Henri de Toulouse – Lautrec | A Toilette (1896) | m8

Henri de Toulouse – Lautrec
A Toilette (1896)

Trata-se de uma das obras mais célebres de Henri Toulouse – Lautrec, mais conhecido pelas suas ilustrações do que pelos seus trabalhos a óleo. A toillete, ou seja, um momento de intimidade feminina, foi um tema também muito querido de Degas, um dos pintores a que Lautrec se refere constantemente na sua própria pesquisa. 
Muito diversa é, no entanto, a abordagem dos dois artistas. Basta uma comparação entre A Tina – pastel de Degas também ele propriedade do museu – e esta imagem para compreendermos a distância. 
Se na obra de Degas temos a impressão de espreitarmos pela fechadura a figura feminina, no óleo de Toulouse-Lautrec, apesar da posição de costas do sujeito, a atmosfera é a de uma tranquila cumplicidade entre o pintor e o modelo. 
Henri de Toulouse – Lautrec. 1864-1901
Lautrec ama as mulheres – sejam elas modelos, bailarinas, prostitutas ou expoentes da burguesia -, conhece os seus segredos, participa, sem malícia nem prazer, mas antes com um benévolo sorriso, na sua vida quotidiana. A sua imensa sensibilidade torna Lautrec seu confidente e leva-o a experimentar simpatia pelos marginais da cidade, entre os quais se conta Vincent van Gogh, cuja obra adira e cujo carácter compreende. 

Uma sensibilidade profunda que não iria certamente salvá-lo, mas que, pelo contrário, o empurraria para a autodestruição: a sífilis e o alcoolismo levá-lo-iam à morte aos trinta e sete anos. 


Miguel Ângelo terminou o tecto da Capela Sistina há 500 anos | M5

Miguel Ângelo terminou o tecto da Capela Sistina há 500 anos

Faz 500 anos que foi inaugurado o monumental fresco que Miguel Ângelo pintou no tecto da Capela Sistina. É um dos maiores tesouros artísticos da Humanidade, e atrai cinco milhões de pessoas por ano. Aprecie as pinturas e faça ainda uma visita virtual. 
Consta que Miguel Ângelo aceitou a incumbência de pintar o tecto da Capela Sistina contrariado, por se considerar sobretudo um escultor e pensando que resultava de uma conspiração dos seus rivais para o desviar da obra para a qual havia sido chamado a Roma, o mausoléu do Papa. O resultado seria deslumbrante. Ao longo dos 1100 metros quadrados do tecto do templo, Miguel Ângelo apresentou algumas das mais poderosas imagens de cenas do Antigo Testamento, consideradas como um dos maiores tesouros artísticos do mundo - os nove painéis centrais mostram as histórias de Génesis, da criação à queda do ser humano, o dilúvio e o renascimento posterior da Humanidade com a família de Noé. A obra, encomendada pelo Papa Júlio III, foi realizada pelo artista ao longo de quatro anos (entre 1508 e 1512) e faz hoje 500 anos que o Pontífice escolheu o dia de Todos os Santos para a inaugurar.
Visitas de uma hora por 220 euros
Actualmente, nos períodos do ano de maior afluência a Capela Sistina é vista por cerca de vinte mil pessoas por dia. O templo, transformado numa enorme atracção turística, é visitado por mais de cinco milhões por ano, o que, aliás, tem gerado algumas críticas. O Vaticano admite até, futuramente, limitar o número de entradas. Fora das horas normais de visitas turísticas, o Vaticano organiza ainda visitas de uma hora limitadas a dez pessoas, pelo preço de 220 euros.  Além de diversas cerimónias religiosas, no espaço ali tem ainda lugar o conclave em que os bispos elegem o novo Papa. Localizada no Palácio Apostólico da Cidade do Vaticano, residência oficial do Papa, a Capela Sistina foi criada entre 1477 e 1480, inspirada no Templo de Salomão do Antigo Testamento. Para além dos frescos de Miguel Ângelo, conta ainda com pinturas de outros grandes artistas do Renascimento como Rafael, Bernini e Sandro Botticelli.

Visita virtual à Capela Sistina



Édouard Vuillard “Na Cama”

Édouard Vuillard “Na Cama”. 1981. Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 74x92,5 cm

Depois de se ter formado, como muitos artistas do tempo, na Académie Julian e no ateliê de Gérôme, Édouard Vuillard juntou-se, a conselho de Maurice Denis, ao grupo dos nabis, os jovens «profetas» que naqueles anos promoveram uma pintura de desenho simplificado, de linha arabesca e de camadas de cores planas, frequentemente delimitadas por contornos com efeitos de vitral ou de esmalte cloisonné. Na Cama pertence exactamente ao período nabis do artista e é uma das suas primeiras experimentações sintetistas. Vuillard joga com uma paleta «rebaixada», sem empolgamentos cromáticos, numa sobreposição de camadas bem delineadas. Para pintar esta cenazita de intimidade quotidiana superou o dado real e traduziu-o em qualquer coisa de novo. As situações mais banais, como esta, elaboradas pelo filtro da memória e da fantasia do artista, transformaram-se em preciosos e emocionantes fragmentos em preciosos emocionantes fragmentos de existência. Já em meados da década de 1890 o estilo de Vuillard conhecerá uma nova evolução, abrindo-se primeiramente a uma pincelada de matriz impressionista, para depois mudar, nos seus esplêndidos «retratos ambientais», alguns dos quais pertencentes às colecções do museu.


Da esquerda para a direita: Ker-Xavier Roussel, Édouard Vuillard, Romain Coolus e Felix Vallotton, em 1899.


Camille Pissarro e “Mulher Estendendo a Roupa” | M8



O único expoente do movimento impressionista que tomou parte em todas as exposições organizadas pelo grupo foi Camille Pissarro, pintor sensível, capaz de captar as novidades propostas pelos artistas mais jovens e de aproximar-se de personalidades complexas como Paul Cézanne e Paul Gauguin. Foi sua a ideia de convidar Seurat e Signac para a exposição impressionista de 1886, um decisão que suscitará algumas perplexidades nos outros membros. 


Pissarro, nascido em 1830, foi realmente dos poucos da sua geração a compreender e a aceitar o estilo pontilhista. Esta pequena mas valiosíssima tela testemunha, assim, a adesão pessoal do artista à nova linguagem. Embora as atmosferas e o tema sejam ainda de matriz impressionista, o estilo mudou radicalmente. 


Pissarro procede por breves toques de cor pura, sobrepondo-as segundo leis ópticas precisas, como Georges Seurat, bastante mais novo, preconizava na época. Exemplar é a utilização estudadíssima das cores complementares: às vírgulas amarelo-escuras dos cabelos das duas figuras juntam-se pequenas pinceladas violáceas, nos verdes fios da erva escondem-se outros tantos pontos vermelhos, e assim por diante, procedendo por justaposições cromáticas cientificamente estudadas.


Jacob Abraham Camille Pissarro (Charlotte Amalie, na ilha de São Tomás nas Índias Ocidentais Dinamarquesas, hoje Ilhas Virgens Americanas, 10 de Julho de 1830  Paris, 13 de Novembro de 1903) foi um pintor francês, co-fundador do impressionismo, e o único que participou nas oito exposições do grupo (1874-1886)


Monet e "a Gare Saint-Lazare" | M8

Monet, A Gare Saint-Lazare,  1877, Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 75,5x104 cm . Museu D'Orsay, Paris

Paris «muda mais rapidamente do que o coração dos mortais», sustentava Charles Baudelaire, e a vitalidade desta cidade em constante renovação oferece à pintura impressionista notáveis estímulos. A Gare Saint-Lazare, no distrito de Batignolles, é um dos símbolos da modernidade de Paris. A estrutura em ferro e vidro da recente estação ferroviária – em consonância com as últimas tendências arquitectónicas – presta-se bem a ser retratada pelo olhar sensível de Monet, que ficou profundamente fascinado pelos efeitos produzidos pelo vapor dos comboios e pela atmosfera que rodeia o ambiente à chegada das carruagens. O artista dedica à Gare Saint-Lazare uma série de telas, a mais célebre das quais é, sem dúvida, esta. O vapor confunde o olhar, envolvendo os escuros perfis das locomotivas e dos viajantes que esperam à beira dos carris; por detrás da cortina de fumo, no horizonte, a cidade com os seus característicos palácios banhados pelo sol. Monet não retrata a ferrovia como símbolo de modernidade e progresso nem nutre qualquer interesse pelas revoltas sociais que a difusão da rede ferroviária provocou: o olhar do pintor é totalmente absorvido pela percepção das variações atmosféricas e pelos efeitos do vapor.

Monet e “As Papoilas de Argenteuil” | M8

Monet “As Papoilas de Argenteuil”- 1885 - Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 50x65 cm Museu d'Orsay, Paris 

Há muito tempo que Monet e Bazille acalentavam um sonho: organizar, depois de tantas recusas por parte de júri do Slon, uma exposição colectiva por conta própria para oferecer um espaço a que, como eles, estava a elaborar uma nova linguagem pictórica. A 27 de Dezembro de 1873 constituiu-se a Société Anonyme des Artistes, Peintres, Sculpteurs, Graveurs, etc., que, em Abril do ano seguinte, daria vida à primeira de oito exposições organizadas pelo grupo. Entre as telas expostas está esta célebre obra de Monet, que retrata um esboço do campo nos arredores de Argenteuil. O público não está de modo algum preparado para acolher obras deste género: para uns olhos habituados às telas académicas, a de Monet, dada a rapidez da pincelada e a imediatez do toque, parecia não estar terminada, não ter passado de um esboço. Também foi um escândalo a profusa utilização de cores sintéticas, frequentemente usadas em estado puro e aplicadas directamente sobre a tela. Grande parte da paleta impressionista não pertencia à tradição, pois era uma invenção recente da química, como certas tonalidades de amarelo e de laranja obtidas pelo cromato de chumbo ou certos toques de verde ou de azul-cobalto: mais um passo em direcção à modernidade.