Epci no Convento das Bernardas









"O grupo de 5 alunos, Rita Cortez, Ana valido, Valter Bernardo, Mariana Silva e Miguel Graça) passou um fim-de-semana no Algarve, em Tavira, para filmarem o que resta do convento, investigarem na Biblioteca Municipal e encontrarem a Irmã Miriam."

A arquitectura românica | M3






A arquitectura românica é o estilo arquitectónico que surgiu na Europa no século X e evoluiu para o estilo gótico no fim do século XII. Caracteriza-se por construções austeras e robustas, com paredes grossas e minúsculas janelas, cuja principal função era resistir a ataques de exércitos inimigos. As conquistas de Sancho de Navarra e Aragão, alargando o seu domínio, desimpediram o que viria a ser o famoso «caminho francês» para Santiago de Compostela, cuja célebre catedral (posteriormente reconstruída em 1705) é o mais acabado monumento peninsular da nova arquitectura românica, obedecendo ao padrão dos templos de peregrinação, como São Saturnino de Toulouse. O alçado da alta nave de Santiago inscreve os arcos redondos, o andor do trifório, e colunas adossadas à parede, donde arrancam os arcos torais da sua abóbada de berço.


Igrejas românicas e igrejas paleocristãs


A estrutura das igrejas românicas é mais complexa que a das paleocristãs. Estando mais próxima da arquitectura romana no seu aspecto apresenta naves de abóbadas de pedra em vez de travejamento de madeira. A igreja românica é precedida por um átrio ladeado de pórticos que faz a ligação à igreja através de um narthex. No caso das igrejas paleocristãs, no cruzamento da nave com o transepto situa-se um arco triunfal que emoldura a abside e o altar. As colunas da nave central suportam arcadas que conformam um alçado contínuo. O esquema do alçado interior das igrejas românicas faz-se através dos elementos: coluna, feixe de pilares, abóbadas de canhão, tribuna. Enquanto que nas paleocristãs é visível a sequência: colunas, entablamento directo, arco e vãos (clerestório).

Arquitectura românica de peregrinação

Cluny e Santiago de Compostela são provavelmente os melhores exemplos de igrejas de peregrinação. A planta é em cruz latina com 3 a 5 naves abobadadas em pedra. A cabeceira ou charola é constrituída por ábside, absidíolos e deambulatório. Estas igrejas eram dotadas para receber grandes multidões e procissões, pelo que havia a necessidade do deambulatório, que permitia o decorrer normal das cerimónias simultaneamente com as procissões passando atrás do altar. O trifório, galeria semi abobadada aberta para a nave central, era colocado sobre as naves laterias mais baixas, iluminado pelo clerestório. O narthex precedia a entrada e era reservado aos catecúmenos. No alçado da entrada são colocadas 2 torres. O sistema estrutural é conseguido através de contrafortes para suportar o peso, paredes compactas e poucas aberturas, cobertura em abóbada de canhão e abóbada de aresta na nave central. É feita uma divisão vertical em 2 planos, com uma galeria espaçosa sobre os arcos principais, os arcos laterais e transversais do interior são sustentados por apoios independentes.


Igrejas românicas de cúpula


Igrejas românicas de cúpula são igrejas com cúpulas seriadas (próprias do oeste e sul de França), influência directa da arquitectura muçulmana e bizantina. Possuem uma nave única muito ampla, em alguns casos com um transepto saído (Solignac e Angoulême). A ábside é tão larga como a nave. A nave central é coberta por uma série de cúpulas sobre pendentes sustentadas por arcos amplos. Em Germin-des-Prés observamos uma catedral com cruz grega inscrita num quadrado com uma cúpula central e cúpula nos cantos (planta em Quincunx). S.Marcos de Veneza apresenta uma planta em cruz grega em que a cúpula central se ergue muito acima da cúpula real mais baixa e em madeira.

Arquitectura religiosa românica francesa


França apresenta estilos locais, influência das igrejas de peregrinação. O ordenamento do extremo oriental evoluiu para uma planta radiante ou escalonada (como em Issoire). Era acrescentado um deambulatório à volta do perímetro da abside para permitir o acesso às capelas. Na planta escalonada eram introduzidas capelas no lado oriental do transepto. A separação entre o clero e fiéis era feita também com a distinção entre altares dos santos e altar-mor. Na Provença encontramos igrejas altas, pouco largas com coberturas de ogivas e arco quebrado, não tem tribuna mas altas janelas. Em Poitou as naves laterais são estreitas e elevam-se à altura da nave central. Um segundo grupo de igrejas, as igrejas de cúpulas foram influenciadas pela arquitectura muçulmana e bizantina, com uma nave única muito alta com ou sem transepto e capelas radiantes.

EXEMPLOS DE TESTES | M3


A - Lê com atenção os seguintes textos

doc1

A desagregação do Império Romano


Dois movimentos conjugados contribuíram para a desagregação do Império Romano: o Cristianismo e as Invasões Bárbaras. O primeiro, provocou uma alteração muito significativa no campo das mentalidades, pois introduziu uma nova visão da religiosidade, e não só, chegou mesmo a propor uma nova e revolucionária organização social. O segundo, gerou uma disposição nos espaços do antigo Império, a pouco e pouco, a unidade política que Roma havia construído deu lugar a uma fragmentação territorial, assistindo-se assim, à génese de muitos dos actuais países europeus, que resultaram directamente da síntese cultural que foi feita entre a cultura do Império e a cultura dos povos invasores.
A vida material também sofreu importantes alterações estruturais. Com o fim das vias de comunicação, sobretudo das estradas romanas, surgiu uma nova organização económica que, ao contrário da anterior, era pobre, pouco dinâmica, insegura e ineficaz. Logicamente, esta desorganização das trocas fez aumentar a fome e a fome levou as massas para os campos e submeteu-as à servidão perante os dadores de pão, os grandes proprietários.

Baseado em Jacques Le Goff, A Civilização do Ocidente Medieval, Lisboa, ed. Estampa, 1994

doc2
O mosteiro

O monaquismo cristão surgiu no Oriente, no século IV. Nasceu ligado ao desejo de isolamento e de evasão do mundo profano. No Ocidente, o monaquismo apareceu mais tarde, no final do século V, por iniciativa dos bispos. A partir do século VI, surgiram os primeiros legisladores da vida religiosa comunitária como são Bento. Os regulamentos que este escreveu para os cenobitas (monges), serviram de modelo à grande maioria dos mosteiros europeus. Isto deveu-se ao rigor e espírito de perfeição posto por São bento na sua regra. (…)
Os mosteiros eram concebidos como pequenos mundos autónomos e auto-suficientes, virados para o interior e fechados ao exterior. Centros de oração, meditação e ascese, os mosteiros deste período foram muito mais do que isso. Beneficiados pelas condições da época, os mosteiros transformaram-se em centros dinamizadores da economia. Mas o seu principal papel foi no campo cultural, centros privilegiados de produção intelectual, os seus habitantes transformaram-se nos principais guardiães do saber erudito durante a Idade média, de facto, os mosteiros representaram durante esta cronologia, os principais centros de difusão cultural.

Baseado em Ana Lídia Pinto, História da Cultura e das Artes, Porto, Porto editora, 2007
doc3
Jihad

Ó crentes! Ponde-vos em guarda! Lançai-vos contra os vossos inimigos em grupos ou em blocos. (…) Àqueles que combatem na senda por Allah, quer estejam mortos, quer estejam vitoriosos, conceder-se-á uma enorme recompensa. Como não combatereis na senda de Allah, em favor dos homens débeis, das mulheres e das crianças que dizem: “Senhor nosso! Irai-nos deste povo cujas sendas são injustas! Dai-nos um chefe designado por Voas! Dai-nos um defensor designado por Vós.
Corão, 4, 73 

As cruzadas

Ela é verdadeiramente santa e segura essa cavalaria (…) desde que combata por Cristo (…) para os cavaleiros de Cristo, é em toda a segurança que combatem pelo senhor sem temor de pecar por matar os seus adversários, nem de se perderem, se morrerem eles próprios. Quer dêem a morte quer a sofram, é sempre uma morte por Cristo, não tem nada de criminoso e é muito gloriosa: com efeito se matam fazem-no pelo Senhor, se morrem, o Senhor está com eles.

S. Bernardo de Claraval, Elogio da Nova Milícia (1091/1153)


1.1)        Dos referidos documentos, selecciona dois e elabora um comentário tendo em conta os pontos abaixo mencionados.

doc1 A desagregação do Império Romano

  • As principais rupturas provocadas pelo Cristianismo no campo das mentalidades.
  • O contributo das invasões bárbaras para a configuração espacial do Antigo Império Romano.
  • As invasões Bárbaras e a desagregação das antigas estruturas romanas.
  • O nascimento da Idade Média e da sociedade feudal.

doc2 Os mosteiros na Idade Média

o        Os mosteiros e o isolamento da vida mundana.
o        As vivências internas – a Regra seguida pelo mosteiro.
o        O seu papel enquanto centros difusores e centros limitadores de transmissão cultural.
o        O mosteiro enquanto instituição feudal.

doc3 A Jihad e as Cruzadas

  • Os confrontos entre o mundo ocidental e o Islão durante a Idade Média.
  • A atitude religiosa das religiões em confronto.
  • A difusão e a imposição da palavra de Deus.
  • Os principais problemas que esta questão ainda coloca nos dias de hoje.
III
1) Observa com atenção a planta que se segue


doc8



Planta da catedral românica de Santiago de Compostela, século XII

1.1)        Preenche os espaços em branco.

1.2)        Indica que nome se dá a este tipo de planta.

1.3)        Identifica as partes que compõem o alçado da nave principal.

1.4)        Descreve o sistema de iluminação da catedral românica.

1.5)        Coloca um círculo à volta da cabeceira.

1.6)        Explica as principais características da arquitectura românica.
1)    Lê com atenção a seguinte frase

doc9
Opinião do Papa Gregório Magno acerca das obras de arte

as obras de arte têm pleno direito de existir, pois o seu fim não era ser adoradas pelos fiéis, mas ensinar os ignorantes. O que os doutores podem ler com a sua inteligência nos livros, o vêem os ignorantes com os seus olhos nos relevos e nas esculturas.”

Papa Gregório Magno (540/604)

2.1) Justifica a frase do Papa Gregório Magno, tendo em conta a principal função da escultura românica.

2)    Observa com atenção as seguintes pinturas murais românicas


3.1) A partir das imagens, descreve as principais características da pintura mural românica.

 B - Lê com atenção os seguintes textos

  
“Eu diria que se a Idade Media não é um período áureo… também não é a época obscurantista e triste. Há que considerá-la no seu conjunto. Em relação á Antiguidade, é, em muitos aspectos, um período de progresso.(…) Há certamente uma ignóbil Idade Média: os senhores oprimiam os camponeses, a Igreja era intolerante… as fomes eram frequentes, os pobres inúmeros… Há também a bela Idade Média…. A dos cavaleiros, a da Arte Românica, a da cor… A Europa começa a constituir-se na Idade Média.”

1-Caracterize a Idade Media nos aspectos económico, social, politico, cultural, religioso e artístico.
 “Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então a sensação de pertencerem a um mesmo conjunto de instituições, crenças e hábitos: a Cristandade.”

2-Defina Cristandade.
“ Mas há vários tipos de monges (…) distinguiram-se pela fundação de mosteiros (…) os monges irlandeses (…) no século VI, o monge Bento de Núrsia, elaborou uma regra moderada (…) os monges beneditinos (…) as ordens de Cluny e de Cister, São Bernardo de Claraval.”

3-Defina Mosteiro como instituição e como construção arquitectónica.

4-Descreva as principais características do estilo Românico.



5 -Identifique os seguintes elementos da arquitectura românica.
    6. O estilo românico é um estilo de arquitectura caracterizado por (assinale com um X as respostas certas)
Construções austeras e robustas.
 Com paredes finas com grandes janelas
  Igrejas pouco iluminadas, com minúsculas janelas.
Uma das funções destas estruturas era a de resistir aos ataques dos inimigos
Apresenta formas complexas e muito decoradas.
Os edifícios apresentam uma decoração muito simples e pouco requintada.
Igrejas altas, com luz e paredes sem contrafortes.
A planta em cruz latina representa a cruz onde Jesus Cristo foi morto.
A pressão contínua exercida pela abóbada da nave central é descarregada, através dos arcos, para os pilares e transmitida, igualmente sobre as naves laterais para as paredes exteriores do edifício.    


7. Identifique os seguintes elementos da arquitectura românica.




A cristandade ocidental face ao Islão – as cruzadas e a Jihad M3





Cerca de 610, Maomet, mercador e caravaneiro do deserto da Arábia, iniciou uma intensa actividade religiosa. Acreditava ter sido enviado por Deus para tirar os Árabes da idolatria e conduzi-los à salvação. Uma noite, enquanto meditava na solidão do deserto, viu aparecer-lhe o anjo Gabriel, que lhe disse: “Maomet, tu és o profeta de Allah. Prega”.


Desde então até à sua morte, em 632, Maomet dedicou-se por completo à glória de Allah (Deus em árabe) e à difusão da sua palavra. Fundou, assim, uma nova religião – o Islão –, cujos princípios fez registar num livro sagrado, o Alcorão (ou Corão). Segundo Maomet, estes princípios tinham-lhe sido confiados por S. Gabriel e constituíam a verdadeira revelação de Deus. No Alcorão, que contém orientações sobre todos os aspectos da vida dos crentes, estão definidos os cinco pilares do Islão: a crença num Deus único, Allah, e o reconhecimento de Maomet como seu profeta; a oração; a esmola; o jejum do Ramadão e a peregrinação a Meca.


Mas, para além destes princípios, que devem ser integralmente respeitados, desde logo se estabeleceu ao crente a obrigação da Jihad, guerra santa, destinada a espalhar a fé.



“Ó crentes! Ponde-vos em guarda! Lançai-vos contra os nossos inimigos em grupos ou em bloco (…). Àqueles que combatem na senda de Allah, quer estejam mortos, quer estejam vitoriosos, conceder-se-á uma enorme recompensa.”


Corão



Foi o próprio Maomet quem a iniciou, submetendo pelas armas as tribos árabes que perseveravam na idolatria.


O legado de Maomet ultrapassou, em muito, o aspecto religioso. Os árabes, que até ai tinham vivido em tribos dispersas, tornaram-se num povo unido sob a bandeira de uma fé comum e dispuseram-se a conquistar o Mundo. Um século após a morte do profeta, o Islão estendia-se por uma área imensa, que abarcava três continentes e uma grande multiplicidade de povos.


Durante cerca de quatro séculos (do século VIII ao início do século XII), a Cristandade apequenou-se face ao Islão. Este impôs o seu poder militar e apropriou-se do comércio mediterrânico. Desenvolveu uma civilização próspera e requintada, onde brilhavam cidades magníficas e onde as ciências, a poesia e a filosofia floresceram intensamente. Comparado com o mundo islâmico, o mundo cristão parecia pequeno, pobre e rude, pequenas ilhas de desenvolvimento rural dentro de um universo pejado de florestas, montanhas e vales. De quando em quando, avistava-se uma cidade, invariavelmente tímida, raquítica, sem esgotos e onde a sobrevivência, todos os dias, era arrancada da terra a muito custo.


Contudo, a partir do ano 1000, um pequeno florescimento económico, marcado por bons anos agrícolas, novos arroteamentos e um aumento da população, permitiu ao ocidente europeu respirar uma lufada de ar fresco e gizar a sua primeira dilatação de fronteiras. Assim, em 1095, a Cristandade deu um sinal claro de que as coisas estavam prestes a mudar. Atendendo ao apelo do papa Urbano II, o Ocidente desencadeou a primeira de uma série de grandes ofensivas militares, conhecidas por Cruzadas. O seu objectivo era a libertação dos Lugares Santos da Palestina, que se encontravam sob o poder dos muçulmanos.



“E nós, exultantes de alegria chegamos junto da entrada de Jerusalém na terça-feira (…) e sentimo-la. Roberto da Normandia sitiou-a do lado norte, perto da igreja do primeiro mártir, Santo Estêvão, no lugar onde foi lapidado em razão da sua fé a Cristo (…). Na sexta-feira, à primeira hora da manhã, iniciamos o assalto geral à cidade. Uma vez dentro, os nossos perseguiram os Sarracenos, tendo travado um furioso combate todo o dia, até ao ponto de tudo ficar inundado de sangue (…). Pouco tempo depois, já com a batalha ganha, os cruzados percorreram toda a cidade, saqueando as casas e roubando o ouro, a prata, os cavalos e as mulas.”



História anónima da Primeira Cruzada



De acordo com S. Bernardo de Claraval, fundador da ordem de Cister, as cruzadas representavam para os Soldados de Cristo, o seguinte:


“Ela é verdadeiramente santa e segura essa cavalaria (…) desde que combata por Cristo (…). Para os Cavaleiros de Cristo, é em toda a segurança que combatem pelo Senhor sem temor de pecar por matar os seus adversários, nem de se perderam, se morrerem eles próprios. Quer dêem a morte quer a sofram, é sempre uma morte por Cristo: não tem nada de criminoso e é muito gloriosa”.


Elogio da nova milícia



Embora, a nível militar, o êxito das expedições tenha sido reduzido, os cristãos não lograram estabelecer um domínio duradouro na Palestina, o movimento das cruzadas fortaleceu a ideia de uma sociedade encabeçada por um ideal religioso, suficientemente forte para lutar, unida, contra os inimigos da fé. Este ímpeto guerreiro ultrapassou as expedições à Terra Santa e fez-se sentir em todas as zonas de confluência do mundo cristão com o mundo muçulmano, a Península Ibérica é disso um exemplo.


No século XIII, a Europa Ocidental tinha, claramente, recuperado do seu abatimento face ao Islão. Seguir-se-iam tempos de rivalidade mais equilibrada, com avanços e recuos para ambas as partes. Mas, grosso modo, estavam já delimitadas as áreas de influência das duas regiões: o Ocidente era cristão; o Oriente, muçulmano.


Baseado em Célia Pinto do Couto, O Tempo da história, porto, porto editora, 2005

Roma | M2










Os poderes imperiais





Um ano antes da sua morte, Augusto fez elaborar o relato dos seus feitos que, conforme a sua vontade explícita, deveria ser gravado em placas de bronze e colocado à entrada do imponente mausoléu que ele próprio erigira no Campo de Marte, para lhe servir de túmulo. Estas inscrições de bronze perderam-se mas, felizmente, o seu sucessor, Tibério, mandou fazer várias cópias que espalhou pelo império. Em Ancara, na actual Turquia, encontra-se o único exemplar que sobreviveu. Alcancei duas vezes a ovação e três o triunfo curul, (honras prestadas aos generais vitoriosos) e vinte e uma vezes fui proclamado imperador (...) fui princípe do Senado (princeps senatus) (...) fui pontífice máximo (...).




Uma lei determinou (23 a.C.) que a minha pessoa seria, para sempre, inviolável e possuiria o poder dos tribunos da plebe (...). No meu sexto e sétimo consulados (28/27 a.C.), depois de ter extinguido a guerra civil, e de ter assumido, por consenso universal, o poder supremo, passei a República do meu poder para o arbítrio do Senado e do Povo Romano. Por esse motivo, e para me honrar, recebi o título de Augustus, por decisão do Senado, (...) e colocado na Cúria Júlia um escudo de ouro, que testemunhava (...) que o Senado e Povo Romano mo concediam devido à minha valentia, clemência, justiça e piedade. Depois dessa época, fiquei acima de todos em autoridade (...)




Eu estava eu no meu décimo terceiro consulado (2 a.C) quando o Senado e o Povo Romano inteiro me designaram Pai da Pátria (...)




Quando escrevi estas coisas estava no septuagésimo sexto ano da minha vida (13 d.C.).
Feitos do divino Augusto, inscrição de Ancara



O pragmatismo romano
A prudência romana empregou-se principalmente em coisas que pouca atenção receberam dos Gregos – pavimentação das estradas, construção de aquedutos e esgotos. De facto, os Romanos calcetam as estradas abertas através de montes e vales, a fim de as mercadorias poderem ser transportadas em carros desde os portos. Os esgotos, feitos de pesadas pedras, são tão largos, em alguns lugares, que podem passar sobre eles os carros carregados. O fornecimento de água por meio de aquedutos é tão abundante, que pode dizer-se que os rios correm para as cidades, e quase todas as cidades, providas de canalizações, possuem fontes.




Estrabão, Geógrafo e Historiador (C. 64 a.C. e c.24 d.C.) Geografia II, 4-

A fundação de Roma




Diz a lenda que Roma foi fundada, no ano 753 a.C., por Rómulo, um dos gémeos que a sacerdotisa Reia Sílvia concebera de Marte, deus da guerra. Este, juntamente com o seu irmão Remo, foi abandonado nas margens do rio Tibre. Os dois foram miraculosamente salvos por uma loba, Capitolina, que os amamentou. Mais tarde, desavenças entre os irmãos, levaram Rómulo a assassinar Remo.




Na realidade Roma nasceu como qualquer outra cidade, de um pequeno povoado que, favorecido pela geografia e pela história, se foi engrandecendo.




A cultura romana estava intimamente ligada à cidade, entendida, tal como na Grécia, não como um simples conjunto de edifícios, mas como uma associação destinada a satisfazer hábitos, necessidades e interesses comuns aos que nela habitavam. Para além disso, os Romanos consideravam as cidades como células ideias de administração, já que nelas se concentravam as instituições governativas.



Assim se entende que uma das primeiras tarefas, após a conquista, fosse a reorganização ou a criação de centros urbanos: em regiões como a Grécia, onde o sistema de cidades já era antigo, os Romanos souberam respeitar a sua forma de funcionamento limitando-se a introduzir pequenas alterações, noutros locais, como a Gália ou a Península Ibérica, onde as cidades eram raras ou mesmo inexistentes, os Romanos apressaram-se a criá-las proporcionando-lhes as condições necessárias ao seu desenvolvimento.




Deste modo, o Império Romano era um mundo de cidades dotadas de relativa autonomia, capazes de resolver localmente muitos dos seus problemas. E era sobre este espaço urbanizado que Roma estendia o seu domínio, impondo-se como modelo a seguir. Roma era a urbe por excelência, o centro do poder, o coração do Império.





As Instituições políticas durante a Monarquia e a República




Apesar do Império estar espalhado por diversas zonas da actual Europa, Ásia e África, existia um poder centralizado em Roma. Nesta cidade vigoravam, desde o tempo da Monarquia, três instituições que comandavam os destinos do Império: o Senado, as Magistraturas e os Comícios.




O Senado (assembleia) foi a instituição política mais velha do Estado Romano, tendo sido criado pelo primeiro rei de Roma, Rómulo, só desapareceu no fim do período designado por Império, em 476 d.C.. Ao longo da história de Roma, foi nesta instituição, onde o uso da palavra e da retórica eram uma arma de sucesso para a condução das discussões e das votações, que muitas decisões foram tomadas. Por esse motivo, os senadores deveriam ter uma cultura vasta e um bom domínio da língua latina e do direito romano. Pelo perfil exigido, só os cidadãos melhor preparados é que podiam almejar vir a ocupar um lugar nesta Instituição, o que justifica o facto de na sua esmagadora maioria, ser quase exclusivamente composto por grandes latifundiários de origem Patrícia, ou seja, nobre.



Durante o período da Monarquia, esta instituição possuía apenas um carácter consultivo, onde se reuniam os anciães (os mais velhos). Era um órgão de consulta, que funcionaria nos seguintes moldes – quando um oficial, por exemplo, decidia declarar guerra a um Estado inimigo, recorria a esta Instituição para escutar a sua opinião.




Contudo, durante o período da República, o Senado passou a deter funções muito mais vastas, passou a controlar o Tesouro Público, a administrar as Províncias, a validar as leis aprovadas nos Comícios, a comandar a Política Externa e a controlar a actuação das Magistraturas. No fundo, o poder passou a residir todo nas suas mãos. Às Magistraturas cabiam funções menos relevantes, estas podiam ser de natureza administrativa, judiciária ou militar. Por fim, os Comícios eram assembleias periódicas de carácter popular, as Instituições menos importantes na gestão romana, constituídos por elementos da Plebe, isto é, do povo.




A gestão do Império – um mundo de cidades


Embora as cidades constituíssem centros administrativos capazes de gerir os assuntos correntes, o Império funcionava como um estado centralizado, sujeita à autoridade máxima de Roma. A sua grande extensão exigia um poder forte e eficiente, capaz de salvaguardar a ordem e as Províncias. Perto do final do século I a.C., Roma mergulhou num período de grande agitação social e política que desembocou numa guerra civil e na anarquia. Vários “partidos” e personagens da vida política romana procuraram ocupar o poder e centralizá-lo nas suas mãos. Júlio César, antes de ter sido assassinado no Senado por Brutus, tentou destruir a República e instaurar, sem sucesso, um regime ditatorial. Na sequência da morte de Júlio César, Octávio saltou para a ribalta política, com apenas 19 anos.




Segundo os seus biógrafos (Seutónio e Tácito) era na ocasião, um jovem tímido, modesto e sem grande presença física, com uma saúde precária e sem gosto nem jeito para a carreira militar. No entanto revelou-se, pouca a pouco, de uma extrema habilidade e de grande competência e eficiência políticas. Com prudência e diplomacia, soube granjear os apoios necessários, afastar os seus rivais e tornar-se de tal modo indispensável perante o Senado e o povo romano que estes o foram cumulando de poderes que acabaram por fazer dele a primeira figura do Estado romano.



Com Octávio César Augusto, Roma alcançou o seu maior esplendor, a época de ouro da Civilização Romana. O Imperador marcou de tal modo a sua época que após a sua morte, o Senado Romano apelidou o seu tempo de vida como o “Século de Augusto”.



Dotado de um extraordinário sentido político, Octávio chegou ao primeiro plano do Estado por delegação do povo romano, dentro da ordem republicana, e possuiu, de facto, uma autoridade pessoal, absoluta e de carácter quase divino, já que a aura de prestígio que o acompanhou originou o culto imperial, factor de propaganda e coesão políticas em todo o vasto Império Romano. A estas prerrogativas acrescentou ainda o direito de nomear ou designar sucessor (um filho ou, na falta deste, um sobrinho, um irmão, um protegido por adopção…), dando origem a que o poder imperial se tornasse dinástico.






A ÉPOCA DE OURO DO IMPÉRIO ROMANO



A ACÇÃO DE AUGUSTO MANIFESTOU-SE A VÁRIOS NÍVEIS:



No plano militar: restabeleceu a ordem e a disciplina após a anarquia e guerra civil dos últimos tempos da República; continuou as conquistas e pacificou as províncias, estendo sobre elas a pax (paz) romana. A pax romana era uma preocupação para os Romanos, quando as suas legiões conquistavam um determinado local, procuravam pacificá-lo, levando progressivamente para esse mesmo território as várias instituições romanas, o direito e a língua.



No plano político: empreendeu a reforma do aparelho administrativo central e provincial; no primeiro, reforçou os poderes do imperador, criando-lhe novos órgãos de apoio: (Conselho imperial, Guarda Pretoriana e novo corpo de funcionários dele dependente) e reduziu os poderes do Senado, das Magistraturas e dos Comícios. Na realidade, Octávio César Augusto reduziu consideravelmente os poderes das antigas Instituições Republicanas, apesar de as ter conservado, pois os cidadãos romanos estavam muito apegados à sua organização governativa.



No plano social: apaziguou as lutas sociais (paz social), reordenando a população com base na igualdade teórica perante a lei, para os cidadãos livres, e fazendo recair sobre o montante do imposto pago (o censo que Augusto tornou obrigatório) a possibilidade de ser eleito para os cargos públicos e políticos, como o Senado e as Magistraturas. Com estas medidas, o Imperador pretendia garantir a coesão do corpo social, mantendo-o fortemente hierarquizado a partir da cúpula, constituída por ele e pela sua família.



No plano cultural: o imperador, formado na tradição helenística e amante das letras e das artes, usou da prosperidade económica para proteger poetas, escritores, historiadores, intelectuais e artistas, atraindo-os à sua corte e subsidiando as suas obras (início do mecenatismo, actividade cujo nome advém precisamente de um dos mais fieis conselheiros de Augusto – Mecenas). Por outro lado, Octávio patrocinou numerosas obras públicas como estradas, pontes, aquedutos, termas…; muniu-se de arquitectos e artesãos gregos para reformar ou construir templos, teatros, mausoléus, arcos do triunfo… e rasgar um novo Fórum, a praça pública, (centro político, económico e religioso), o Forum Augustum, a ele dedicado; construiu e equipou bibliotecas públicas, fundou escolas.



Com tudo isto, Augusto não só conseguiu manter o império governado e unido, com a paz e a prosperidade, como criou, na sua pessoa e no aparelho central que dele dependia, uma espécie de identidade supra-regional capaz de integrar as diversidades geográficas, étnicas e culturais das terras conquistadas.



OCTÁVIO CÉSAR AUGUSTO (63 a.C – 14 d.C)



Primeiro imperador romano. O seu nome é Caio Júlio César Octaviano Augusto. É sobrinho e herdeiro de Júlio César. O seu pai, Caius Octavius, foi edil e pretor em Roma e, mais tarde procônsul, na Macedónia. A mãe, Átia, era sobrinha de Júlio César, e este, interessando-se pela carreira do sobrinho, deu-lhe uma educação aprimorada, adoptando-o como filho em testamento.




Após o assassinato de Júlio César (15 de Março de 44 a.C.), por um grupo de Senadores republicanos que desejavam devolver o poder ao Senado e viam em Júlio César um ditador estrangulador da velha instituição de Roma, Octávio apresentou-se na capital do Império disposto a cumprir o testamento de Júlio César. Designado cônsul, formou o segundo triunvirato (43 a.C) com Marco António e Lépido. Lutou contra Bruto e Cássio, que venceu em Filipos (42 a.C.), responsáveis pela conjura contra César. Depois de derrotarem os seus inimigos, Octávio Augusto e Marco António dividiram o Império: o Oriente para António e o Ocidente para Augusto. Porém, o antagonismo que existia entre ambos faz com que se declarasse novamente a guerra. A vitória naval de Octávio (31 a.C.), sobre as tropas de Marco António no Egipto, significou o regresso do Império Romano à unidade territorial.



A partir dai, sem rivais a enfrentar, Augusto fundou o Império Romano e pôde começar, com um talento político e organizativo impar, a dispor de novo as estruturas do império de tal modo que garantiu para si o controlo efectivo dos poderes essenciais ao mesmo tempo que mantinha as instituições republicanas. Na prática, significava dizer que Octávio manteve as antigas instituições republicanas: Senado, Magistraturas e Comícios, contudo, esvaziou-as de poder, ou seja, estas deixaram de comandar os destinos de Roma que passaram para as mãos de Octávio. Apesar das instituições republicanas terem continuado a existir durante o governo de Octávio, este tinha sempre a última palavra sobre os assuntos prioritários: política externa, administração das províncias, assuntos religiosos, etc. Podemos, sem dúvida, afirmar que o seu poder era de tipo absoluto, observando, controlando e comando tudo e todos.



A chave do seu poder residiu num exército fiel, capaz de fortalecer o Estado, ainda que este recurso tenha acabado por gerar um regime militarista. Octávio, formalmente, nunca se proclamou imperador. Assim, durante largos anos ostentou apenas os títulos de cônsul e tribuno, não havendo, contudo, dúvidas de que o seu poder era virtualmente ilimitado. Mais tarde, assumiria também a direcção do culto religioso romano. O Senado concedeu-lhe o título de “Augustus”, cognome religioso que consagrava a sua missão como divina, até ai reservado apenas às divindades.



Enquanto os seus generais iam alargando os limites territoriais do império, Augusto consolidava o poder central e a administração no que dizia respeito ao emprego dos funcionários, à cobrança de impostos, à emissão de moeda e à manutenção da ordem pela frota e pelas legiões romanas. Desta forma, o exercício do poder absoluto de Augusto coincidiria com uma época de paz e estabilidade interna no Império, a chamada pax romana, época bem diferente do período conturbado das guerras civis que a precederam. Este período ficou conhecido como época áurea do Império, em virtude da ordem social estabelecida e da extensão territorial alcançada.



Assim, durante o seu governo, apoiado num grupo de fiéis amigos – Agripa e Mecenas -, aumentou o Império, consolidou as fronteiras, pacificou as províncias pela imposição da paz romana, reformulou o aparelho administrativo, reestruturou a sociedade em classes censitárias (com base no dinheiro que possuíam), restabeleceu a religião tradicional, restaurou e construiu inúmeros templos, cúrias, teatros, termas, pontes, aquedutos e estradas por todo o Império, rodeou-se de poetas, escritores e artistas como Tito Lívio, Horácio e Virgílio, gabando-se, quanto a Roma, de ter encontrado uma cidade de tijolo e a ter deixado de mármore.

Péricles | M1























Péricles nasceu numa família da nobreza ateniense, os Alcmeônidas, descendente do líder reformista Clístenes, responsável pela introdução da maioria das instituições democráticas, durante a revolução de 510 a.C. .Eleito e reeleito várias vezes como estratego-chefe (strategos-arconte), acumulou a chefia civil e a liderança militar da cidade, fazendo com que Atenas alcançasse a maior projecção política, económica e cultural em toda a sua história. Péricles começou a sua vida política ainda bastante novo. Foi discípulo de Daman, Zenão e Anaxagoras, onde Anaxagoras ensinou a Péricles, a retórica. A retórica é a técnica de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação, como o discurso Visual, e escrito. Por vezes, fala-se em Péricles como sendo o fundador da democracia, algo que não é totalmente exacto. Na verdade, ele apenas modificou o sistema democrático existente, de uma "democracia limitada" para uma democracia onde todos os cidadãos podiam participar. Tanto que se Clístenes é considerado o pai da democracia grega, Péricles é considerado o fundador da Idade de Ouro da mesma, chamando assim, ao século V A.C., o século de Péricles. Isto porque, com Clístenes, era uma democracia limitada, onde os aristocratas ainda ditavam leis, e com Péricles este facto alterou-se, passando os cidadãos a governar não apenas em teoria, mas também na prática. A partir de 450 A.C., foram passando na Assembleia uma série de leis que progressivamente foram estabelecendo um sistema democrático que o mundo nunca tinha visto antes. Foram dados aos cidadãos o poder directo da Assembleia e dos tribunais populares, onde as decisões eram tomadas por maioria.

Caravaggio | M6











A atitude artística deste pintor é de franca rebeldia contra os convencionalismos do momento. O estranho realismo de Caravaggio consiste não em copiar e observar a natureza, mas em contrapor o valor moral da prática ao valor intelectual da teoria.


O aspecto mais notável da sua obra é o tratamento da luz, que recebe o nome de tenebrismo. Consiste em projectar a luz sobre as formas com violência e em contraste intenso e brusco com as sombras. O seu precoce domínio dos efeitos claro-escuro marca o início de uma das grandes conquistas da pintura barroca. Outra característica primordial do estilo de Caravaggio é o naturalismo imaturo como reacção face ao idealismo renascentista. Naturalismo que, por outro lado, não está em duelo com a grandiosidade da composição.


A este interesse naturalista respondem quadros de costumes como “Mulher a Tocar o Alaúde” e “Jogadores de Cartas”, pintados na sua primeira época. A plenitude do seu estilo encontra-se em cenas religiosas que trata com um naturalismo e um realismo quase insolentes. Tal é o caso de O Santo Enterro e de O Enterro da Virgem. Nesta última obra, a figura da Virgem é inspirada no cadáver de uma mulher afogada no Tibre e com o ventre inchado. A exposição pública deste quadro numa igreja choca com o gosto classicista imperante em Roma, e tem que ser retirado




A influência de Caravaggio sente-se em Itália e no resto da Europa durante todo o século xvii, e os seus seguidores continuam a cultivar o tenebrismo e o naturalismo no século seguinte.


Características da arte de Caravaggio

Podemos salientar como características da pintura de Caravaggio:
Usar como modelos, nos seus temas – históricos, religiosos, ou cenas de género –figuras vulgares de mulheres e homens comuns (possuindo algumas delas um certo carácter rude que choca os seus contemporâneos);
Usar uma luz rasante e descontínua;
Iluminar fortemente alguns pormenores ou personagens importantes da cena.











A pintura tem como tema dois jovens jogadores de cartas na presença de um homem mais velho que apoia o jovem de costas a fazer batota. O cenário é praticamente inexistente, sendo a posição das figuras e a luminosidade que envolve os jogadores os factores que fazem desta obra de Caravaggio uma obra-prima. A luz que vem da esquerda do quadro cria um espaço ilusório e uma profundidade que coloca o observador numa posição que lhe permite observar a cena com grande detalhe. O batoteiro é representado de costas, permitindo ao espectador notar que está a tirar do cinto uma carta, depois de ver o sinal que o seu comparsa lhe faz ao espiar o jogo do incauto jovem adversário. Do lado esquerdo, o objecto da cobiça: uma pilha de moedas sobre um tabuleiro de gamão.


Esta cena, quase teatral, descritiva e realista contém todavia um intuito moral: a condenação do vício do jogo.



Gian Lorenzo Bernini | M6





Gian Lorenzo Bernini ou simplesmente Bernini, nasceu em Nápoles a 7 de Dezembro de 1598 e faleceu em Roma a 28 de Novembro de 1680.Foi um artista do barroco italiano, trabalhando principalmente na cidade de Roma. Bernini distinguiu-se na escultura e arquitectura, passando também por áreas como a pintura, o desenho, cenografia, e a criação de espectáculos de pirotecnia. Esculpiu variadíssimas obras de arte que perduram até hoje em Roma e no Vaticano.



Começou a sua vida artística com o pai, Pietro Bernini, um escultor de Florença que foi trabalhar para Roma. O trabalho do jovem foi reconhecido pelo pintor Annibale Carracci, começando desde logo a trabalhar para o papa Paulo V, o que lhe facilitou a sua independência. Influenciado pela escultura Grega e Romana em mármore, que conheceu nas colecções do Vaticano, também conhecia bem a pintura renascentista de princípios do séc. XVI. De facto, o conhecimento da obra de Miguel Ângelo nota-se no seu São Sebastião, de 1617, realizado para o cardeal Barberini, o futuro papa Urbano VIII, que se tornou o patrono mais importante de Bernini. Mas o seu primeiro patrono foi o cardeal Borghese. Foi para ele que Bernini esculpiu o Eneias, Anquises e Ascânio fugindo de Tróia, de 1619, Plutão e Proserpina, de 1622 e o David, de 1624. Com estas obras, realizadas em tamanho real, conjugadas com os bustos executados também neste primeiro período da sua actividade, Bernini cortou com a tradição de Miguel Ângelo, criando um novo período na história da escultura da Europa ocidental. Com a eleição de Urbano VIII, Bernini passou a trabalhar muito intensamente, passando também a trabalhar em pintura e a fazer arquitectura a pedido do papa. O seu primeiro trabalho arquitectónico foi a remodelação da Igreja de Santa Bibiana em Roma. Ao mesmo tempo, Bernini foi encarregado de construir uma estrutura simbólica sobre o túmulo de São Pedro na Basílica de S. Pedro em Roma. O resultado foi o enorme e famosíssimo Baldaquino dourado construído entre 1624 e 1633. O baldaquim, uma fusão completamente original e sem precedentes entre escultura e arquitectura, é considerado o primeiro monumento verdadeiramente barroco, tendo-se tornado o centro da decoração projectada por Bernini para o interior da Basílica de S. Pedro. O seu trabalho seguinte foi a decoração dos quatro pilares que sustentam a cúpula da basílica, com quatro estátuas colossais, sendo que só uma delas foi desenhada por ele. Ao mesmo tempo realizou vários bustos, alguns de Urbano VIII, sendo o melhor da série o do seu primeiro patrono, o do cardeal Borgheses, de 1632. As obrigações arquitectónicas de Bernini aumentaram quando Carlo Maderno morreu em 1629, tendo o escultor passado a acumular não só as funções de arquitecto de São Pedro como as do Palácio Barberini. As obrigações eram tantas que teve recorrer a assistência de outros artistas, tendo sido bastante bem sucedido na organização do seu estúdio, tendo conseguido manter a consistência do seu trabalho, tanto na escultura como nas ornamentações. O seu trabalho estava de acordo com as conclusões do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, que tinham afirmado que a função da arte religiosa era ensinar e inspirar os fiéis, assim como servir de propaganda da doutrina da Igreja Católica Romana, defendendo que a arte religiosa devia ser inteligível e realista, e acima de tudo servir como estimulo emocional à religiosidade. Bernini tentou sempre conformar a sua arte a estes princípios. As obras mais espectaculares de Bernini foram realizadas entre os anos 40 e os anos 60 do século XVII. É a Fonte dos Quatro Rios na Piazza Navona de Roma, realizada entre 1648 e 1651; o Êxtase de Santa Teresa (1645-1652), que mais do que uma escultura é uma cena realizada por meio da escultura, da pintura e da iluminação. A preocupação de Bernini em controlar o ambiente em que as suas estátuas se encontravam, levou-o a concentrar-se cada vez mais na arquitectura. A sua igreja mais impressionante é a de Santo André no Quirinal, edificada entre 1658-1670, em Roma. Mas a sua realização mais impressionante em arquitectura é a Colonata que rodeia a Praça de S. Pedro. Em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d'Este, duque de Modena. Em 1665 viajou para Paris, aceitando finalmente um dos muitos convites de Luís XIV. Tendo ofendido os seus hóspedes, ao elogiar a arquitectura italiana em comparação com a francesa, os seus planos de remodelação do Louvre acabaram por não ser aceites, tendo realizado unicamente um busto de Luís XIV. As últimas esculturas de Bernini, as realizadas para a Capela Chigi na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, e os Anjos que deveriam estar na ponte de Sant'Angelo, continuaram a tendência das figuras que decoram o Trono de S. Pedro: corpos alongados, gestos expressivos, expressões mais simples mas mais emocionadas. O último grande trabalho de Bernini foi a simples Capela Altieri na Igreja de São Francisco a Ripa, de 1674, em que a arquitectura, a escultura e a pintura têm cada uma objectivos separados e bem claros, numa solução mais tradicional do que a da Capela Cornaro.

Stefano Maderno | M6






Stefano Maderno, nasceu em 1576 e desde cedo que se dedicou ao mundo da escultura, especialmente ao restauro de obras antigas. Contemporâneo de Bernini, pensa-se que nasceu em Itália em Como, sabe-se pouco sobre ele, e, biográficamente ,nada ou quase nada se encontra. Considera-se que seria irmão de Carlo Maderna, arquitecto, ou familiar por serem os dois de Bissone (hoje Cantão de Tesino). Stefano, é uma figura controversa. Encontram-se trabalhos de Stefano normalmente em locais onde trabalhava Carlo..Stefano, inicialmente, copiava obras e fazia-as em bronze. A sua capacidade de cópia visual, marcou a sua vida. Quando o Papa Pascoal I o mandou copiar o”corpo” de Santa Cecília,Stefano “CRESCEU”! Cecília, nobre da família romana dos Metelos, filha do senador romano e cristã desde a infância, foi dada em casamento, contra vontade. Negou-se ao casamento! Foi condenada à pena capital. O corpo, por ordem do Cardeal Sfondrati foi encontrado após procura váriada e longa, nas catacumbas de São Calisto. Uma aparição ao Papa, dizia-lhe onde ela se encontrava, foi Stefano Maderno quem foi chamado a vê-lo e a “reproduzi-lo”. As teorias que existem sobre como Stefanno reproduziu esta “figura”, são poucas…. Giovannin, Baglione, e outros, mais modernos, não conseguem ainda explicar, PORQUÊ. Maderno, sendo o melhor “copiador” da época, seria também o menos “falado” mas a sua escultura de Santa Cecília, recompensa-o por toda a arte executada e não reconhecida.A postura da Santa, é de tal forma natural, mais que morta, Cecília,”dormitava.”. Contrariamente às convenções da época, Stefanno, executa um corpo em repouso, que não está “morto” mas “REPOUSA”. A obra, conhecida como sendo “O martírio de Santa Cecília”, foi sem dúvida a obra que lhe deu algum reconhecimento. Estando sempre como “ajudante” ou estando sempre de forma secundária nos seus trabalhos, continuo a dizer, quão difícil foi encontrar algo sobre Stefano. A “Prudência”,na Basílica de Santa Maria sopra Minerva. Os Baixos relevos, efectuados para o Papa Paulo V, que se encontram na Basílica de Sta .Maria Maior. Sem ver grande reconhecimento no seu trabalho,confirmado por mim,na procura ,trabalhosa, sem resultados, da sua arte, Stefanno faleceu em Roma, no ano 1636. Isto,se a verdade for o que é,e se ele “existiu”………

George de la Tour | M6


George de La Tour nasceu no dia 13 de Março de 1593 na localidade de Vic-sur-Seille na região de Lorena, em França. Faleceu a 30 de Janeiro de 1652 em Lunéville, também em França. A certidão de baptismo de George de La Tour revela que ele era filho de Jean de La Tour, padeiro, e de Sybille de La Tour, nascida Molian. O casal teve sete crianças ao todo, sendo que Georges era o segundo mais velho da. Sobre a juventude e vida estudantil de Georges de La Tour nada se sabe, nem está documentado como é que ele encontrou a vocação de pintor. Ele casou-se com Diane Le Nerf em 1618, sendo que ela era filha de um administrador financeiro do Duque de Lorena. George estabeleceu o seu estúdio na pequena localidade de Lunéville em 1620, pintando quadros predominantemente inspirados no cristianismo e no dia-a-dia de pessoas comuns. Não existe qualquer retrado de Georges de La Tour. George foi nomeado "Pintor del Rey" em 1638 e, consequentemente, a opulência passou a fazer parte de sua vida.


Georges era muito conhecido por suas pinturas contendo efeitos de luzes nocturnas e pinturas de um forma simplificada. Uma de suas obras mais famosas,Education of the Virgin, encontra-se em exposição permanente no museu The Frick Collection de Nova Yorque. Inicialmente Georges executou seu trabalho num estilo da corrente artística chamado Barroco, mais tarde ele demonstrou ter sido influenciado pelo grande pintor italiano Caravaggio, por usar e aprofundar sua técnica de claro-escuro(chiaroscuro). As obras de Georges de La Tour continuaram desconhecidas após sua morte no ano de 1652 até que o historiador alemão Hermann Voss atribuiu duas telas do museu de Nantes a Georges du Mesnil de La Tour em 1915. Em 1922 o historiador de arte francês Louis Demonts descobriu várias obras espalhadas pelos museus da região de Lorena (i.e. Rennes, Nantes e Epinal) que para ele pareciam ser produtos da mão de Georges de La Tour. A elite dos salões freqüentados por artistas em Paris achou melhor manter em segredo (do grande público) os novos achados. Em 1926 o colecionador Pierre Landry comprou o quadro Le Tricheur (o trapaceiro do jogo de baralho). Após uma limpeza da tela, foi revelada a assinatura de Georges de La Tour. Charles Sterling, nascido na Polônia, foi o terceiro historiador que se ateve e que trouxe à tona obras de Georges de La Tour na França: Em 1934 foi montada uma grande exibição no Orangerie Museum de Paris onde foram expostas treze obras de Georges de La Tour, juntamente com quadros de Philippe de Champaigne ou os irmãos Le Nain. Charles Sterling trabalhou no museu do Louvre em Paris e no Met (The Metropolitan Museum of Art) de Nova Yorque. Charles Sterling também lecionou nos Estados Unidos, primeiramente na universidade de Columbia e mais tarde no New York University Institute of Fine Arts (Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova Yorque).

Características do Barroco | M6



O Barroco é considerado como o estilo correspondente ao absolutismo e à Contra Reforma, distingue-se pelo esplendor exuberante.


Na Pintura as características são as seguintes:


Objectivo de deslumbramento Surpresa… encenação…luz. Integrando um “espectáculo” - A pintura barroca caracteriza-se pela irracionalidade - Ânsia de novidade - Exuberância - Gosto pelo infinito - Dramatismo - Heterogeneidade estilística Diversidade temática: temas religiosos, profanos, mitológicos, retratos, paisagem, etc. Representação do momento - Sobreposição de formas sinuosas e dinâmicas - Linha do horizonte abaixo do normal -União plástica de luz/sombra/cor constrói um espaço que focaliza e define os principais elementos, diluindo os elementos na penumbra. - A luz é rasante e focalizada, chama a atenção do espectador …orientado a leitura da obra.


Na Escultura as características são as seguintes:


Arte mais praticada e difundida do barroco - Rigor da execução (herdado do Renascimento) - Realismo e naturalismo formal - Composições livres e abertas


Anatomia das figuras - Proporções - Pormenores caprichosos - Expressividade das personagens - Acentuando gestos, expressões faciais e corporais - Maior dramatismo


Cenas em representação com posições em movimento, de instável equilíbrio Panejamentos volumosos e agitados - Contraste das texturas


Esculpidas para serem admiradas de um ou dois pontos de observação



Na Arquitectura as características são as seguintes:



Linhas opostas umas às outras - Jogos de claro-escuro e fachadas com elementos estruturais clássicos - Colunas torças e duplas como elemento decorativo - Frontões centrais nas fachadas dos edifícios - Busca da fantasia e do movimento


Antítese entre espaços interiores e exteriores - As plantas das igrejas apresentam grande diversidade de formas: - Curvas, elípticas, ovais, trapezoidais e estreladas


Coberturas com cúpulas sustentadas no exterior por contrafortes decorados com volutas


Na arquitectura civil, construção de palácios citadinos -Vilas de reis, pontífices, nobres, alta burguesia. - Plantas em forma de U ou duplo U - O palácio está em articulação com o meio envolvente. - Os palácios integraram-se nas cidades com ruas e avenidas rectas,


Largas praças, jardins luxuriantes, fontes extravagantes. -Surpreendentes fachadas dos palácios com escadarias ritmadas. - A arte do jardim redescoberta no Renascimento, foi desenvolvida e enriquecida com bosques