas da BD, das revistas e dos jornais, da fotografia, do cinema e da televisão. São conhecidos os retratos de Marilyn Monroe, Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor e Elvis Presley. Utilizou recursos técnicos mecânicos ou semimecânicos como a fotografia e a serigrafia. O resultado plástico, devido à imagem utilizada, possui uma certa frieza e impessoalidade.
Richard Hamilton
A Pop Art foi influenciada pelas recolhas dadaístas e surrealista efectuadas por Robert Motherwell (1915-1991) nos anos 50 pelos ready-made de Duchamp e pelas colagens de Kurt Schwitters. Em Inglaterra, os artistas de maior renome são Richard Hamilton (n. 1922),
Peter Blake
Peter Blake
Peter Blake (n. 1932), David Hockney (n. 1937), com uma temática onde predominam os objectos de consumo, 
David Hockney
e Allen Jones (n. 1937). 

Allen Jones
Entre os artistas americanos, podemos considerar duas vertentes, sendo uma mais "neodadaísta", onde se incluem Robert Rauschenberg (n. 1925), 

 Robert Rauschenberg 
Jasper Johns (n. 1930) 

Jasper Johns
e Jim Dine (n. 1935), que combinou objectos reais com fundos de pintura. 
Jim Dine
A outra vertente é composta por artistas como:Andy Warhol (1928-1987), que utilizou imagens da BD, de objectos de consumo e retratos de personalidades,
Andy War
Roy Lichtenstein (1923-1997), 

Roy Lichtenstein 
Tom Wesselmann (1931-2004) que usou a assemblage;

Tom Wesselmann
 e James Rosenquist (n. 1933). 

James Rosenquist