Pop Art de Andy Warhol exposta a partir de hoje


Um total de 41 obras do norte-americano Andy Warhol, como as famosas cadeira eléctrica, a série das latas de sopa Campbell's e a garrafa de Coca-cola, vai ser apresentada, a partir de hoje e até Novembro, em Évora. 

A mostra apresenta "alguns dos mais conhecidos trabalhos de Andy Warhol, um dos mais importantes e influentes nomes da Pop Art, mas também outros menos conhecidos, mas igualmente interessantes e surpreendentes", segundo a secretária-geral da Fundação Eugénio de Almeida (FEA). 

Maria do Céu Ramos explicou à Agência Lusa que "uma das características da Pop Art e deste artista, em particular, é a apropriação das coisas do quotidiano e a sua transformação em objectos artísticos". Intitulada "Andy Warhol: Os Mistérios da Arte", a exposição, que vai estar patente no fórum da FEA, no centro histórico de Évora, integra uma instalação, cinco óleos, diversas colagens, trabalhos fotográficos, acrílicos e serigrafias do artista. A cadeira eléctrica, a série das latas de sopa Campbell"s, a garrafa de coca-cola e os retratos de Marilyn Monroe, Mick Jagger e Prince são alguns dos destaques de uma mostra que explora temas da política e da cultura popular norte-americana. A exposição contempla ainda obras assinadas em conjunto com Pietro Psaier, um artista italiano que Andy Warhol conheceu em meados dos anos 60 e com quem trabalhou e se tornou amigo.

Paula Rego em Serralves com trabalhos nunca expostos


Museu do Porto recorre aos seus próprios fundos para organizar exposição com obras de António Areal, Jorge Queiroz e Paula Rego. 
Dancing Ostriches, de 1995

Algumas obras de Paula Rego nunca antes expostas poderão ser vistas a partir de amanhã no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto. Trata-se da mostra "Recordações da Casa Rosa", patente ao público até 12 de Junho, na qual se reúnem ainda trabalhos de António Areal e Jorge Queiroz. Para organizar esta exposição o museu recorreu à sua própria colecção e organizou-a de modo a poder colocar em confronto os universos de três artistas que, em comum, têm, pelo menos, o recurso à figura e à narrativa.
As obras agora em exposição, dizem os responsáveis pela mostra, "podem facilmente ser associáveis a uma 'biblioteca' surrealista, transportando-nos para uma dimensão onírica, transgressora dos limites da representação". Resistem, no entanto, a essa possibilidade "pela sua singularidade, fugindo a uma identificação com um paradigma".

Embora as histórias sejam uma componente fundamental da pintura de Paula Rego (1935), a artista, como diz João Fernandes, director do Museu de Serralves e comissário da exposição, "nunca se dedica a uma mera ilustração dos acontecimentos ou das situações suscitados pelo seu ponto de partida. Os livros e as histórias que lhe servem de referência funcionam como um intertexto da ficção que cada trabalho seu constitui".

António Areal (Porto, 1934 - Lisboa, 1978), a par da produção visual manteve uma produção activa no domínio da teoria e da crítica de arte e, como se diz na apresentação da exposição, "foi sempre uma referência importante para outros artistas, entre os quais Paula Rego". Na sua obra constata-se o recurso a soluções formais oriundas do universo da banda desenhada e da arte gráfica. Em Serralves, serão apresentadas duas séries de desenhos, datadas de 1968 e 1972. 
"Swallows the poisoned apple": Branca de Neve assustadora, como a vida real

Ecos do surrealismo
A primeira corresponde a trabalhos que, "revelando ainda ecos do surrealismo, traduzem já influências da arte da pop, assim como o recurso a composições formais associáveis às artes gráficas", refere o texto de apresentação. Na série de 1972, já afastado do contexto artístico devido a problemas de saúde, António Areal dedica-se quase em exclusivo ao desenho. Jorge Queiroz, nascido em Lisboa em 1966, recorre a meios de registo diversificados, como a grafite, o lápis de cor, o pastel de óleo, o acrílico ou o guache. Produz desenhos "que apresentam uma profusão de elementos figurativos e abstractos que se justapõem, fundem e transformam e que, através de processos análogos à livre associação, constituem exuberantes ficções, alheias a qualquer narrativa ou guião".

Novo quadro atribuído a Leonardo da Vinci exposto em Londres.

"Salvator Mundi" é o novo quadro atribuído a Leonardo da Vinci
Um quadro que se julgava perdido de Leonardo da Vinci foi identificado numa colecção privada norte-americana e vai ser exposto em Londres, na National Gallery. A recente descoberta da obra de arte, intitulada “Salvator Mundi”, datada de meados de 1500, representa a figura de Cristo. A última vez que um quadro foi atribuído a Leonardo da Vinci foi em 1909 com a obra de arte “Benois Madonna”, exposta, actualmente, no Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia.

A existência de “Salvator Mundi”, com 65,6 cm de altura e 45,4 cm de largura, era conhecida, dada a sua referência em documentos históricos, mas até aqui julgava-se perdida ou mesmo destruída, à semelhança do que aconteceu com alguns dos trabalhos de Da Vinci. Como é o caso do quadro “Leda col Cigno”, um nu provocador que terá sido destruído por um membro religioso da família real francesa. Um nu de Mona Lisa, “Mona Vanna”, é outro exemplo dos trabalhos perdidos. Segundo o “The Guardian”, existem tantos trabalhos perdidos de Leonardo da Vinci como conhecidos.

A origem do quadro recentemente descoberto ainda permanece uma incógnita. Sabe-se que “Salvator Mundi” fez parte da colecção do Rei Carlos I de Inglaterra em 1649. Depois da sua morte, passou para Carlos II, que depois deixou a colecção de arte ao Duque de Buckingham, cujo filho leiloou as peças em 1763. Antes e depois destes acontecimentos não se sabe o que terá acontecido à obra de arte, onde esteve nem quem foram os seus proprietários. Apenas em 1900 surgem novos registos do quadro, quando foi adquirido pelo coleccionador britânico Frederick Cook, mas pareceu danificado e a autenticidade de Leonardo da Vinci tinha já sido esquecida. Por isso, Cook vendeu o quadro pela módica quantia de 45 libras. Foi em 1958. Na altura, mal imaginaria que agora em 2011, depois de provada a autenticidade, o quadro, onde surge Cristo com a mão direita levantada em forma de bênção, enquanto na outra mão segura um globo, valesse 120 milhões de libras (cerca de 137 milhões de euros).

Finalmente em 2005, o “Salvator Mundi” viajou para os Estados Unidos, através das mãos do coleccionador privado Robert Simon, especialista na pintura italiana renascentista, que iniciou então um estudo sobre a obra.

Num comunicado divulgado pela agência de comunicação contratada para divulgar o achado, pode-se ler que depois de um “tratamento exaustivo de conservação, a pintura foi examinada por uma série de especialistas internacionais”. “Chegou-se a um consenso inequívoco que ‘Salvator Mundi’ é um original de Leonardo da Vinci. As opiniões dividem-se apenas na data, com alguns a apontar que o trabalho foi feito em finais dos anos 1490, enquanto outros falam já depois de 1500.” O comunicado explica ainda são vários os elementos que não deixam dúvidas da autenticidade do trabalho, desde a qualidade de execução do trabalho aos detalhes conhecidos nos estilos de Da Vinci.

“Salvator Mundi” vai estar exposto ao público, numa exposição da National Gallery, em Londres, intitulada “Leonardo da Vinci: Painter at the Court of Milan”.



AS DEZ OBRAS DE ARTE MAIS IMPORTANTES

A pedido do “Illustrated London News”, em 1985, um júri formado por conhecedores de arte da Europa e Estados Unidos escolheu as dez maiores obras de arte. São elas:

1º Lugar
As Meninas ou A Família de Filipe IV” (1656), Diego Velazquez
Museu do Prado em Madrid.



2º Lugar
Vista de Delft”, de  Vermeer
Maurithshuis, em Haia – Holanda


3º Lugar
“A Tempestade” (c. 1505), óleo s/ tela, 82 × 73 cm, de  Giorgione
Galeria da Academia, Veneza.

4º Lugar

“A Primavera” - 1477, Botticelli
Têmpera sobre tábua, 203 × 314 cm, Galeria defli, Florença

5º Lugar
“A Ressurreição”, Pierro della Francesca
Mural em afresco e têmpera, 225 × 200 cm. 
Museu Civico, Sansepolcro. Itália

6º Lugar
“O Enterro do Conde Orgaz” (1586), El Greco
San Tomé, em Toledo. Espanha.

7º Lugar
“A Lamentação” (1305), Giotto
Cappella dei Scrovegni, em Pádua. Itália

8º Lugar
“O Altar de Isenheim” -1516, de Grünewald
“A Crucificação”, retábulo central do Altar de Isenheim, pintado por Grünewald


9º Lugar
“Guernica” (1937), de Pablo Picasso
Museu Rainha Sofia. Madrid.

10º Lugar
“O Retorno do Filho Pródigo” (1669), de Rembrandt
Museu Ermitage, São Petersburgo, Leninegrado. Rússia.


Códice Calixtino roubado da catedral de Santiago de Compostela


Códice Calixtino
O Códice Calixtino, ou Codex Calixtinus, um livro do século XII de valor incalculável, desapareceu da Catedral de Santiago de Compostela, em Espanha. O manuscrito estava guardado numa caixa forte no arquivo da catedral e o seu desaparecimento apenas foi reportado esta terça-feira. Este crime já é considerado um dos mais graves cometidos contra o património histórico e artístico. A polícia já está a investigar o caso e segundo informou Miguel Cortizo, delegado do governo na Galiza, não existem sinais de arrombamento da caixa forte onde se encontrava o valioso manuscrito, o mais antigo e completo dos livros da catedral, considerado a jóia da identidade galega. O “El País” avança que foram encontradas as chaves da caixa forte ainda colocadas quando se descobriu o desaparecimento do Códice, o que torna o caso ainda mais misterioso, tendo em conta que o acesso ao arquivo da catedral é restrito. Apenas cinco ou seis pessoas podem circular naquele espaço. Estas já foram interrogadas pelas autoridades mas nenhuma foi considerada suspeita.

Aquele que é definido como o primeiro e mais célebre guia para peregrinos foi mostrado pela última vez há cerca de dois meses a elementos do Ministério da Cultura. Quando na terça-feira os responsáveis do arquivo não encontraram o Códice Calixtino, e como o cofre onde estava não apresentava sinais de arrombamento, não foi colocada de imediato a hipótese de roubo. Depois de o livro não ter sido localizado nem ter sido encontrada qualquer pista sobre o paradeiro, a polícia foi alertada. “O melhor que pode acontecer é que o Códice esteja em mãos de alguém que conheça o seu valor incalculável porque assim temos a certeza que não o maltratará”, explicaram as autoridades ao “El País”, acrescentando que todos os meios estão a ser disponibilizados, estando também a Brigada Central do Património Histórico a ajudar à investigação.

Especialistas citados pelo “El Correo Gallego” consideram que a obra já se encontra fora de Espanha, podendo tratar-se de um roubo realizado por um grupo contratado por algum coleccionador ou traficante de objectos desde género. Neste sentido, Miguel Cortizo contou que já foram activados os protocolos europeus, de forma a controlar os mercados onde este tipo de obras podem ser comercializadas.

Carlos Villanueva, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela e estudioso destas obras, afirmou que o livro tem um valor “imenso”, difícil de estabelecer caso a obra fosse leiloada. O académico considera que o livro é possivelmente o original (ou pelo menos o melhor dos exemplares) do Codex Calixtinus, o primeiro guia do Caminho de Santiago, que foi encomendado pelo Papa Calixto II ao sacerdote francês Aymeric Picaud. O Códice Calixtino descreve pela primeira vez os detalhes de várias das rotas do Caminho, com informação sobre alojamento, zonas a visitar e património e objectos de arte que podem ser conhecidos. Um relato que, nove séculos depois, continua nos dias de hoje a ser citado e ainda serve de referência para alguns dos locais percorridos pelos peregrinos. Elaborado entre 1125 e 1130 - depois publicado em 1160 - o texto ficou maior do que o inicialmente previsto, acabando por contar com participações dos principais escritores, teólogos, fabulistas, músicos e artistas da época, tendo que ser dividido em cinco livros e vários apêndices, entretanto reunidos, já no século passado, num único volume.

A ministra da Cultura, Ángeles González-Sinde, já expressou a sua confiança nas autoridades e acredita que a obra vai ser recuperada. “Felizmente, a Brigada do Património Nacional tem dado resultados muito bons em casos similares”, disse, lembrando o caso dos documentos roubados da Biblioteca Nacional e de outras bibliotecas e que foram depois recuperados.