Exposição permanente da colecção do CAM | Centro de Arte Moderna | Lisboa | M9 | M10









INAUGURADA A 13 DE JANEIRO DE 2011, na galeria -1, a nova montagem da exposição permanente da colecção do CAM, apresenta uma selecção de 74 obras a partir do início do século XX até à primeira década de século XXI. O Retrato de Fernando Pessoa, por Almada Negreiros, dá o mote à exposição, conjugando elementos figurativos, que são depois retomados através do tema do retrato, e elementos abstractos, presentes nas obras expostas a partir da segunda metade do século. 


A exposição encerra a 20 de maio 2012, altura em que será reapresentada com nova selecção de obras feita a partir da Colecção.
  
REFLEXOS E FRAGMENTOS é uma exposição virtual criada a partir de uma selecção de obras expostas



Artistas representados na exposição:

Sarah Affonso
Retrato de Matilde, 1932

José de Almada Negreiros
(07-04-1893 , São Tomé - 15-06-1970 , Lisboa )
José de Almada Negreiros estreia-se como desenhador humorista em 1911, participando, em 1912 e 1913, nos I e II Salões dos Humoristas Portugueses. Em 1913 realiza os seus primeiros óleos, para a Alfaiataria Cunha, e a sua primeira exposição individual, na Escola Internacional de Lisboa. Em Março de 1914 publica o seu primeiro poema. Em 1915, colabora no primeiro número da revista literária Orpheu e ilustra o número espécimen da revista Contemporânea. Neste mesmo ano chega a Portugal o casal Robert e Sónia Delaunay, com quem manterá um estreito contacto


Auto-retrato num Grupo, de Almada Negreiros

Retrato de FERNANDO PESSOA


 Stuart Carvalhais
(1887 - 1961 )



Mário Eloy
(1900 - 1951 )



Paula Rego
(1935 )
Contos Populares Portugueses: Branca Flor - pombas a tomar banho, 1975
Desenho
Guache sobre Papel

Julião Sarmento
(1948 )

Amazônia, 1992
Escultura
Tinta plástica
sobre Terracota e Madeira

 
Artur Cruzeiro Seixas
(1920 )

NºI da Destruição ás 4,35, 1959
Pintura
Óleo sobre Platex


Amadeo de Souza-Cardoso
(1887 - 1918 )

 Amadeo de Souza Cardoso partiu para Paris em 1906. Tinha 19 anos e pretendia continuar os estudos de arquitectura que iniciara em Lisboa. A efervescência do meio artistico parisiense afectou radicalmente o seu destino, abrindo-lhe o caminho da pintura. Em 1907, entusiasmado com os desenhos que recebia de Paris, o escritor Manuel Laranjeira reconhecia já o seu jovem amigo como “um artista no significado absoluto do termo”.



Amadeu de Sousa-Cardoso

Cozinha da Casa de Manhouce



Maria Helena Vieira da Silva
(1908 , Lisboa - 1992 )

Estabeleceu-se como pintora em Paris, onde conheceu o marido Arpad Szenes, e tornou-se uma das artistas abstractas mais celebradas na Europa do pós-guerra, com as suas originais composições geometrizadas. Após um período de exílio no Brasil durante a II Guerra Mundial, foi-lhe concedida a naturalidade francesa, país que a acolheu para o resto da vida e onde obteve os maiores galardões artísticos nacionais. O seu percurso ficaria ainda associado a encomendas importantes de arte pública, a trabalhos de cenografia, tapeçaria, vitral e ilustração. O conjunto da obra foi objecto de repetidas retrospectivas e encontra-se exposto pelo mundo inteiro.

La bibliothèque en feu [A biblioteca em fogo], 1974


Vista parcial da Exposição do CAM

De que falamos quando falamos de “contemporâneo”? | M10


Se o “breve século XX” transcorreu entre 1914 e 1991, então agora, precisamente 20 anos depois do fim da União Soviética e da instituição da União Europeia é o momento também de reflectir: que tempo é o nosso, de “que” somos os contemporâneos?
Graças a uma salutar muito maior divulgação da informação científica sabemos agora da ocorrência de fenómenos, sobretudo astronómicos, que só vão voltar a ocorrer muito tempo depois: um eclipse ou uma lua cheia com certas características, a passagem de um cometa, uma chuva de asteróides, etc. No concreto terreno humano e da História, todos temos a noção de como o nosso presente, se é de uma excepcional aceleração, é também feito de recorrentes recorrências ao passado, numa lógica de atracção pelos números redondos: os 10 ou 25 ou 50 anos de "x", o(s) centenários(s) de "y", etc.
Tanto mais assim sendo, é deveras espantoso que tenha passado despercebida uma coincidência extraordinária: a cimeira do precipício e da "tempestade perfeita" da União Europa, no final da passada semana, mas também a primeira vaga democrática de contestação na Rússia pós-soviética de Putin, ocorreram quando passavam exactamente 20 anos de dois acontecimentos do maior relevo na História Contemporânea, sendo também extraordinário mas de igual modo iluminante que tais dois factos tenham acontecido em dias sucessivos: a 8 de Dezembro de 1991 os presidentes da Rússia, Ucrânia e Belarus proclamaram a Confederação de Estados Independentes - e mesmo que alguns estados houvessem proclamado a independência antes, que o caminho estivesse traçado desde o falhanço do golpe de Estado em Agosto, ou que a dissolução formal tenha ocorrido a 25 de Dezembro, essa declaração foi o final de facto da União Soviética. A 9 e 10 de Dezembro de 1991 a cimeira de Maastrich refundava a Comunidade Económica Europeia em União Europeia.
Se, no entendimento consagrado de Eric Hobsbawm em "Era dos Extremos", o "breve século XX" transcorreu entre 1914 e 1991, então agora, precisamente 20 anos depois do fim da União Soviética e da instituição da União Europeia, é o momento também de reflectir: que tempo é o nosso, de "que" somos os contemporâneos?

Em rigor, não sei se podemos efectivamente falar com pertinência de um "nosso século XXI", neste ponto preciso na esteira da análise de Alain Badiou em "Le Siècle", segundo a qual estamos ainda tão dependentes em termos de pensamento e análise de condições do século XX que o XXI ainda não começou (há que dar-lhe início, entende, mas tal supõe também razões filosófico-políticas que não compartilho), sendo um facto que continuamos muito imersos em conceptualizações que se mostram desfasadas nestes 20 anos constitutivos de um outro tempo, da nossa contemporaneidade.
Retomando Hobsbawm, agora para o parafrasear, serão "Tempos Interessantes", do ponto de vista ideológico-cultural, mas certamente "tempos difíceis" e mesmo terríveis. Então, como reconhecemos a nossa contemporaneidade? Ou dito de outro modo, de que falamos quando falamos de contemporâneo?
O que importa é um (re)conhecimento das condições e criações estéticas e culturais mas também da sua inscrição histórica. Sempre se foi "contemporâneo", no sentido de inscrito com outros num tempo próprio, a questão é que o "contemporâneo" se transformou em categoria e condição, de que tão difusa se tornou indefinida - "arte contemporânea" é um termo (re)corrente, não tanto uma categoria precisa. Justamente então, a percepção de que estamos numa nova era nestes últimos 20 anos, impõe que se agudize a questão colocada por Giorgio Agambem "O que é o contemporâneo?".

A questão é dupla, de "condição" e "historicidade".
Os modernismos tiveram uma inscrição histórica precisa: "Les Demoiselles d'Avignon" de Picasso em 1907, o "Manifesto Futurista" de Marinetti em 1909, o "Pierrot Lunaire" de Schönberg em 1912, "A Sagração da Primavera" de Nijinsky e Stravinsky em 1913, foram emblemáticos; mas a "primavera" não foi de facto "(con)sagrada" porque logo depois ocorreu a Grande Guerra, a I - a autonomia do campo artístico não foi indemne às duas grandes conflagrações mundiais, aos totalitarismos e às crises, e este é um ponto histórico importante a não esquecer.
Mas o que é a "arte contemporânea", essa é uma noção muito mais fluida. Sem dúvida que houve uma radicalização depois da II Guerra, mas mesmo essa noção é vaga porque não tem precisão entender que a "arte contemporânea" se inicia no segundo pós-guerra e que com isso se conclui o "modernismo histórico".

A imprecisão ocorre de uma arte para outra e também, não o esqueçamos, de língua para língua. Mas atendamos, a título quase anedótico, mas revelador, a dois exemplos.
Celebra este ano um século o Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea - que era contemporâneo quando a República o institui mas que há muito deixou de o ser, o que aliás está na origem de um equívoco reiterado.
Pode considerar-se, em rigor, que a música contemporânea se formalizou com a "tabula rasa" da "vanguarda" da "geração de Darmstadt", logo após a II Guerra. Como aquela todavia se reclamou, radicalizando-a, da "Escola de Viena" de Schönberg, Berg e Webern, então também a "música contemporânea" tem um século, o que é um oximoro, remetendo-a antes para corpo à parte da música erudita da tradição europeia.
E há mais exemplos de reflexão. Por certo que houve historicamente um "cinema moderno", e mesmo mais do que um (as "vanguardas" dos anos 20 e as "novas vagas" dos anos 60, na esteira de Rosselini), mas faz algum sentido falar de "cinema contemporâneo" a propósito de uma produção regida pela noção mediática de "actualidade"? Não será uma deformação fazer coincidir o "teatro contemporâneo", seja lá o que for, com o "Teatro Pós-Dramático" teorizado por Hans-Thies Lehmann e tão em voga? Etc, etc.
Em vários dos exemplos, se não mesmo em todos, está implícita uma narrativa da História da(s) arte(s): o "modernismo" teria ocorrido depois do "clássico" em sentido lato, e o "contemporâneo" teria começado "depois do modernismo".
Mas existe um outro entendimento desse "depois do modernismo". Em 1979, Jean-François Lyotard publicava "A Condição Pós-Moderna". Poucos termos foram objecto de tantos equívocos. Houve o entendimento de um "pós-modernismo" como uma outra tendência estética ou estilo. De facto, enquanto tendências, já havia antes uma "postmodern dance" com o grupo da Judson Church desde 1962, e Robert Venturi tinha publicado "Complexity and Contradiction in Architecture" em 1966 - aliás concepções de todo diferentes, tendo apenas em comum a reacção ao "modernismo". A questão crucial que Lyotard enunciava era no entanto a da "condição", a crise das grandes narrativas históricas de legitimação. Do colapso do comunismo soviético à crise actual do capitalismo, do estado-providência, mesmo da democracia representativa e certamente do "sonho europeu", é patente a derrocada dessas grandes narrativas, dos "amanhãs que cantam" ao "progresso", de um "sentido" e "finalidade" da História.
"Contemporâneo" não é pois um estado do presente que vem na sequência de um passado e que rasga novos horizontes, prometendo um futuro. Por isso nestes tempos tão drásticos de crises se impõe repensar o que é a "condição contemporânea" de uma criação artística e cultural e da sua recepção. É uma reflexão a continuar.

Pintor Antoni Tàpies morre aos 88 anos

O pintor e escultor catalão Antoni Tàpies, considerado um dos maiores representantes europeus da arte abstracta do pós-guerra

Numa entrevista que deu ao El País, em 2004, já com problemas de cegueira e de audição, dizia que “o corpo humano se adapta a tudo” e que envelhecer lhe tinha dado uma certa tranquilidade. Sentia que se encontrava “um pouco mais livre do que quando era jovem”. Acreditava que a pintura só valia a pena se fosse útil à sociedade, “porque senão não valia a pena fazê-la”.
Nasceu em Barcelona, em 1923, numa família burguesa e o seu pai queria que ele fosse advogado. Ainda estudou direito, mas abandonou o curso para se dedicar à arte em que era autodidacta.
Alugou o seu primeiro atelier, em 1946, na cidade de Barcelona. Começou a estudar a arte moderna através de livros e revistas catalães do início dos anos 30. Quando tinha 18 anos, por causa de uma lesão pulmonar, teve de passar dois anos na cama e dedicou-se a copiar obras de pintores que admirava, como Van Gogh e Picasso. Foi graças ao seu médico da altura, que, anos mais tarde, conheceu em Paris, o pintor de Guernica. 
Conseguiu uma bolsa para estudar nesta cidade e é lá que, em 1956, realiza a primeira exposição individual. O coleccionador de arte e galerista Joan Prats iniciou-o na literatura surrealista de André Breton (Tàpias funda, em 1948, o grupo Dau al Set, que abandona em 1951) e apresentou-lhe o pintor Miró, que foi seu amigo até morrer.
Em 1960, Tàpies participou numa mostra da nova pintura e escultura espanhola no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e esteve representado na exposição “Before Picasso, After Miró”, do Museu Guggenheim da mesma cidade.
Como artista integrava-se na tradição cultural da Catalunha, com uma dimensão política simultaneamente autonómica e contra o franquismo (foi preso em 1966). “Tem uma forte influência da liberdade poética do surrealismo, mas há nele, uma orientação muito original para outras sensibilidades, nomeadamente as orientais ligadas ao budismo”, diz o historiador de arte João Pinharanda. “Na sua pintura, o gesto liberta-se quer da forma naturalista, quer da escrita verbal. Cada conjunto de gestos transforma-se num signo. Às vezes, imprime a sua mão na tela como se estivesse a repetir um gesto primordial.”

Em 1954, a sua obra passou a ser mais expressiva e deu origem àquilo que se designa por pintura matérica. “Ao mesmo tempo que o gesto se autonomiza, a matéria com que pinta toma conta da superfície pintada. Ganha volume, quase que se transforma em matéria escultórica. Isso também coincide com a utilização que faz de matérias que são estranhas à pintura tradicional”, lembra João Pinharanda. Antoni Tàpies utilizava nos seus quadros: cimentos, areias, látex, pó de mármore, etc. E incorpora na sua pintura, materiais de lixo urbano. “Como se estivesse a recuperar do lixo coisas que voltava a erguer como grande Arte. É uma arte feita com materiais pobres. Tàpies enquadra-se nessa poderosíssima genealogia da grande pintura espanhola. Tem toda a tradição atrás dele”, conclui Pinharanda. 
Em 1990 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias e abriu as portas da sua Fundação, em Barcelona, onde expunha a sua obra. Esteve representado na Bienal de Veneza e na Tate Gallery em Londres. A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e a Fundação de Serralves, no Porto, fizeram retrospectivas da sua obra e, em 2010, houve exposições suas em Évora e na Régua.

Escultura de Henry Moore vai estar à venda por 26 milhões | M10

"Reclining Figure: Curved", uma escultura de Henry Moore Fotografia © Direitos Reservados
 A escultura de Henry Moore "Curved" é a obra mais cara que vai estar à venda, por 26 milhões de euros, a partir de sexta-feira, na Feira de Arte e Antiguidades de Maastricht (TEFAF), na Holanda, entre 30 mil peças. A feira, que este ano cumpre 25 edições, ficará patente até 25 de Março nas instalações do centro de congressos de Maastricht, onde vão estar duas galerias portuguesas entre outras 250 de 16 países. A peça mais cara, "Reclining Figure: Curved", com 144 centímetros de largura e 600 quilos de peso, data de 1977 e foi vendida por Moore a um coleccionador privado americano que, por sua vez, a vendeu ao galerista Robert Landau. E será a Galeria Landau Fine Art, de Montreal, que irá exibir na TEFAF e colocar à venda esta escultura de mármore negro do conhecido artista britânico, que se apresenta pela primeira vez no mercado, segundo a organização. Entre outras obras, vão estar à venda 200 desenhos criados entre 1950 e 1959 por Andy Warhol, o pai da pop arte, material inédito que aparece também pela primeira vez no mercado.


Van Gogh tem um novo quadro | M8

Exposto a partir de hoje no Kröller-Müller

"Natureza morta com rosas e flores do campo" de Vicente Van Gogh
Os peritos tiveram dúvidas que o quadro fosse de Vicente Van Gogh devido aos traços e ao grande tamanho do quadro. Mas depois de nove anos de investigação foi atribuído um autor à obra "Natureza morta com rosas e flores do campo" e confirmada a sua autenticidade.
Um quadro até agora atribuído a um anónimo foi afinal pintado por Vincent Van Gogh, confirmaram especialistas, a propósito de uma obra que é exposta a partir de hoje no Museu Kröller Müller, situado em Arnhem, na Holanda.
A Universidade de Tecnologia de Delft, a Universidade de Antuérpia e o Centro de Investigação Deutsches Elektronen-Synchrotron de Hamburgo, o Museu Van Gogh e o Museu Kröller-Müller redescobriram um quadro que pertence ao pintor holandês, segundo informou o Museu em comunicado.
A história começa em Antuérpia, onde Van Gogh chegou em Novembro de 1885, onde estudou na Escola de Belas Artes e onde pintou o quadro composto por um grupo de lutadores.
O pintor usou uma grande tela para o seu trabalho, no entanto, as dificuldades económicas impediram o artista de terminar a obra.
Nessa época escreveu uma carta ao seu irmão Theo, que tem sido a chave para desvendar o novo quadro, uma vez que nela explicava o quadro que estava a pintar. "É algo grande com dois troncos nus, dois lutadores", escreveu Van Gogh. E foi sobre essa pintura que o artista pintou a natureza morta.

A arte romana | M2


Vexilum da XIII Legião
 OBJECTIVOS DO MÓDULO 2 – A CULTURA DO SENADO
1.Explicar de que forma os Romanos conseguiram construir e dominar o maior e mais vasto império da Antiguidade Clássica.
2.Explicar a participação do imperador Octávio César Augusto na construção do Império Romano; como conseguiu unificá-lo e governá-lo.
3.Recordar a malha urbana de Roma e defini-la como "modelo a seguir" na edificação das outras cidades.
4.Explicar a importância urbanística, administrativa e civilizacional que o fórum representa dentro da cidade romana.
5.Referir as funções do Senado romano.
6.Referir o papel da Lei romana na coesão do império.
7.Explicar o que se entende por ócio.
8.Identificar as actividades em que os romanos ocupavam o seu tempo de ócio.
9.Justificar e comprovar o facto da arquitectura romana ter sido uma arte de síntese.
10.Exemplificar para cada um dos pontos:
- Arquitectura civil
- " pública
- " privada
- " religiosa
11.Referir e explicar a importância das construções "não utilitárias”, na vida do império
12.Caracterizar cada uma das formas da escultura romana (busto, estátua, estátua equestre).
13.Explicar a função do relevo e a técnica narrativa utilizada.
14. Descrever as origens da pintura romana; as técnicas usadas e para que serviu.
15.Definir as quatro fases ou estilos da pintura de Pompeia.


 
CONCEITOS-BASE:
IMPÉRIO – Estado constituído por vários territórios, um dos quais exerce domínio político e exploração económica sobre os restantes. Na civilização romana também se chama império ao período em que o magistrado supremo é o imperador.
URBE – Termo usado na Antiga Roma para designar uma cidade ou recinto urbano, geralmente rodeado de muralhas. Posteriormente passou a designar apenas Roma, a cidade por excelência.
MAGISTRATURA – Alto cargo exercido no aparelho de Estado, resultando de eleição pelos Comícios. As magistraturas romanas eram anuais, colegiais e o seu exercício constituía uma carreira pública (cursus honorum). Aos magistrados estava atribuído o poder executivo, judicial e militar, que foram perdendo à medida que o poder do imperador se reforçou.
DIREITO ROMANO – Conjunto de normas jurídicas que regeram o povo romano nas várias épocas da sua História. Os Romanos distinguiam entre Direito público (aquele que tinha por fim a organização dos assuntos da colectividade) e Direito privado (aquele que tinha por fim a utilidade dos particulares). Por sua vez, o Direito privado apresentava numerosas divisões, entre as quais o Direito civil, o Direito das gentes e o Direito natural.
PRAGMATISMO – Sentido prático, atitude que privilegia a utilidade e a eficiência como critério de actuação; é uma das características mais salientes da cultura romana.
URBANISMO – Ciência que trata do estudo e planificação do meio urbano. Os Romanos foram verdadeiros mestres de urbanismo e, nas cidades que criavam, nada era deixado ao acaso. Distribuíam áreas adequadas para as casas de habitação, as lojas de comércio, as praças públicas, os templos. Determinavam também a água que iria ser necessária, o número e o tamanho das ruas, os passeios e os esgotos, prevendo até áreas para o futuro desenvolvimento da cidade.
FÓRUM Centro administrativo e religioso de uma cidade romana, constituído por uma área destinada a reuniões ao ar livre, rodeada de edifícios e colunatas.
ROMANIZAÇÃO – Processo de transmissão da cultura romana aos diversos povos do Império. A romanização foi um processo lento que, embora de forma desigual, atingiu todo o espaço político romano. Na opinião da maioria dos historiadores, o processo de romanização culmina com o Edito de Caracala (212 d. C), que concede a plena cidadania romana aos homens livres do Império.
ACULTURAÇÃO – Processo de adaptação de um grupo ou povo a uma cultura diferente da sua. Os grupos minoritários ou os povos que se encontram sob dominação externa têm tendência para absorver a cultura dominante. Considera-se que este processo é tanto mais fácil e profundo quanto maior for o desnível civilizacional entre os dois grupos. Assim se entende que, no caso romano, as regiões do Ocidente tenham sido mais profundamente romanizadas que as do Oriente, onde o brilhantismo da cultura helénica bloqueou, em parte, o processo de romanização.
MUNICÍPIO – Cidade dotada de ampla autonomia administrativa, que se rege por instituições semelhantes às da cidade de Roma. Aos munícipes pode ser atribuído o Direito Latino (que equivale à cidadania incompleta) ou o Direito Romano (a plena cidadania), o que, em ambos os casos, corresponde a um estatuto elevado. Por isso se considera que a proliferação deste tipo de cidades favoreceu o processo de romanização.


Algumas questões importantes relacionadas com a arte romana.

  • Marque as fronteiras do Império Romano, desenhe e identifique as principais províncias.

As fronteiras do Império Romano depois das conquistas do Imperador Septimus Sevérus.
Como foi possível uma cidade dominar quase todo o mundo conhecido e mantê-lo unido durante séculos? Alicerçada em múltiplos factores, a unidade do mundo romano contou, em primeiro lugar, com o prestígio do próprio imperador, figura emblemática e sagrada, símbolo da paz e da unidade. Contou, também, com a sabedoria dos juristas que, fazendo do Direito uma ciência, criaram um conjunto de leis notável que serviu de suporte à administração e à justiça. Mas, acima de tudo, a unidade do Império construiu-se com espírito de abertura e tolerância bem como com a capacidade de estender, aos povos conquistados, o estatuto superior da cidadania. Determinados a manter pela paz o que tinham conseguido pela guerra, os Romanos espalharam por todo o Império a sua cultura: os padrões urbanísticos, as construções arquitectónicas, as concepções artísticas, as grandes obras literárias, tornaram-se no património comum de todo o mundo romano e no legado cultural que mais marcou a nossa civilização. Cidades, obras de arte, pontes e estradas lembram a presença de Roma. Nenhum vestígio, porém, permanece mais vivo do que a língua em que se registam estas palavras.

Máxima extensão do Império Romano em 117 d.C



A cidade de Roma
Roma Antiga no Google Earth

As Cidades
Quer fossem de origem militar, quer povoadas por emigrantes da Península Itálica em busca de uma vida melhor, as colónias tornaram-se um importante núcleo de desenvolvimento e de romanização, tendo contribuído fortemente para a aculturação dos povos locais. No nosso território, eram colónias PaxJuIia (Beja) e Scalabis (Santarém). Já que o seu povoamento resultava de um grupo de verdadeiros romanos, as colónias tinham direitos e privilégios iguais aos de Roma, isto é, eram cidades de Direito Romano e os seus cidadãos usufruíam da cidadania plena. Um degrau abaixo ficavam os municípios. Os municípios eram povoações ou cidades pré-existentes que os Romanos distinguiam com privilégios e se tornavam, por isso, activos focos de romanização. Aos municípios era, geralmente, concedido o Direito Latino, mas, a título excepcional, podiam obter o Direito Romano equiparando-se, neste caso, aos habitantes das colónias. De qualquer forma, o estatuto de munícipe era sempre um estatuto invejado, tanto mais que estas cidades gozavam também de grande autonomia administrativa, isto é, possuíam instituições de governo próprias, muito semelhantes às de Roma: um conselho de notáveis, a Cúria, que correspondia ao Senado, e um corpo de magistrados que percorria, igualmente, uma “carreira das honras”. O processo de extensão progressiva da cidadania completou-se, como sabemos, em 212, quando o imperador Caracala transformou em cidadãos todos os homens livres do Império.

O SENTIDO PRAGMÁTICO DA CULTURA ROMANA.A ARQUITECTURA A ESCULTURA E A PINTURA
As principais características da arquitectura romana:
É uma arquitectura caracterizada pela monumentalidade, não só pelo o espaço que ocupa, mas também pelo seu significado. Isto decorre também da ideia da imortalidade do Império.
É uma arquitectura utilitária, prática, funcional, ou seja, de sentido pragmático. Por esta razão e também pela própria estrutura do Estado, aparecem novas construções, com um grande desenvolvimento da arquitectura civil e militar: basílicas, termas, etc.
É uma arquitectura dinâmica, resultado da utilização de alguns elementos construtivos como o arco e a abóbada.
Os materiais utilizados são muito variados: pedras cortadas em blocos, argamassa, tijolo, alvenaria, madeira… Quando o material era pobre eram muitas vezes revestidos com estuque, lajes de mármore ou ornamentados com mosaicos ou pinturas.
Usa a ordem dórica, jónica e coríntia, mas a mais usada foi a ordem compósita. Também foi muito frequente a sobreposição das ordens arquitectónicas em edifícios muito altos. Normalmente no andar térreo era usada a ordem dórica, no meio a jónica e, no superior, a coríntia. Os capitéis, em geral, apresentam motivos com maior liberdade do que na Grécia e há alguns com figuração.
Aparecem grinaldas e bucranios (crânio de cabeça de boi que muitas vezes adornava a métopa da ordem dórica) como elementos decorativos.
Principais diferenças entre a Arquitectura Romana e a Grega:
A romana é uma arquitectura mais ornamentada.
A novidade dos temas decorativos.
Maior perfeição dos monumentos.
Os edifícios têm um grande utilitarismo (pragmatismo).
A arquitectura é essencialmente civil e militar, em comparação com a arquitectura essencialmente religiosa na Grécia.
Trata-se de uma arquitectura mais dinâmica face à grega, mais estática.
O arco, a abóbada e a cúpula são mais frequentemente utilizados, face ao lintel da Grécia.
Apesar destas diferenças, existem muitas semelhanças com a arte grega, pois Roma assimilou numerosos elementos artísticos e arquitectónicos dos países que incorporava no seu Império. Também era frequente empregar artistas nascidos e formados noutras regiões, sendo os principais originários da Grécia.

  • Qual a importância urbanística, administrativa, e civilizacional que a Fórum possuía dentro da cidade de Roma?
reconstituição gráfica do Fórum de Trajano
 Como sabemos, a urbanismo romano teve, também, um carácter ornamental e monumental.
A preocupação urbanística centrava-se no traçado das vias principais que atravessavam as cidades quase em linha recta, e no arranjo dos Fóruns, centros políticos, religiosos e económicos das urbes.
Roma possuía vários fóruns, que se sucederam no tempo, não só porque envelheceram e ficaram desajustados em relação ao crescimento da cidade, mas também, porque os imperadores quiseram deixar uma marca pessoal que simbolizasse e eternizasse a sua glória, imagem e poder, como no caso do imperador Trajano.
Foi nos fóruns que os romanos edificaram as construções mais importantes. Eles constituíam a síntese da arquitectura e da civilização romanas, formando conjuntos orgânicos, únicos e grandiosos, repletos de significado e história.
De maior arrojo urbanístico foram as traçados para as cidades que os romanos construíram de novo, em várias partes do império onde a vida urbana se encontrava menos desenvolvida - Gália, Germânia, Hispânia...
Estes derivaram principalmente da organização dada aos acampamentos militares. Caracterizam-se pelo traçado em retícula.ou seja em rede ortogonal, das ruas e dos quarteirões, atravessados por duas vias principais - o cardo e o decúmano.

Mapa do centro de Roma durante o Império Romano, com os vários Fóruns
A cidade romana – traçado urbanístico
Era mais centralizada do que a cidade grega, organizando-se em torno de um fórum;
FÓRUM:
centro administrativo e religioso de uma cidade romana, era uma grande praça pública e centro da vida pública (política, religiosa, comercial); tinha forma rectangular, com uma área destinada a reuniões ao ar livre, rodeada de colunatas e de edifícios religiosos e administrativos;
Dos vários edifícios do Fórum, destacam-se: A Cúria:
onde se reunia o Senado (conselho de notáveis que governavam a cidade); A Basílica: servia de tribunal público e de sala de reuniões;
No fórum e suas imediações erguiam-se os principais templos da cidade (a tríade nacional – Júpiter/Juno/Minerva – simbolizava a presença e poder dos Romanos, no templo do Capitólio);
Gosto pela monumentalidade – foram acrescentados novos espaços ao velho fórum romano, os fóruns imperiais, o que mostra o gosto pela monumentalidade, que reflectisse a glória de Roma e dos seus imperadores (este gosto está patente em quase todo o tipo de construções); Bibliotecas
e mercados públicos – situados junto aos fóruns; Termas – estabelecimentos de banhos públicos, dotados de salas de temperaturas diferentes, vestiários, piscinas de água quente e fria, palestras (onde se praticava ginástica), salas de descanso, de massagens, de reuniões. Para além da higiene, o banho era um momento cultural e civilizacional; Aquedutos – para conduzir a água dos reservatórios naturais até aos fontanários públicos e às casas particulares; Anfiteatros – local de diversão, palco de lutas com animais selvagens e com gladiadores; o mais conhecido é o Coliseu de Roma (séc. I); Circos – onde se realizavam as corridas de cavalos e de carros; Teatros – ao ar livre, onde se representavam as tragédias e comédias
 
Casas de habitação

Domus romana

A domus casa particular, onde moravam os cidadãos mais ricos (em Roma, espalhavam-se pelas colinas), com jardim interior, atrium, piscina e outras comodidades;

Villae romana



Insula romana
A insula casa colectiva alugada, lembrando os actuais imóveis, alta e frágil, construída em tijolo e madeira, que ruía com frequência ou era vítima de incêndios;

A cidade romana de Timgad, na Argélia.
Em termos de planificação urbanística, Roma foi sempre um caso à parte, quer pelo seu gigantismo, quer pelo seu crescimento um pouco anárquico; nas novas cidades, os Romanos seguiram, muitas vezes, uma planta rectilínea, com bairros bem delimitados por ruas perpendiculares – exemplo desse racionalismo urbano é a cidade de Timgad.


a XIII legião na Germânia
Factores de Coesão do Império – Síntese
Apesar da sua extensa, o Império Romano constituiu um mundo politicamente coeso, onde os povos conviviam em paz e respeitavam a autoridade estabelecida. Tal facto deveu-se, em grande parte, à forma hábil como os Romanos souberam administrar as regiões submetidas:
Promoveram a vida urbana como centro de poder local e de difusão da sua cultura. O Império revestiu a forma de uma federação de cidades que, apesar de submetidas ao poderio de Roma, dispunham de estruturas administrativas próprias que lhes conferiam uma considerável autonomia.
Divinizaram a figura do imperador e, com ela, a autoridade do Estado. Adorado como um deus em todas as regiões do Império, o imperador tornou-se o garante da paz e da prosperidade dos povos, detentor de um poder supremo e incontestado.
Organizaram um conjunto de leis notável pelo seu rigor e pela sua amplitude. Os Romanos criaram o Direito tal como hoje o concebemos, alicerçado na justiça e na equidade utilizando-o como elemento regulador da paz e da ordem imperiais.
Estenderam progressivamente a condição superior da cidadania aos' povos dominados. Participantes dos mesmos direitos e da mesma dignidade dos seus conquistadores, os habitantes do Império deixaram de se sentir súbditos e passaram a olhar-se como verdadeiros romanos.
Unida pelo mesmo modelo urbano, pela obediência às mesmas leis e à autoridade do imperador, a Europa adquiriu uma feição civilizacional própria, uma marca de latinidade que persistiu até aos nossos dias.


A moeda romana
moeda de Trajano

Tipo de moeda: Quadrans Material: Bronze Local de cunhagem: Império Romano Ano de cunhagem: 107 d.C Estado de Conservação: BC+  Tamanho: 16,37 mm Peso: 2,47 g.
Detalhes: 
Anverso: “IMP CAES NERVA TRAIAN AVG” Busto laureado do imperador virado a direita
A moeda romana poder fornecer informações do nome do imperador, do seu pai, das suas conquistas, do seu consulado, se era considerado pai da patria (pater patrea), chefe da igreja romana (pontifice máximus) sagrado (augusto), etc.
Ao cunhar essa moeda, o Imperador Trajano comemora sua famosa e vitoriosa campanha contra os dácios, povo que habitava províncias além do Danúbio e se revoltou contra o domínio imperial romano, entre os anos 101 e 106 d.C.  Depois de ter subjugado esse povo rebelde e pacificado a região, Trajano quis que sua vitória fosse para sempre lembrada, por isso organizou grandes eventos públicos, como banquetes, lutas de gladiadores e erigiu uma série de monumentos, dentre os quais o mais famoso é a Coluna de Trajano no Fórum também construído por esse imperador, que até hoje pode ser vista na região de Quirinale. A moeda aqui anunciada também pode ser considerada como um tipo de monumento, pois nela o imperador se nomeia "Gemanicus" e "Dacicus", para lembrar a todos os seus súditos - uma vez que as moedas romanas eram cunhadas para circular por todo território imperial - de suas vitórias.



As quatro fases ou estilos da pintura de Pompeia
As casas de Pompeia, de Herculanus e da capital atestam a grande difusão da pintura mural na antiga Roma. As mais antigas pinturas romanas conhecidas são os frescos descobertos numa tumba do monte Esquilino e datam aproximadamente do século III a.C. Assim como a escultura, a pintura em sua primeira fase reflecte a influência etrusca e, em seguida, itálica e helénica. Os quatro estilos das pinturas murais de Pompéia encontram correspondentes no resto da Itália.

Casa de Salústio
 O primeiro estilo ou estilo de incrustação, imita obras da Anatólia e da ilha de Delos e reproduz revestimentos de mármore multicolorido. Entre 70 a.C. e o ano 20 da era cristã.

Villa dos mistérios
 O segundo estilo ou estilo arquitectónico - da casa de Cleópatra, construída por Julius Caesar, e da casa de Augustus, em Roma - apresenta técnica aprimorada e baseia-se em originais gregos. Os painéis parecem abrir-se para paisagens e palácios povoados por personagens da Mitologia Grega.

Casa de Lucretius Fronto
O terceiro estilo ou estilo ornamental, aparece em Pompeia no fim do século I a.C. O realismo dá lugar à idealização e os personagens míticos dominam completamente as paisagens. 

Casa dos Vetti
 O quarto estilo ou estilo cenográfico, corresponde ao reinado de Nero, entre os anos 54 e 68. Os motivos arquitectónicos derivam-se do teatro e emolduram com arabescos composições mitológicas, como na casa dos Vetii, em Pompeia, e na casa do Tocador de Cítara, em Herculanus. Seguiu-se uma expansão da arte religiosa a serviço dos imperadores divinizados. Os temas referem-se sobretudo à imortalidade da alma e à vida depois da morte. Na arte mural, destacam-se também os mosaicos, de forte influência oriental